Tecnologia e Manejo

14/09

Vaca vazia ao final da lactação e novilha atrasada: o que fazer?

Vaca vazia ao final da lactação e novilha atrasada: o que fazer?

 

Com a intensificação na seleção genética das propriedades produtoras de leite para atingir a maior capacidade produtiva, é preciso aumentar a atenção para evitar reflexos negativos na eficiência reprodutiva e, consequentemente, na produtividade da fazenda. A alta produção leiteira exige máximo cuidado com os manejos nutricional, ambiental e reprodutivo. Descuidos nesses três pilares podem reduzir a fertilidade do rebanho e aumentar o número de vacas vazias ao final da lactação, levando ao crescimento da taxa de descarte involuntário.

 

Neste ponto, a propriedade possui três opções para destino dessa fêmea:

 

1) Descartar a vaca (se possuir boa genética, for jovem, estiver saudável e sem problemas reprodutivos detectáveis pelo médico-veterinário, esta opção mostra-se menos atraente);

 

2) Manter a vaca no programa reprodutivo da fazenda (certamente aumentando o custo reprodutivo);

 

3) Realizar o protocolo de indução de lactação.

 

A terceira opção pode ser interessante porque direciona de maneira estratégica o destino de fêmeas que, por motivos não detectáveis, encerraram a lactação sem ter emprenhado. Com essa nova ferramenta de manejo reprodutivo, é possível diminuir a taxa de descarte involuntário da propriedade ao mesmo tempo em que se inicia nova lactação em uma vaca que está vazia e, portanto, não iria produzir leite após a secagem.

 

Estudos recentes indicam outro benefício importante do protocolo de aleitamento: o retorno à função reprodutiva e consequente prenhez de algumas das fêmeas que seriam descartadas. Pesquisadores avaliaram se a fertilidade de vacas Holandesas que permaneceram vazias ao final da lactação e foram tratadas com protocolo de indução à lactação podia ser afetada posteriormente.

 

Ao serem inseminadas artificialmente, as vacas apresentaram alta de taxa de prenhez (41,5%) até a terceira inseminação pós-aleitamento. Dessa forma, o protocolo de indução à lactação pode ser utilizado como estratégia para incrementar a fertilidade de vacas Holandesas repetidoras de serviço. Para iniciar o protocolo de aleitamento é necessário que as fêmeas estejam secas há no mínimo 40 dias. Como o protocolo tem duração de 21 a 22 dias, essas vacas completarão um período seco total de 62 dias. De acordo com outro estudo publicado, utilizando-se o seguinte protocolo (Figura 1), a taxa de resposta ao aleitamento foi de 85%, com produção de leite entre 70 e 80% da lactação anterior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Novilhas atrasadas podem receber o protocolo?

 

Novilhas que possuem excelente genética, já atingiram o peso-alvo e estão aptas à reprodução, mas não emprenharam após sucessivos serviços, podem, sim, receber o protocolo de aleitamento. A comprovação vem de estudo que avaliou a resposta e a fertilidade de 150 novilhas meio-sangue (Jersey x HPB) submetidas ao protocolo de indução de lactação. Verificou-se que 86,8% delas iniciaram a produção de leite. As novilhas ainda apresentaram taxa de prenhez de 76,1% após serem submetidas a três protocolos consecutivos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF), demonstrando dois benefícios da implantação estratégica do aleitamento em novilhas atrasadas:

 

1) Antecipação da produção de leite e redução do descarte involuntário de novilhas;

 

2) Retorno à vida reprodutiva, com estabelecimento precoce da gestação (76,1% de prenhez com apenas três serviços).

 

A indução à lactação possibilita reter as fêmeas geneticamente superiores e, consequentemente, reduz as perdas econômicas decorrentes das falhas reprodutivas. Dessa forma, essa técnica é uma excelente ferramenta para reduzir o descarte involuntário e aumentar a lucratividade da propriedade.

 

Por Bruno Gonzalez de Freitas e Bruna Martins Guerreiro, especialistas técnicos em Reprodução Animal

 

Ourofino Saúde Animal 



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