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05/12

Mato Grosso - Acrimat: Entenda o aumento do preço da carne bovina

Mato Grosso - Acrimat: Entenda o aumento do preço da carne bovina

 

Os preços da carne bovina em um período curto de tempo, vem tendo seus preços aumentados, gerando um alvoroço em torno do assunto. Desta forma, é necessário esclarecer os principais motivos que provocaram este raro fenômeno e, que vem ocupando grande espaço na mídia.

 

Para a perfeita compreensão do assunto, é salutar esclarecer todas as nuances de o porquê da elevação do valor da arroba do boi, que de antemão já alertamos, não é o principal fator de elevação dos preços da carne bovina aos consumidores finais.

 

Uma das primeiras razões é variação cambial do dólar norte-americano batendo sucessivos recordes de aumentos. Nestes patamares a indústria consegue aumentar suas exportações para diversos países, inclusive para a China tanto lembrada nestes últimos meses, porém o Brasil exporta para mais de 100 países.

 

Em números, os resultados foram que de Janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou 1.464 milhão de toneladas de carne, com aumento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Estas vendas renderam ao Brasil US$ 5.776 bilhões, um aumento de 7,5% também em relação ao ano anterior.

 

Por outro lado, além do aumento das exportações o mercado interno por várias razões tem aumentado o consumo. Isto se dá em função da expansão dos meios de pagamento que representam os depósitos bancários a vista e o volume de moedas em poder da população.

 

Esta expansão veio através da liberação de parte do FGTS pelo Governo Federal, que até o ultimo 26 de outubro já haviam sido liberados R$ 16,9 bilhões de um total estimado de R$ 40,0 bilhões. Sem sombras de dúvidas, este dinheiro foi para o consumo. Nenhuma crítica a medida, afinal o dinheiro do FGTS é do trabalhador!

 

Teremos ainda, o impacto de aumento de consumo no mercado interno pelo pagamento aos trabalhadores e funcionários públicos em 30 de novembro próximo passado da primeira parcela do 13º salário e a última parcela antes do natal.

 

Se não bastasse o aumento de consumo via exportação e aumento no mercado interno, reduziu-se a oferta de animais prontos para o abate. Isto em função do longo ciclo de seca em todo o Brasil e ainda, pelo ciclo da pecuária que se verifica em razão do baixo preço de bezerros que obriga os produtores a abater matrizes para que num momento seguinte, o segmento produtivo de cria seja melhor remunerado.

 

Outros fatores concorrem para o aumento do preço da carne bovina que são os elevados custos de produção e industrialização. Apenas para exemplificar, o insumo energia elétrica aumentou em 3 anos algo em torno de 60% para a indústria, além de os estados, aumentarem seus impostos e taxas. Portanto, pelo tudo o que se demonstrou acima, fica claro que a matéria prima, o boi não é o responsável pelo aumento de preços da carne.

 

Outro aspecto de relevada importância para a compreensão do assunto, se refere as margens de lucros dos agentes que compõem a cadeia da carne bovina, onde a evolução dos preços pagos aos produtores de outubro de 2009 a outubro de 2019, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foi da ordem de 194%, para os frigoríficos 234% e para os varejistas 335%.

 

Estas variações de aumento da cadeia da carne, podem ser traduzidas da seguinte forma, para a carne bovina comercializada em Mato Grosso em novembro deste ano: primeiro os pecuaristas receberam em média R$ 11,07 por kg de boi vendido para os frigoríficos; estes venderam para os varejistas (supermercados, redes de atacadistas e açougues) o Kg de carne em média a 13,52 e os varejistas venderam para o consumidor final a R$ 22,70 o kg de carne. Portanto da fazenda ao prato os preços foram elevados em 105%.

 

Quanto ao aumento da arroba do boi, vimos que não é um movimento altista passageiro, na verdade se trata de um realinhamento de preços para manter o equilíbrio econômico e financeiro da atividade. Isto era extremamente necessário, pois o setor vem se descapitalizando nos últimos 10 anos.

 

Amado de Oliveira Filho é economista, especialista em mercados de commodities agropecuárias e, direito ambiental e desenvolvimento sustentável e atualmente é consultor da Associação dos Criadores de Mato Grosso – ACRIMAT

 

Fonte: Ascom/Acrimat



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