Tecnologia e Manejo

03/11

Ourofino Saúde Animal: Úlcera Gástrica - Um quadro silencioso que causa prejuízos econômicos

Ourofino Saúde Animal: Úlcera Gástrica - Um quadro silencioso que causa prejuízos econômicos

 

 

A úlcera gástrica é uma das principais causas de mortalidade de fêmeas suínas em diversas regiões do mundo (Vestergaard et al. 2006, Sanz et al. 2006, Vearick et al. 2008, Menegat, 2013). No suíno, a úlcera gástrica ocorre, na maioria dos casos, na região do quadrilátero esofágico, uma área anatomicamente aglandular e que, por não produzir muco, torna-se uma região desprotegida frente à ação o pH ácido e de enzimas existentes no estômago (Sobestiansky  & Kieckhöfer, 2012) (Figura 1).

 

São diversos os fatores que predispõem à ocorrência de úlcera, sendo o estresse uma das principais, associado à composição e ao fornecimento da ração não adequados. A forma de manejar e medicar os animais, causas infecciosas e fatores relacionados à sazonalidade e à temperatura também têm influência na ocorrência da lesão gástrica.

 

 

Figura 1: Paraqueratose com presença de ponto de ulceração na região do quadrilátero esofágico do estômago de um leitão

 

O estresse gera diversos efeitos nocivos à imunidade do animal, sendo importante evitar manejos estressantes como: superlotação de baias, mistura de lotes e origens, jejum prolongado, transporte por tempo prolongado ou em ambiente inadequado, restrição de espaço, dificuldade de acesso ao comedouro e agressão aos animais.

 

Outro fator importante relacionado à ocorrência de úlceras é a composição da ração, sendo a granulometria um dos principais pontos a serem considerados, uma vez que quanto mais fina a ração for, maior a incidência de úlceras (Wondra et al. 1995). O uso de rações peletizadas, grãos extrusados em altas temperaturas, soro de leite na formulação, dietas pobres em vitamina E e selênio e níveis altos de ácidos poli-insaturados também são fatores predisponentes (Sobestiansky  & Kieckhöfer, 2012).

 

Além da composição, o método de fornecimento também influencia, sendo que a mudança na rotina do manejo alimentar aumenta as chances de acometimento. A forma de manejar os animais influencia de acordo com o nível de estresse gerado e, quanto à medicação, a utilização de tratamentos prolongados ou constantes com diclofenaco ou flunixin meglumine podem predispor ao processo de formação da úlcera (Carvalho et al. 2004; Luna et al. 2007).

 

Doenças respiratórias são associadas à ocorrência de úlceras, muito provavelmente devido à apatia e à redução de ingestão de alimento. Altas temperaturas também podem ser correlacionadas à presença de úlcera, porém, quanto à sazonalidade, dados mostram maior ocorrência durante o inverno e a primavera (Sobestiansky  & Kieckhöfer, 2012).

 

Para evitar que os animais desenvolvam quadros de úlcera gástrica, deve-se trabalhar preventivamente, controlando os fatores predisponentes citados. Estes, por sua vez, devem ser evitados, levando em consideração que o estresse não predispõe apenas a ocorrência de úlcera, mas também reduz a imunidade do plantel como um todo. É fundamental verificar a granulometria, evitando que a ração fique muito fina, bem como a composição e a formulação da ração.

 

O manejo de alimentação deve seguir uma rotina, lembrando que o jejum por tempo prolongado é um fator de grande impacto para a ocorrência de úlcera gástrica (Sobestiansky & Kieckhöfer, 2012). Quanto à medicação, a Ourofino Saúde Animal dispõe de um produto à base de meloxicam, o Maxicam 2% (Figura 2).  

 

Este anti-inflamatório atua apenas bloqueando os sítios causadores da inflamação, não afetando a produção de protetores gástricos, mesmo quando utilizado em tratamentos a médio e a longo prazo. A indicação é de 1 mL a cada 50 kg de peso vivo,  o que corresponde a uma dose de 0,4 mg/kg peso vivo. O controle de doenças que provocam inapetência também contribui com a redução de quadros de úlceras. O efeito da sazonalidade é difícil de ser controlado, no entanto, buscar uma ambiência adequada para cada categoria de animal é o ideal para reduzir as chances de estresse térmico e, por consequência, úlceras gástricas.

 

Por Andrea Panzardi, especialista técnica em suínos na Ourofino Saúde Animal



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