Tecnologia e Manejo

14/06

Mapa da agricultura orgânica mostra oportunidades e gargalos

Mapa da agricultura orgânica mostra oportunidades e gargalos

 

A distribuição brasileira de orgânicos não é mais localizada e a produção já está espalhada no Brasil inteiro, o que mostra o alcance destes produtos para um número maior de pessoas. A afirmação é de Rogério Dias, coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que apresentou o mapa da agricultura orgânica, durante palestra realizada no dia 8 de junho, no 12º Fórum Internacional de Agricultura.

 

O encontro ocorreu durante a Bio Brazil Fair/Biofach America Latina 2016 – a 12ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia –, evento que termina no próximo dia 11 de junho (sábado), no Pavilhão da Bienal, na capital de São Paulo. Simultaneamente à feira, também está ocorrendo a Naturaltech 2016 – 12ª Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde, único evento brasileiro de negócios voltado ao segmento de produtos naturais.

 

Entre várias instituições e representantes do setor agroecológico, a Sociedade Nacional de Agricultura marca sua presença durante a Bio Brazil Fair, com a participação da coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos, Sylvia Wachsner, instituição mantida pela SNA. No evento, ela está divulgando o Guia do Consumidor Orgânico e o Guia do Produtor Orgânico, manuais para técnicos e produtores de tomate orgânico, assim como folhetos que explicam o que é a produção orgânica e como certificar os produtos.

 

CENÁRIO

 

Para o coordenador de Agroecologia do Mapa, Rogério Dias, vários fatores tornaram os orgânicos mais acessíveis à população: o consumo não está mais restrito às capitais – atualmente, estes produtos são encontrados nas cidades do interior – e também cresceu e muito sua introdução na alimentação escolar. Ele ainda apresentou, durante sua palestra, a distribuição de orgânicos por organismos de controle e também mencionou alguns gargalos do setor, a partir de um estudo produzido pelo Ministério da Agricultura.

 

“Precisamos capacitar mais técnicos. Temos o problema dos insumos, que continua sendo um desafio para o setor. E é necessário disseminar o conhecimento sobre os orgânicos, para desmistificar a questão de preço, afinal, o consumidor precisa entender que o custo de produção é mais caro que o produto convencional”, disse.

 

Instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, criada pelo Decreto nº 7.794, de 20 de agosto de 2012, o primeiro Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), realizado de outubro de 2013 a dezembro de 2015, foi executado por dez ministérios e quatro outras entidades do governo federal . Em maio deste ano, foi lançado o Planapo 2016-2019. “A inclusão da pauta orgânica no Plano Plurianual deve dar maior visibilidade ao setor”, analisou Dias.

 

ESTUDO

 

Segundo o estudo do Mapa, atualmente, 578 entidades participam das Comissões da Produção Orgânica nas Unidades da Federação (CPOrg’s). O número de unidades de produção sob o controle oficial está em expansão e, de acordo com o cadastro nacional do Ministério da Agricultura, totalizam 14.449. Ao todo, o setor conta com 138 núcleos de estudo apoiados em agroecologia e produção orgânica, mais de 790 ações de extensão, mais de 1.700 produções técnicas, sendo que a participação de agricultores nas capacitações superam  de 47.000.

 

De acordo com o mapa do setor, os principais eixos da promoção do desenvolvimento da agroecologia e produção orgânica são: construção e socialização do conhecimento em princípios e práticas da agroecologia e da produção orgânica, disponibilização de tecnologias e insumos apropriados à transição agroecológica e à produção, promoção e valorização, além de universalização do acesso aos produtos orgânicos.

 

TECNOLOGIAS

 

De acordo com Dias, tem aumentado a disponibilização de tecnologias e insumos apropriados à transição agroecológica e à produção orgânica. Em relação aos produtos fitossanitários com uso aprovado para a agricultura, o setor há 170 especificações de referência em análise, 27 especificações de referência publicadas, 56 produtos comerciais registrados e 36 pleitos de registro em análise.

 

“Em 2016, foram registrados mais 5 produtos biológicos pela via dos orgânicos e tem mais 33 com pedido de registro em avaliação. Pela via convencional foram registrados 41 produtos biológicos em 31 anos (1984-2015), enquanto que pela via da agricultura orgânica tivemos o registro de 49 produtos comerciais no período de 5 anos (2010-2015)”, disse Dias.

 

CAMPANHA

 

O lançamento da Campanha Anual de Promoção dos Produtos Orgânicos 2016, realizado na semana de 28 de maio à 5 de junho, envolveu 25 Estados e  438 eventos.

 

“O tema da campanha deste ano está ligado à inclusão de produtos orgânicos nas compras governamentais; ao pagamento de até 30% a mais por esses produtos; à inclusão dos orgânicos na alimentação escolar – PNAE, nas compras do PAA e nas compras institucionais”, ressaltou Dias.

