Tecnologia e Manejo

05/09

Uso de inoculantes na ensilagem de forrageiras

Uso de inoculantes na ensilagem de forrageiras

 

A distribuição da produção forrageira nos trópicos é estacional, e a sazonalidade das culturas torna alguns períodos do ano menos favoráveis à produção de forragens. A disponibilidade do alimento se alterna durante o ano de acordo com luminosidade, precipitação pluviométrica e temperatura, que varia na exigência entre os cultivares. Os efeitos desse fenômeno sobre a pecuária é bastante contundente, já que de modo geral ocorre uma queda considerável na disponibilidade de alimentos no inverno e abundancia no verão (SILVA, 2001).

Segundo NOVAES et al. (2004), uma solução prática e eficiente para enfrentar a escassez de forragens é a conservação das mesmas, que pode ser feito por meio de fenação ou ensilamento. Entretanto a técnica apurada e as exigências para a fenação restrigem a adoção da técnica em algumas regiões, uma vez que há limitações de tempo, clima e equipamento para a colheita, desidratação, enfardamento e armazenamento da forrageira. Desta forma, outra técnica de conservação de forrageiras é o ensilamento, que consiste na preservação da forrageira por meio de fermentação anaeróbica do volumoso após o seu corte, picagem, compactação e vedação em silos. A técnica foi desenvolvida com intuito de padronizar a qualidade e disponibilidade das forragens, fornecidas aos animais, durante os dois períodos, “nas secas e nas águas” (SILVA, 2001).

O produto final dessa fermentação, denominado silagem é obtido pela ação de microrganismos sobre os açúcares presentes nas plantas com a produção de ácidos, resultando em queda do pH até valores próximos de 4 (SILVA, 2001). Pode ser utilizada como alimento exclusivo ou complemento de volumoso para os ruminantes, e tem como vantagem o fato de alimentar um maior número de animais por hectare. Permite ainda, um melhor potencial de produção de matéria seca e de energia por hectare, pois além de fácil armazenamento, permite o estoque de grande quantidade de alimento em um menor espaço físico, contribuindo para a maximização da produção, seja de carne ou leite (NOVAES et. al., 2004).

Durante o processo de produção da silagem, até o alimento chegar ao cocho, o produtor deve se atentar a cada etapa da produção, desde a escolha da forrageira que melhor se adapta ao clima e região; o tamanho da partícula no corte, que deve estar entre 1 e 2 cm; a eleição do inoculante e aditivo que tenha melhor ação na espécie de forragem selecionada; compactação eficiente, fazendo com que expulse o máximo de ar presente entre a massa verde; vedação com lona plástica, evitando que entre ar na silagem; abertura do silo e o tempo que o alimento fica exposto no cocho. Realizando o manejo correto durante estas fases é uma maneira que o produtor encontra para assegurar e garantir que seus animais estarão consumindo uma silagem de qualidade (LANES et al., 2011).

Durante a fase aeróbica, fase do processo fermentativo que ainda há presença de oxigênio dentro do silo, ocorrem perdas de carboidratos solúveis, ricos em energia, que farão falta as bactérias produtoras de ácidos lático que são responsáveis pela queda do pH, pois serão transformados em água, gás e calor que pode comprometer a integridade e disponibilidade das proteínas da forragem. Durante a fase anaeróbica, também ocorrem perdas que dependendo do tipo de fermentação, podem ser maiores ou menores, durante esta fase o pH começa a cair e ocorre uma mudança na população de bactérias, surgindo as bactérias homofermentativas, que são mais eficientes na produção de ácido lático. Na fase de estabilização o pH deve estar entre 3,8 a 4,2 fazendo com que ocorra inibição da população de bactérias impedindo a produção de ácido butírico e aminas que são indesejáveis , consequentemente interrompendo o processo de fermentação e iniciando a fase de estabilidade, que se prolonga até que o silo seja aberto e a silagem volte a ter contato com o oxigênio (PEREIRA, 2008).

Para auxiliar contra os efeitos da deterioração da forragem ensilada, causada pelas fases de fermentação citadas acima, é indicado o uso de inoculantes que possuam bactérias atuantes no processo fermentativo da ensilagem, promovendo um aumento da população bacteriana que favorecem o processo de aceleração da produção de ácidos orgânicos, e consequente queda do pH do produto final em menor tempo. Resultando numa melhor conservação da forragem, evitando perdas de matéria seca, de proteínas verdadeiras e componentes nutricionais em geral, por diminuir o tempo de exposição à fase aeróbica, além de reduzir as perdas de superfície, melhorar a palatabilidade, antecipar a abertura do silo, e aumentar a rentabilidade do pecuarista.

Existem diversos inoculantes no mercado nacional, como Silobac® e Silobac® 5. O Silobac® é um produto composto por cepas deLactobacillus plantarum e Pediococcus pentosaceus, que se multiplicam rapidamente, produzindo ácido lático, o que confere uma queda do pH da silagem, no qual promove a preservação dos componentes mais nutritivos da forragem, além de aumentar a recuperação de MS em média de 5% e diminuir a perda de superfície do silo. Tal processo mantem a palatabilidade do alimento e garante maior tempo de silagem fresca no cocho. Silobac® é indicado principalmente silagens de culturas forrageiras como, coast-cross, tifton, grama estrela, sorgo, capim elefante, Tanzânia, Mombaça, girassol, aveia, azevém e alfafa, com a vantagem ainda de abertura com apenas 7 dias pós fechamento.

Considerando que a maioria das silagens é a base de milho e cana-de-açúcar, temos também a solução e neste caso, o produto é Silobac® 5. Composto por cepas de Lactobacillus plantarum PA28 e Lactobacillus plantarum K270, tais cepas reduzem as perdas de matéria seca da silagem e, aumenta em média 25 horas a estabilidade aeróbica da silagem de milho e 35 horas na silagem de cana-de–açúcar.

Uma silagem bem conservada, com valores nutricionais preservados e ainda, mais tempo de alimento fresco no cocho, garante maior ingestão de silagem pelo animal, resultando em melhor qualidade do leite e, maior ganho de peso. O uso de inoculantes traz benefícios e lucros para aqueles que fazem sua utilização, seja no corte ou leite. Use e comprove! Mas lembre-se que é muito importante a consulta de um técnico.


Produtos fabricados pela Chr. Hansen e comercializados pela Ourofino Saúde Animal


Fonte: Ourofino Agronegócio Por Leonardo Massolli Lemos.



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