Tecnologia e Manejo

12/05

Praga de pastagem identificada em Santa catarina chega a outros Estados

Praga de pastagem identificada em Santa catarina chega a outros Estados

 

A mosca-da-grama-bermuda, Atherigona reversura Villeneuve, 1936 (Diptera: Muscidae), detectada pela primeira vez no Brasil por uma equipe de pesquisadores liderados pelo entomologista da Epagri Leandro do Prado Ribeiro, chegou ao Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em abril de 2015 aconteceu o primeiro relato do inseto na América do Sul, quando foi encontrado em Abelardo Luz, Chapecó, Palmitos e Videira, nas regiões Oeste e Meio-Oeste de Santa Catarina. A espécie-praga exótica invasora ataca pastagens, provocando sérios prejuízos aos pecuaristas.

 

“Produtores de leite, feno e pré-secado de diferentes municípios do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul têm relatado recentemente a ocorrência da praga em suas propriedades”, explica Leandro. Forragicultores desses Estados observaram intensivos danos em pastagens formadas pelas cultivares de grama-bermuda Tifton 85, Tifton 68, Capim Vaqueiro, Jiggs e Coast Cross. “Isso amplia a dispersão da mosca-grama-bermuda no Brasil e sua associação hospedeira”, explica o pesquisador, acrescentando que em Santa Catarina os ataques aconteceram incialmente no cultivar Jiggs.

 

Além do Brasil, a ocorrência da mosca-da-grama-bermuda também foi notificada, recentemente, em três províncias da Argentina (Buenos Aires, Chaco e Santa Fe). Embora a percentagem de perfilhos danificados seja variável de acordo com o cultivar, o ataque dessa praga tem causado reduções de até 60% na produtividade de cultivares suscetíveis de gramas-bermuda no sudeste dos Estados Unidos, onde foi introduzida em 2010.

 

A mosca-da-grama-da-bermuda coloca seus ovos nas plantas e, quando eles eclodem, as larvas se alimentam dos perfilhos (brotações) da pastagem. “A morte das folhas apicais de perfilhos infestados é decorrente do dano no tecido vascular, que conduz a uma redução significativa no crescimento das plantas, diminuindo a produção de biomassa de forragem em áreas já estabelecidas e dificultando o estabelecimento de novas áreas com espécies vegetais hospedeiras do inseto-praga”, descreve o pesquisador da Epagri.

 

Segundo Leandro, para monitorar a mosca-da-grama-bermuda é preciso estar atento à ocorrência de perfilhos danificados que contenham em seu interior larvas ou vestígios de sua alimentação. Já a captura de adultos pode ser realizada com rede de varredura, por meio de movimentos pendulares rentes ao chão. “Por se tratar de uma espécie exótica para o Brasil, os métodos de controle ainda não foram estabelecidos. Além disso, até o momento não foi realizado o registro emergencial de inseticidas para supressão ou manejo de da praga”, alerta o entomologista.

 

Os cultivares de pastagem atacados pela mosca-da-grama-bermuda são amplamente utilizados em todas as regiões de Santa Catarina por conta de sua produtividade e adaptação às condições de clima e solo do Estado. Estima-se que cultivares de grama-bermuda sejam utilizados em pelo menos 70% das propriedades produtoras de leite do Estado.

 

Informações e entrevistas 

 

Leandro do Prado Ribeiro, pesquisador da área de entomologia da Epagri/Cepaf: (49) 2049-7563 / leandroribeiro@epagri.sc.gov.br .

 

Legendas e créditos

 

Nas duas fotos se vê o ataque da mosca-da-grama-bermuda em pastagens no município de Tietê, SP. Foto: J.L. Souza.

 

Informações para a imprensa

Gisele Dias, jornalista: (48) 99989-2992/3665-5147
Cinthia Andruchak Freitas, jornalista: (48) 3665-5344



Publicidade