 

CAMINHO

 

Na última apresentação do 12º Fórum Internacional de Agricultura, durante a Bio Brazil Fair/Biofach America Latina 2016, o diretor superintendente da Korin Agropecuária, Reginaldo Morikawa, destacou o caminho que a empresa percorreu até o lançamento da carne bovina orgânica, proveniente de novilhos (machos) criados no pantanal sul-mato-grossense.

 

Diretor superintendente da Korin Agropecuária, Reginaldo Morikawa destaca o caminho que a empresa percorreu até o lançamento da carne bovina orgânica, proveniente de novilhos criados no pantanal sul-mato-grossense. Foto: Comodo/Agência Riguardare

 

“Assim como a carne sustentável da marca, primeiro passo dado pela empresa até chegar ao método orgânico de produção, o rebanho é criado sem o uso de antibióticos, hormônios, quimioterápicos e a adição de acréscimo de ureia; porém, no caso dos novilhos da linha orgânica, além das pastagens nativas certificadas como orgânica, a alimentação inclui ração composta por grãos orgânicos nos últimos quatro meses”, detalhou.

 

“Nossos bovinos consomem mais de 500 espécies de capins nativos do pantanal, que conferem maior nível de Ômega 3 à carne. Além disso, a carne bovina produzida na região traz benefícios à saúde, ao meio ambiente e às tradições da cultura do homem pantaneiro, presente na agropecuária há mais de 250 anos em convívio harmonioso com a natureza”, ressaltou Morykawa acrescentando que a convivência com animais nativos da região remete o produto aos sabores de carnes de caça.

 

PRESENÇA DA SNA

 

Mais uma vez, a Sociedade Nacional de Agricultura marca presença com estande na Bio Brazil Fair, onde está divulgando o Guia do Consumidor Orgânico e o Guia do Produtor Orgânico, manuais para técnicos e produtores de tomate orgânico, assim como folhetos que explicam que é a produção orgânica e como certificar os produtos.

 

“Nossa equipe está disponível para prestar assessoria aos empreendedores que desejam investir na produção orgânica ou consumidores que desejam saber como reconhecer os alimentos orgânicos”, afirma a coordenadora Sylvia Wachsner, do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos/SNA).

 

“Além de explicar o objetivo da nossa Campanha de Valorização da Produção Orgânica, estamos distribuindo a revista A Lavoura, a mais antiga do Brasil, publicada desde 1897, e a sua ‘irmã mais nova’, a revista Animal Business, ambas publicadas pela SNA”, destaca Sylvia.

 

No estande da SNA, também está presente a Coopernatural, cooperativa de agricultores familiares do Estado de Rio Grande do Sul, que produz sucos e geleias orgânicas e que este ano está lançando a primeira cerveja orgânica do Brasil, a SteinHaus.

 

CATÁLOGO NACIONAL

 

Durante a BioBrazil Fair, foi lançada a sexta edição do Catálogo Nacional de Produtos Orgânicos, Naturais e Sustentáveis, com dados atualizados e novos produtores, processadores e indústrias. O conteúdo editorial foi baseado em dados e estudos dos principais institutos de pesquisas nacionais e internacionais, como AC Nielsen – Ibope, Kantar Wordpanel, Euromonitor, além de importantes associações do setor varejista, entre as quais  a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) e Associação Brasileira de Hospedagem Gastronomia e Turismo (Abresi).

 

Pesquisas publicadas no catálogo indicam que as vendas de produtos alimentares ligados à saúde e ao bem-estar devem crescer 34,5% no Brasil, atingindo US$ 36,92 bilhões em cinco anos. No ano passado, o faturamento desse setor alcançou US$ 27,46 bilhões, ante US$ 14,25 bilhões de 2010.

 

Os números são do estudo Health and Wellness, realizado pela Euromonitor International. Ele mostra ainda que, em 2015, esses produtos movimentaram US$ 726,59 bilhões no varejo mundial, expansão de 35,7% ante 2010. A expectativa é de alta de 21,14% até 2020 nas vendas globais.

 

A produção e a penetração de produtos orgânicos na cadeia varejista do Brasil também devem continuar avançando no mesmo ritmo acelerado observado nos últimos anos. Segundo o mesmo estudo da Euromonitor, as receitas do setor cresceram 172,7% em cinco anos e totalizaram US$ 79,2 milhões em 2015.

 

“Apesar da crise econômica, à demanda por alimentos e bebidas com apelo saudável continua em alta, conforme mostramos nesta edição 2016 do catálogo. Atentos a essa tendência, produtores e processadores vêm ampliando o portfólio de produtos e a distribuição de orgânicos, fazendo-os chegar a vários pontos de venda e também a restaurantes, hotéis e padarias”, comenta Miguel Ferrari Stella, sócio-fundador da Ferrari Stella Comunicação, idealizadora da publicação.

 

Por equipe SNA/SP



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