Tecnologia e Manejo

24/05

Alimentos funcionais à base de sorgo estão em fase final de desenvolvimento

Alimentos funcionais à base de sorgo estão em fase final de desenvolvimento

 

Pessoas com intolerância ao glúten, portadoras da doença celíaca, serão as principais beneficiadas com o desenvolvimento de produtos tendo como base o sorgo, quinto cereal mais cultivado em todo o mundo. Rico em propriedades antioxidantes, o valor nutricional do sorgo é semelhante ao do milho em termos de proteína, gordura e carboidratos.O cereal ainda apresenta um diferencial importante: a presença de alguns compostos, chamados bioativos, que ajudam a evitar o câncer e algumas doenças crônicas.

 

Desde 2009, a Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) em parceria com quatro Unidades da Embrapa e três universidades, desenvolve o projeto "Sorgo para alimentação humana: caracterização de genótipos quanto a compostos de interesse para a nutrição e a saúde humana e desenvolvimento de produtos sem glúten".

 

Segundo a pesquisadora Valéria Vieira Queiroz, do Núcleo de Recursos Genéticos e Desenvolvimento de Cultivares, resultados promissores já começaram a ser descobertos. Abaixo, leia entrevista sobre o tema. Uma das novidades é o desenvolvimento de produtos elaborados a partir da extrusão dos grãos de sorgo, como biscoitos, farinha solúvel e cereal matinal, além de uma barra de cereais com pipoca de sorgo e fibra de caju. Essa barrinha de cereais está sendo desenvolvida por três instituições: UFMG(Universidade Federal de Minas Gerais), Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE).

 

Grão em Grão – Quais as inovações em P&D sobre o tema? O que está sendo feito para dar andamento à pesquisa?

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Valéria Queiroz - O projeto propõe avaliar a qualidade nutricional e funcional de 100 genótipos de sorgo, bem como desenvolver e avaliar produtos à base do cereal. Apesar de o projeto encontrar-se no primeiro ano de execução, as características nutricionais e funcionais relativas aos teores de proteínas, lipídeos, cinzas, fibras totais, minerais, isômeros da vitamina E, compostos fenólicos totais e atividade antioxidante de todos os genótipos já foram avaliadas e encontram-se em fase de análise dos dados.

 

Os dados preliminares apontam para elevada variabilidade para as características avaliadas, o que é um ótimo indicador para a identificação de materiais promissores para uso na alimentação humana. Alguns genótipos apresentaram elevados teores de proteínas, chegando a cerca de 18% (em base seca) e outros elevados teores de ferro e de zinco, com valores, respectivamente, de 54 e 35 mg/kg.

 

As análises dos isômeros da vitamina E, realizadas em parceria com a UFV (Universidade Federal de Viçosa), mostraram também resultados bastante promissores revelando genótipos que podem ser considerados ótimas fontes dessa vitamina. Diversas linhagens estudadas apresentaram elevados teores de compostos fenólicos totais e elevada atividade antioxidante, superando nossas expectativas iniciais. Esses resultados preliminares já apontam uma tendência positiva para uso dos grãos de sorgo na alimentação humana, como cereal de grande potencial para contribuir na melhoria da nutrição e da saúde humana.

Quais os produtos poderão ser desenvolvidos tendo o sorgo como matéria-prima?

 

Encontram-se em fase final de desenvolvimento produtos elaborados a partir da extrusão dos grãos de sorgo, como biscoitos, farinha solúvel e cereal matinal, os quais, do ponto de vista tecnológico, vêm apresentando resultados satisfatórios para todas as cultivares testadas. Bolos e biscoitos sem glúten à base de farinha integral de sorgo também já foram desenvolvidos e testados com elevada aceitação sensorial. Pães sem glúten com farinha de sorgo estão em fase inicial de desenvolvimento. Esses produtos poderão beneficiar, além dos consumidores de um modo geral, especialmente os celíacos, os quais não podem consumir alimentos que contêm glúten.

De que forma esses nutrientes são absorvidos por quem os consome? Há alguma espécie de perda durante o processamento?

 

Estudos sobre efeitos de diferentes formas de processamento dos grãos de sorgo na biodisponibilidade de compostos bioativos estão sendo iniciados por equipe de pesquisadores do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV. Pesquisas referentes à detecção e quantificação de aminas bioativas e de antocianinas nesses genótipos de sorgo estão em fase preliminar e deverão ser abordadas em duas teses de doutorado, da UFMG e da USP (Universidade de São Paulo).

 

Da mesma forma, testes in vivo, tanto com animais quanto com seres humanos, com a finalidade de avaliar os efeitos de compostos bioativos do sorgo sobre parâmetros bioquímicos, como níveis de glicose e de colesterol no sangue, encontram-se em fase inicial de desenvolvimento na UFV e na UFMG. Além das instituições de ensino e pesquisa inicialmente parceiras do projeto, como UFV, UFMG e UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), outras como UNB (Universidade de Brasília), USP e Unicamp também já aderiram à ideia do projeto e passaram a contribuir com os resultados por meio de pesquisas desenvolvidas por alunos de mestrado e doutorado.

 

Mais informações: NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional) da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Embrapa, vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento): (31) 3027-1272 ou nco@cnpms.embrapa.br

 

Guilherme Viana (MTb / MG 06566 JP)

Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)

http://www.cnpms.embrapa.br/

Tel.: (31) 3027-1272

 gfviana@cnpms.embrapa.br



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