Tecnologia e Manejo

08/11

Alta Genetics do Brasil: Facilidade de Parto - Ferramenta Genética Fundamental

Alta Genetics do Brasil: Facilidade de Parto - Ferramenta Genética Fundamental

 

Uma característica marcante em touros da raça Angus é a facilidade de parto. Estas avaliações, representadas pelas DEPs de Facilidade de Parto Direto e Facilidade de Parto Maternal, aliadas à informação da DEP de Peso ao Nascimento, indicam a segurança de utilização de touros Angus principalmente em novilhas.

 

Estas avaliações não são novidades na indústria da carne bovina. O esforço de pesquisa para calcular a facilidade de parto foi cumprido com cautela pelos pesquisadores, levando em consideração sempre a melhor maneira de analisar os dados.

 

O cálculo da facilidade de parto envolve uma análise multifatorial do modelo animal, incluindo o score de parto e o peso de nascimento. O score de parto é mensurado por um índice numérico de 1 a 5, em que 1 indica “nenhuma assistência”, 2 indica “alguma assistência”, 3 indica “assistência mecânica”, 4 indica “parto por cesariana” e 5 indica “parto anormal” (esta última não entra no cálculo). Aproximadamente 91% dos partos de novilhas Angus se encaixam no score 1. Essa informação coloca a raça entre as melhores para esta característica.

 

Já o Peso ao Nascimento é uma informação linear e a correlação genética entre Peso ao Nascimento e o score de parto é alta: 65%. Muitos dos genes que controlam o peso ao nascimento também estão presentes nos animais com o score de parto registrado. Isto demonstra que bezerros nascidos mais pesados tendem a serem associados a maior número de novilhas com score de parto maior, aumentando o potencial de partos assistidos. Calculando as DEPs de facilidade de parto, estas informações podem ser analisadas juntas.

 

Com uma base de dados vasta e dinâmica, é possível fazer um ajuste fino em relação às decisões de seleção para as fêmeas de primeira cria, utilizando as DEPs de Facilidade de Parto Direta e Maternal. As duas são contabilizadas em porcentagem de partos não assistidos, com o maior valor indicando maior número de partos sem auxílio. A DEP de Facilidade de Parto Direta está dentro do grupo de características de produção, enquanto a Facilidade de Parto Maternal fica no conjunto de avaliações maternais.

 

A FPD prediz a diferença média de partos facilitados de bezerros filhos de determinado touro, quando cruzados com novilhas. É uma ferramenta que permite selecionar reprodutores e acasalá-los com novilhas, aumentando a probabilidade de partos facilitados em comparação com outros touros.

 

Como exemplo, podemos hipotetizar a seguinte situação: um touro A com DEP para FPD de 30 que foi utilizado em um grupo de 100 novilhas, e um touro B de DEP para FPD 10 que foi utilizado em outro grupo de 100 novilhas. Como a diferença entre as DEPs é de 20, podemos esperar que o touro A tenha 20 filhos a mais com parto facilitado ou não assistido, em comparação com o touro B.

 

Como a FPD é altamente correlacionada com o PN, os produtores podem se questionar o por que não utilizar somente o PN no momento da seleção. A explicação consiste no fato de que o PN é uma medida indireta da facilidade de parto. Agora, ao invés de predizer indiretamente a facilidade de parto, pode-se fazer uma predição mais direta desta característica. Os dados de PN já registrados na base não devem ser ignorados e são de extrema importância para esta predição, porém a FPD oferece maior confiança na hora de selecionar touros para utilização em novilhas. 

 

Já a FPM é uma medida que torna possível predizer a facilidade de partos em filhas de determinado touro. Com ela, o criador consegue ter uma análise quantificável da genética associada à porcentagem de partos não assistidos nas primeiras crias das filhas do reprodutor.

 

Utilizando exemplo semelhante ao anterior, se supormos que certo touro A possui DEP para FPM de 30 e outro animal B tem DEP de 10, e ambos tiverem 100 filhas, quando estas forem novilhas e acasaladas com touros semelhantes entre si, estima-se que o touro A terá 20 filhas a mais com escore de parto facilitado, comparado com as filhas do touro B.

 

A FPM deve ser utilizada como ferramenta para escolha de touros para produção de novilhas de reposição. Ela permite ao criador, tanto de gado puro quanto comercial, incrementar a genética das fêmeas que serão retidas no sistema, aumentando as chances de partos sem assistência. Já para aqueles produtores que não retêm fêmeas, ou que a reposição é buscada no mercado, tanto a FPM quanto os outros índices maternais não precisam ser analisados na escolha do touro.

 

Como a FPD e a FPM englobam alguns dos mesmos dados, alguém há de questionar como pode um touro ser melhor para uma do que para outra característica. A pressão de seleção por baixo peso ao nascimento na raça resulta na melhora simultânea para a característica de FPD, pois quanto menor o peso ao nascer, maior será a facilidade de parto efeito direto.

 

Porém, é sabido que quando selecionamos para baixo peso ao nascer, estamos selecionando para animais, consequentemente, menores, o que implicará em fêmeas, também, menores. Pelo lado econômico isso é interessante, pois manterá fêmeas menos exigentes no rebanho, porém, prejudicará na facilidade de parto dessas novilhas por essas serem de menor porte em razão da seleção realizada sobre FPD. Portanto, quando selecionamos para FPD, estamos, de forma indireta, selecionando contra FPM.

 

As DEPs de facilidade de parto são ferramentas de análise importantes para uma categoria específica de matrizes: as novilhas. A ocorrência de dificuldade de parto em vacas é muito baixa, e é de fato nas novilhas que este problema deve ser priorizado na hora da seleção genética.

 

A média da raça Angus, nos touros atuais, é de 4% para FPD e 6% para FPM. Portanto, essa DEP é uma ferramenta de ajuste fino da criação, sendo que possibilita que menos de 9% das novilhas requeiram qualquer assistência ao parto. A seleção de touros para facilidade de parto, então, funciona tanto como estratégia de manejo, quando pensamos em facilidade de parto direto, quanto como ferramenta de melhoramento genético, no momento em que olhamos para a facilidade de parto materno e planejamos a maior qualidade das filhas do touro que serão retidas no sistema e se tornarão matrizes do rebanho.



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