Tecnologia e Manejo

08/02

Embrapa Gado de Leite lança variedade de capim-elefante BRS Capiaçu

Embrapa Gado de Leite lança variedade de capim-elefante BRS Capiaçu

 

De acordo com o pesquisador Antônio Vander Pereira, a BRS Capiaçu vem para suprir uma lacuna nas fazendas de produção de leite. “A Embrapa tem feito um esforço grande para desenvolver materiais que vão de encontro às necessidades do produtor. Há 10 anos lançamos o capim Kurumi, que é uma variedade de porte baixo, para pastejo, mas faltava resolver a questão da silagem”, diz.

 

Pereira lembra que, apesar de serem altamente eficientes, as forrageiras tropicais não dão conta de alimentar os rebanhos durante o inverno, obrigando o produtor a buscar alternativas. Entre elas, a produção de silagem e picado verde para consumo no cocho.

 

Benefício financeiro -  “Hoje o custo da silagem de milho está ficando antieconômico em função do baixo preço pago pelo leite ao produtor. Então, uma forma de tentar equilibrar essa balança é gastando menos na produção de alimento”, afirma Pereira.

 

Estudos feitos na Embrapa mostraram que a silagem de Capiaçu tem custo até três vezes menor do que o da silagem de milho. A estimativa, segundo o pesquisador Mirton Morenz, é de que fique entre R$ 120 e R$ 130 a tonelada de matéria seca. Com relação às demais variedades de capim-elefante, como a Cameroon e a Mineiro, Morenz ressalta que esse custo pode chegar a R$ 180 ou R$ 200 por tonelada. Considerando que a Cameroon produz em torno de 30 toneladas de matéria seca por hectare/ano, a Capiaçu ainda teria a vantagem de produzir o dobro de biomassa anualmente.

 

Valor nutricional - A silagem do Capiaçu tem ainda teor de proteína próximo ao da silagem de milho, que chega a 7%. Quando o capim é cortado aos 50 dias, o nível fica em torno de 10%; e vai caindo à medida que o estágio de maturação da planta aumenta. “Com o corte aos 90 dias, o teor é de aproximadamente 6%. Já no processo de ensilagem fica um pouco acima de 5%”, afirma Morenz.

 

Para atender à demanda proteica e energética do rebanho, tanto a silagem de milho quanto a de BRS Capiaçu, requerem suplementação concentrada. Comparando as duas silagens, a de milho requer menor quantidade. “É preciso fornecer um pouco mais de concentrado para os animais que forem consumir a silagem de Capiaçu”, esclarece Morenz.

 

Ainda que essa necessidade encareça a dieta, ele garante que o custo final é vantajoso, dada a diferença de preço para produção das silagens. “É claro que você deixa de gastar menos por animal/ dia conforme esse animal aumenta a produção e a exigência dele passa a ser maior”, completa o pesquisador. Embora não haja restrição para uso com diferentes categorias animais, o potencial da BRS Capiaçu é maior para alimentação de novilhas e vacas cuja produção não exceda os 25 kg de leite/ dia. Daí em diante, Mirton recomenda que se faça um mix da silagem de Capiaçu e de milho para obter melhor custo-benefício.

 

A vantagem em relação às demais forrageiras do mesmo tipo, no que tange à produção de silagem, é que a BRS Capiaçu preserva um bom valor nutritivo até a época do corte. “Os outros capins não eram muito usados para fazer silagem porque quando eles estavam com boa qualidade tinham muita umidade, então a fermentação não era eficiente. Já quando estavam com o teor de umidade baixo, bom para fazer silagem, tinham perdido seu valor nutritivo e eram só fibra”, explica Pereira. O valor nutricional do novo capim-elefante também é superior ao da silagem de cana-de-açúcar.

 

Perenidade -  Outra vantagem do Capiaçu em relação à silagem de milho é que não requer o plantio continuado. “Uma capineira bem manejada vai durar, no mínimo, 10 anos. Fora a possibilidade de reforma”, afirma Pereira. O número de colheitas anuais, por sua vez, gira em torno de três a cinco.

 

Tolerância à seca - A variedade está registrada para uso no bioma Mata Atlântica. Em testes no Cerrado, Morenz conta que ela apresentou desempenho inferior à cultivar Canarás – que não tem avaliação para produção de silagem, mas é uma variedade própria para o Cerrado usada na produção de picado verde. “Isso não quer dizer que a Capiaçu não esteja adaptada ao clima tropical, pelo contrário”, afirma Morenz.

 

Pereira acrescenta que, diferente do milho, que tem grandes chances de frustração de safra mediante a ocorrência de veranicos ou secas prolongadas, a BRS Capiaçu reage bem a essas situações. “Na falta de chuvas ou irrigação, o milho completa seu ciclo sem produzir ou seca. Já o Capiaçu prossegue com a produção de matéria seca assim que melhora a condição de umidade”, explica o pesquisador.

 

Colheita mecanizada - Com colmos eretos, a cultivar Capiaçu também é bastante resistente ao tombamento, o que permite fazer sua colheita de forma mecanizada. “É diferente do capim Mineiro, por exemplo, que com uma ventania, tomba”, diz Pereira. A característica permite entrar mais facilmente na área de plantio com colheitadeiras e picadeiras.

 

A previsão da equipe de transferência de tecnologia da Embrapa Gado de Leite é de que mudas da BRS Capiaçu estejam disponíveis para comercialização a partir de meados de 2017.

 

Portal DBO 



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