Tecnologia e Manejo

08/12

Ourofino Saúde Animal: Imunocastração x Castração Cirúrgica em Suínos

Ourofino Saúde Animal: Imunocastração x Castração Cirúrgica em Suínos

 

 

A produção de hormônios sexuais está diretamente relacionada com o momento em que os animais atingem sua maturidade sexual. Na espécie suína, o acúmulo de compostos como androsterona e escatol na gordura das carcaças deixa a carne com odor característico e repugnante, considerado inaceitável pelos consumidores.

 

Estudos mostram que detecção do odor sexual pelos consumidores varia de acordo com o país e com fatores genéticos, sendo que as mulheres parecem ser mais sensíveis ao odor. De acordo com Weiler et al (2000), 19,3% das mulheres são altamente sensíveis à androsterona, contra 15,6% dos homens na Alemanha; e 37,3% das mulheres são altamente sensíveis contra 23,7% dos homens na Espanha. Em um estudo brasileiro de Gomes et al. (2010), 64% das mulheres foram capazes de perceber odor desagradável na carne suína, contra 36% dos homens.

 

O hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) é produzido no hipotálamo e tem como função induzir a produção de gonadotrofinas (LH e FSH) pela hipófise. Esta, por sua vez, estimula o crescimento testicular e a espermatogênese, entre outras funções. O LH atua na produção de hormônios esteroides nos testículos, porém alguns desses compostos, como androsterona e escatol, não possuem ação anabolizante, mas podem provocar odor e sabor na carcaça dos suínos machos (Santos, 2009), o que leva à rejeição da carne suína por parte dos consumidores.

 

Para evitar que isso ocorra, tradicionalmente, os leitões sofrem o processo de castração cirúrgica nos primeiros dias de vida (4-7 dias), que consiste na remoção dos testículos inteiros. Porém, apesar de impedir o acúmulo das substâncias androsterona e escatol, a castração cirúrgica elimina também os hormônios de ação anabolizante, reduzindo assim o potencial de crescimento destes animais. Além disso, trata-se de um procedimento invasivo e cruento, que além de reduzir o bem-estar, muitas vezes quando não bem realizados abrem portas para a entrada de agentes patogênicos nos animais (Santos, 2009).

 

Já o processo de imunocastração consiste na aplicação de uma vacina injetável contendo uma forma modificada do hormônio GnRH conjugada  a uma proteína que estimula o sistema imunológico do animal. Logo, são produzidos anticorpos contra o GnRH que interrompem o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal, pois impedem a ação do hormônio sob a hipófise, inibindo a liberação de LH e FSH (Martinuzzi et al., 2011). Isto leva à redução do desenvolvimento dos testículos, da síntese de hormônios esteroides e, consequentemente, do acúmulo de androsterona e escatol na carcaça.

 

Nos programas de imunocastração, os animais só são considerados castrados após o cumprimento do protocolo estabelecido, que geralmente envolvem duas aplicações com intervalo de em média duas a três semanas, sendo necessário ainda esperar um tempo de resposta até o abate após a administração da segunda dose (Silva et al., 2011). Segundo Pauly et al. (2009), os animais imunocastrados apresentam conversão alimentar semelhante aos valores de machos inteiros, sendo estes menores do que os encontrados em machos castrados cirurgicamente. Estudos de Santos et al. (2012) mostram que animais imunocastrados apresentaram um ganho de peso diário aproximadamente 8,3% superior na fase de terminação, com melhor desempenho, menor espessura de toucinho e maior percentual de carne magra. Assim, a castração imunológica mais tardia em machos inteiros, já no período de terminação, reduz os níveis de androsterona e escatol que causam odor sexual na carcaça, ao mesmo tempo em que aproveita os benefícios dos efeitos anabólicos dos hormônios sexuais durante seu crescimento.

 

A segunda dose da vacina de imunocastração deve ser aplicada de quatro a cinco semanas antes do abate, para que haja tempo de uma resposta adequado à vacina. Neste período que antecede o abate, a produtividade ainda pode ser melhorada com o uso do Ractosuin. O Ractosuin é um agonista beta-adrenérgico que atua aumentando a síntese proteica e reduzindo a deposição de gordura na carcaça, aumentando assim a massa muscular. Como resultado desta ação, o Ractosuin proporciona uma melhor conversão alimentar (CA) e aumenta o rendimento da carcaça em relação a animais que não a recebem.

 

Assim, o Ractosuin maximiza os efeitos positivos da imunocastração e mitiga alguns de seus efeitos negativos, como o aumento na quantidade de gordura na fase final de terminação e baixa umidade da carne (Costa-Lima et al., 2014; Rikard-Bell et al., 2009; Lanferdini et al., 2013), oferecendo uma excelente estratégia para aumentar a produtividade do sistema de criação de suínos em conjunto com a imunocastração.

 

Por André Pegoraro Poor, estagiário do Departamento Técnico da Ourofino Saúde Animal



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