Tecnologia e Manejo

28/09

Ourofino Saúde Animal: Indução de Lactação: Alternativa para reduzir a taxa de descarte involuntário

Ourofino Saúde Animal: Indução de Lactação: Alternativa para reduzir a taxa de descarte involuntário

 

 

A contínua busca pelo incremento produtivo de vacas leiteiras demanda grande cuidado para evitar perdas de eficiência reprodutiva e, consequentemente, econômica da atividade. A alta produção de leite demanda atenção especial na formulação de dietas para animais mais exigentes, no conforto ambiental e na saúde dos mesmos, principalmente no período compreendido entre o fim da gestação e início da lactação. Descuidos nestes e em outros fatores podem causar redução na fertilidade do rebanho, resultando em atrasos na concepção e no aumento do intervalo entre partos. Uma vez instalado o cenário de baixa eficiência reprodutiva, evidencia-se o aumento no descarte involuntário das matrizes do rebanho[1], a diminuição da longevidade produtiva, a redução no número de animais para reposição, bem como redução no progresso genético.

 

         Tendo em vista esse cenário, é determinante a busca por alternativas para diminuir o descarte involuntário, de forma a melhorar a eficiência reprodutiva e aumentar a vida produtiva das fêmeas leiteiras. Uma alternativa, e foco desse artigo, é a técnica de indução a lactação (IL). O protocolo de indução à lactação consiste em um tratamento que simula o final da gestação (últimos 21 dias), mimetizando os níveis fisiológicos dos hormônios reprodutivos que estão envolvidos nesta fase. Essa técnica tem sido estudada e utilizada há décadas em vacas de leite que apresentaram falha reprodutiva (secas e não gestantes), como também em novilhas que não se tornaram gestantes após sucessivas inseminações.

 

         Neste artigo, vamos apresentar os resultados obtidos de CARVALHO, et al., (2016) em um estudo retrospectivo que objetivou avaliar a fertilidade de vacas Holandesas (Bos taurus) repetidoras de serviço (RS) que permaneceram vazias ao final da lactação e foram tratadas com protocolo hormonal para indução de lactação.

 

[1] O descarte de vacas de leite pode ser classificado como voluntário ou involuntário. O involuntário é aquele devido à morte do animal, ou a doenças como mastite, problemas de cascos ou reprodutivos, ou ainda devido a traumatismos ou infertilidade. O descarte voluntário é aquele em que os animais são descartados apenas por seleção, que se baseia na lucratividade do animal, ou seja, baseado em índices, como a baixa produção de leite. (ARTIGOS TÉCNICOS – REHAGRO)

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         Para tanto, foram analisados dados de produção e reprodução de 50 vacas Holandesas com lactações concluídas que permaneceram não gestantes ao final da lactação e tiveram uma nova lactação induzida por protocolo hormonal (Grupo Lactação Fisiológica; N = 50, Paridade = 2,0 ± 0,1 lactações e Grupo Lactação Induzida; N = 50; Paridade = 3,0 ± 0.1 – Desenho Experimental – Figura 1). O período seco foi de 80,3 ± 7 dias (intervalo entre o final da lactação fisiológica e o início da lactação induzida). 

 

 

Figura1 - Desenho Experimental de vacas que iniciaram uma lactação fisiológica após um parto (Grupo LF; N = 50), permaneceram não gestantes ao final desta lactação e tiveram uma nova lactação induzida por protocolo hormonal (Grupo LF; N = 50)

 

As variáveis estudadas e comparadas entre as duas lactações foram: a taxa de prenhez; a produção de leite (diária e total; kg); a duração da lactação (dias) e o pico de produção (kg).

 

         Foi observada a diferença entre as lactações na taxa de prenhez durante a lactação (LACTAÇÃO FISIOLÓGICA = 0%; LACTAÇÃO INDUZIDA = 41,5%; P<0,0001 – Figura 1); duração da lactação (LACTAÇÃO FISIOLÓGICA = 389 ± 14; LACTAÇÃO INDUZIDA = 269 ± 13 dias; P<0,0001 – Figura 2) e produção de leite durante a lactação (LACTAÇÃO FISIOLÓGICA = 8484 ± 338; LACTAÇÃO INDUZIDA = 5778 ± 392 kg; P<0,0001 – Figura 3).

 

         Entretanto, não foram observadas diferenças entre as variáveis da produção de leite por dia (LACTAÇÃO FISIOLÓGICA = 22,2 ± 0,68; LACTAÇÃO INDUZIDA = 20,9 ± 0,72 kg/dia; P = 0,21 – Figura 4) e pico de produção (LACTAÇÃO FISIOLÓGICA = 35,1 ± 1,2; LACTAÇÃO INDUZIDA = 32.5 ± 1,3 kg; P = 0,13 – Figura 5) entre as lactações analisadas.

 

         Em conclusão, o protocolo de indução de lactação pode ser utilizado como estratégia para incrementar a fertilidade de vacas Holandesas (Bos taurus) repetidoras de serviço, assim como aumentar a produção de leite e minimizar as perdas econômicas referentes a falhas reprodutivas.

 

Mensagem ao leitor

 

         A técnica de indução de lactação pode ser considerada uma alternativa para reduzir a taxa de descarte involuntário, maior retenção das vacas geneticamente superiores no rebanho, e consequentemente, minimizar perdas econômicas referentes a falhas reprodutivas, principalmente em países tropicais como o Brasil. Ainda vale ressaltar a importância de corrigir as reais causas dos problemas reprodutivos da propriedade. A indução de lactação é uma estratégia pontual para ser utilizada na correção de problemas reprodutivos da propriedade.

 

 

Figura2 - Duração da lactação (dias) de vacas que iniciaram uma lactação fisiológica após um parto (N = 50), permaneceram não gestantes ao final desta lactação e tiveram uma nova lactação induzida por protocolo hormonal (N = 50) - P<0,0001

 

 

 

Figura3 - Produção de leite total (kg) após a lactação de vacas que iniciaram uma lactação fisiológica após um parto (N = 50), permaneceram não gestantes ao final desta lactação e tiveram uma nova lactação induzida por protocolo hormonal (N = 50) P<0,0001

 

 

Figura4 - Produção de leite por dia (kg/Dia) de vacas que iniciaram uma lactação fisiológica após um parto (N = 50), permaneceram não gestantes ao final desta lactação e tiveram uma nova lactação induzida por protocolo hormonal (N = 50) - P = 0,21

 

 

 

Figura5 - Pico de produção (kg) de vacas que iniciaram uma lactação fisiológica após um parto (N = 50), permaneceram não gestantes ao final desta lactação e tiveram uma nova lactação induzida por protocolo hormonal (N = 50) - P = 0,13

 

Por Rodolfo Mingoti e Pietro Baruselli , Departamento de Reprodução Animal - FMVZ-USP



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