Tecnologia e Manejo

06/02

Ensaios de validação do uso de inoculantes de Azospirillum na cultura do milho

Ensaios de validação do uso de inoculantes de Azospirillum na cultura do milho

 

Ao menos três fazendas em Mato Grosso, mais o campo experimental da Embrapa Agrossilvipastoril, receberão nesta safra ensaios de validação do uso de inoculantes de Azospirillum na cultura do milho. O trabalho conduzido em parceria com a Aprosoja visa confirmar a possibilidade de redução da adubação nitrogenada sem prejuízo para a produtividade.

Os ensaios serão montados em fazendas em Santa Carmem, Ipiranga do Norte e Brasnorte, além de Sinop, onde está o centro de pesquisa da Embrapa.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Anderson Ferreira, o objetivo do trabalho feito nas fazendas é validar em escala comercial os resultados obtidos em experimentos realizados em Sinop. No trabalho feito até aqui, percebeu-se que com a inoculação da bactéria Azospirillum nas sementes é possível reduzir em até 25% a dose da adubação nitrogenada, sem haver perdas na produção. Com isso, além da redução dos custos, é possível diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa, como o óxido nitroso, por exemplo.

“Se o produtor usa 200 kg de ureia por hectare, gasta cerca de R$ 300. Ao reduzir 25%, ele economiza R$ 75 enquanto gasta somente de R$ 7 a R$ 10 com inoculante por hectare. Isso sem contar economia com transporte, armazenagem e aplicação”, destaca Anderson Ferreira.

Assim como Rhizobium na cultura da soja, a bactéria Azospirillum é capaz de captar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em nitrogênio assimilável pelas plantas, num processo natural chamado de fixação biológica de nitrogênio (FBN). Diferentemente da cultura da soja, que é uma leguminosa, na qual é possível suprimir totalmente a adubação nitrogenada, nas gramíneas a associação feita não gera nutriente suficiente para a planta.  

O pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril explica que nas pesquisas feitas, percebeu-se que o efeito de fixação biológica de nitrogênio pelo Azospirillum é menor quando são usadas altas dosagens de adubação. Na medida em que se reduz essa disponibilidade de nutriente, percebe-se maior efeito da inoculação. Porém há um limite nessa redução para que não haja perda de produtividade.

“Se há grande disponibilidade de nitrogênio, a planta não vai querer se associar com a bactéria e ceder parte de sua energia a ela. Agora, com menos nitrogênio no solo, a associação entre planta e bactéria se intensifica, gerando o maior benefício”, explica Ferreira.

Para validar as informações, em cada uma das fazendas serão comparados talhões com e sem uso de inoculantes, com 100% , 75% e 0% da adubação nitrogenada recomendada.

Nesta fase da pesquisa, a validação nas fazendas será feita durante dois anos. A expectativa é que na safra 2018/2019 o trabalho também seja feito nas regiões leste e sul de Mato Grosso, de forma a contemplar as principais regiões produtoras do estado. Ao fim do trabalho, espera-se ter elementos suficientes para poder recomendar aos produtores de milho.

Crescimento de raiz

Além da fixação biológica da nitrogênio, o Azospirillum traz outro importante benefício às plantas. Pesquisas realizadas pela Embrapa mostraram que essa bactéria estimula a produção de hormônios de crescimento, sobretudo de raiz. Com maior volume de raiz, as plantas têm melhor capacidade de absorção de nutrientes, resistindo melhor a veranicos e outras adversidades.

 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP) 
Embrapa Agrossilvipastoril 
 
Telefone: 66 3211-4227

 

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/



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