Tecnologia e Manejo

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Software auxilia produtores de pupunha para palmito na gestão de propriedades rurais

Software auxilia produtores de pupunha para palmito na gestão de propriedades rurais

 

Produtores de pupunha para palmito têm agora disponível um software para gerenciar sua propriedade rural. O Planin Pupunha é um sistema que realiza a análise econômica da produção e auxilia na gestão do plantio em função dos custos de produção, taxas de juros e preço do palmito no mercado consumidor. Desenvolvido por pesquisadores e analistas da Embrapa Florestas (PR), o sistema também permite o registro e o acompanhamento dos custos operacionais de implantação, manutenção e colheita da pupunha.

De acordo com o analista Joel Penteado Júnior, da Embrapa Florestas, “para planejar e gerenciar um estabelecimento agrícola, é necessário utilizar algumas técnicas e metodologias de administração que estimulam a reflexão sobre como estão sendo conduzidos os trabalhos e como as ações devem ser executadas”. Com essa premissa, o Planin Pupunha possibilita ao produtor rural simular diversos cenários de manejo do seu plantio, personalizando cada caso. Além de saber o volume de entradas e saídas financeiras, é importante que o produtor compreenda quais os itens que geram impacto na rentabilidade da atividade. “Por isso, o sistema analisa o impacto de custos de operações necessárias ao cultivo de pupunha, como aração, gradagem, adubação, mão de obra, roçadas, colheita a cada período do cultivo”, explica Penteado Júnior. “Entender como esses custos influenciam a rentabilidade é fundamental para o sucesso do empreendimento”, alerta.

De acordo com seus desenvolvedores, o sistema visa cobrir uma lacuna. A pesquisa e extensão criaram e transferiram técnicas para o estabelecimento da cultura, mas ainda era necessário ajudar o produtor a gerenciar sua propriedade. “Todo produtor rural, por mais simples que seja, no momento da decisão do que plantar, sempre faz uma análise dos benefícios que aquela determinada cultura pode trazer a ele, como retorno ambiental, social, econômico, mercado e mão de obra disponível, quer familiar, quer contratada”, conta Sebastião Bellettini, extensionista da Emater/PR. Por isso, para ele, essas ferramentas de gestão são de grande valia, e o sucesso da propriedade depende delas para uma análise durante a tomada da decisão.

O alto custo de implantação do cultivo de pupunha para palmito e o fato de ser um sistema de produção voltado à agricultura familiar serviram de motivadores para a criação do software. A implantação de um hectare de pupunha para palmito custa em torno de R$ 11 mil. “Por isso”, explica Bellettini, “os produtores precisam fazer esse tipo de análise. Além do custo e do tempo de retorno do investimento, é uma cultura permanente que vai ficar implantada na propriedade por muitos anos.”

O Planin Pupunha foi baseado nos casos de sucesso dos softwares Planin desenvolvidos por pesquisadores da Embrapa Florestas para pínus, eucalipto e outras espécies florestais. “Os itens que compõem o custo de produção são próprios para cultivos de pupunha, e o sistema está estruturado para cobrir todos os segmentos de custos operacionais das atividades de implantação, manutenção e colheita. O software possibilita o cálculo dos parâmetros de análise econômica mais utilizados no agronegócio”, explica o pesquisador Edilson Batista de Oliveira, da Embrapa Florestas.

O sistema de produção

sucesso da introdução do cultivo de pupunha para palmito por agricultores familiares na Mata Atlântica foi reconhecido como boa prática pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e também faz parte do banco de tecnologias sociais da Fundação Banco do Brasil. Este tipo de cultivo ajuda a preservar a Mata Atlântica, uma vez que oferece a opção de plantio e colheita de palmito de forma regular e mais organizada. “Antes, a produção de palmito era baseada no extrativismo da juçara”, explica Álvaro Figueiredo dos Santos, pesquisador da Embrapa Florestas. “A juçara, ao ser colhida, não rebrota. Ou seja, a árvore morre, por isso está em extinção. Já a pupunha, além de levar menos tempo para produzir, rebrota e possibilita colheitas da mesma árvore por cerca de 20 anos,” compara.

O trabalho de pesquisa com pupunha envolveu a adaptação da espécie às regiões litorâneas da Mata Atlântica, definição de espaçamento, adubação, controle de doenças, colheita, tratos silviculturais e outros. “Hoje, temos informações e orientações sobre todo o sistema de produção e uma ampla aceitação por parte dos agricultores familiares, que viram na pupunha uma forma de geração de renda com preservação ambiental”, comemora o pesquisador. Só no Paraná, por exemplo, são 8,5 milhões de plantas, cultivadas em uma área de 1,65 mil hectares, envolvendo aproximadamente 650 famílias. O plantio é feito em cinco municípios do litoral paranaense: Morretes, Antonina, Guaraqueçaba, Paranaguá e Guaratuba.

Do Norte para o Sul e Sudeste

Resultado de mais de 15 anos de pesquisas nas regiões leste dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e sul da Bahia, a introdução do cultivo de pupunha para produção de palmito transformou a realidade de milhares de agricultores familiares nessas regiões. Nativa da Amazônia, onde é utilizada na produção de frutos, a pupunha encontrou espaço para produção de palmito na Mata Atlântica, bioma no qual foi introduzida por meio de plantios organizados em áreas abandonadas pela agricultura. No Paraná, por exemplo, o valor bruto da produção saltou de R$ 480 mil em 2000 para R$ 19,5 milhões em 2016.

 

Katia Pichelli (MTb 3594/PR) 
Embrapa Florestas 
 
Telefone: (41) 3675-5638 / (41) 3675-3545 (Paula Saiz)

 

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/



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