Tecnologia e Manejo

26/05

Pesquisa inédita do IAC quantifica impacto do HLB na qualidade de sementes de porta-enxertos de citros

Pesquisa inédita do IAC quantifica impacto do HLB na qualidade de sementes de porta-enxertos de citros

 
Os danos causados pelo huanglongbing (HLB), a principal doença da citricultura mundial, são bastante conhecidos. Agora, pesquisa inédita desenvolvida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, vem trazer resultados sobre os impactos do HLB sobre as sementes dos porta-enxertos de citros, parte da planta que fica sob o solo, onde é feita a instalação da planta que origina a copa. Os estudos concluíram que o HLB impacta negativamente a produção de sementes dos dois principais porta-enxertos — o limão-cravo e o citrumelo Swingle — adotados na citricultura paulista. Juntos eles representam mais de 80% dos porta-enxertos dos pomares no Estado de São Paulo. “Não há transmissão de HLB por sementes, mas a doença tem impactos negativos na qualidade delas”, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico, Fernando Alves de Azevedo.
 
Este será um dos temas tratados na 37ª Semana de Citricultura, 46º Dia do Citricultor e 41ª Expocitros, que serão realizados de 25 a 28 de maio de 2015, no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, em Cordeirópolis, interior paulista.
 
Os resultados dessa pesquisa conduzida no IAC mostram perdas de 38% no peso total do fruto produzido por plantas contaminadas pelo HLB. O fruto sadio pesa 166 gramas, em média, já o doente chega a 115 gramas. A altura do fruto cai de 6,8 cm para 6,0 cm nos frutos contaminados. Esse conjunto de características torna os frutos imprestáveis para o comércio citrícola.
“Os resultados mostraram que os frutos de plantas com HLBapresentaram menor desenvolvimento em altura, diâmetro e massa devido ao entupimento dos vasos do floema pela bactéria causadora do HLB, reduzindo, dessa forma, o fluxo de seiva para os frutos”, explica Azevedo, que trabalha em parceria com a mestranda Marília Morelli e o pesquisador Helvécio Della Coletta Filho, também do IAC.
 
De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico, os dois porta-enxertos sentem esses impactos negativos provocados pela doença. Porém, no citrumelo Swingle o HLB também faz dobrar o número de sementes inviáveis para uso. Enquanto plantas sadias abortam quatro sementes, as doentes perdem 7,75. O porta-enxerto de limão-cravo não apresenta queda na germinação.
 
Azevedo explica que a semente melhor formada perde menor volume de água para o ambiente, o que a torna mais vigorosa e mais resistente à entrada de patógenos. “A utilização de sementes de elevada qualidade é de extrema importância para o sucesso de uma cultura, pois estas geram plantas de alto vigor, que terão bom desempenho no campo com condições de tolerar situações de estresse biótico e abiótico”, acrescenta o pesquisador do IAC, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).
 
No Brasil, somente o Instituto Agronômico desenvolve este trabalho. No exterior há estudos sobre porta-enxertos, mas lá fora são adotados outros materiais. O limão-cravo, o mais usado nos pomares brasileiros, não é utilizado em nenhum outro país.
A pesquisa, desenvolvida no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, em Cordeirópolis, interior paulista, teve início em 2013 e está em continuidade. Etapas futuras devem envolver investigação sobre a transmissão da doença via sementes. Os estudos contam com recursos do Governo de São Paulo, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG).
 
Plantas assintomáticas são mais preocupantes
 
Uma constatação preocupante é a existência de plantas portadoras da bactéria do gênero Candidatus Liberibacter spp., porém sem sintomas de HLB. A presença da bactéria foi constatada por meio de análises moleculares, feitas pelos pesquisadores do Instituto Agronômico. A possibilidade da ausência de sintomas já é conhecida no meio científico. Sabe-se também que as perdas de qualidade são menores nas plantas assintomáticas. O principal problema na ausência de características da doença, segundo Azevedo, é o risco de haver produção de sementes a partir de plantas doentes, acarretando perda de qualidade nas mesmas.
Os sintomas mais frequentes no campo são ramos amarelados, frutos assimétricos, queda acentuada de frutos e produtos que não servem para o comércio. A bactéria causadora é transmitida por psilídeos ou enxertia com borbulhas doentes. Não existe ainda nenhum material resistente ao HLB.
 
Como são instalados os pomares
 
Os pomares comerciais são instalados da seguinte forma: a reprodução do porta-enxerto — parte da planta que fica sob o solo
 
— é feita por meio de sementes. A multiplicação da copa, parte alta da planta, se dá por meio de borbulhas.
As borbulhas são reproduzidas em ambiente protegido para evitar a contaminação pela bactéria causadora do HLB. Até o momento, não existe registro de contágio de sementes pelo agente causal da doença. Por isso, a legislação permite a multiplicação de sementes a partir de plantas matrizes instaladas em campo aberto.
 
Confira outros temas que serão abordados durante a Semana
 
Borbulhas de laranja de polpa vermelha já estão disponíveis para aquisição
Se o pedido é um suco, o sabor quase sempre é laranja. Rica em vitamina C é figura carimbada em todo cardápio balanceado. A novidade agora são as variedades de laranja que possuem polpa com coloração vermelha, devido à presença do carotenoide chamado licopeno, o mesmo presente nos tomates – um dos mais potentes agentes antioxidantes naturais. As pesquisas com laranja vermelha, realizadas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, serão apresentadas durante a 37ª Semana da Citricultura, de 25 a 28 de maio de 2015, no Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis, interior paulista.
 
O material do Instituto Agronômico está registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Os interessados podem adquirir borbulhas no Centro de Citricultura do IAC. Um produtor de Mogi-Guaçu está cultivando cinco hectares com o material desde 2013. “Por enquanto temos experimentos somente em São Paulo, mas se houver interesse do público, é possível levar a variedade para outros Estados”, afirma Rodrigo Rocha Latado, pesquisador do IAC.
 
A laranja Sanguínea de Mombuca compõe o grupo das laranjas de polpa vermelha, com coloração intensa devido à presença do licopeno e de maiores teores de betacaroteno. “A variedade apresenta de 275% a 675% mais licopeno que a laranja pera, que tem 0,1 mg deste carotenoide por litro de suco”, explica Latado.
 
Estudos feitos no exterior identificaram que o licopeno, abundante na Sanguínea de Mombuca, pode ajudar na prevenção do câncer devido à capacidade do carotenoide de proteger moléculas, incluindo o DNA, da ação de radicais livres.
 
Segundo Latado, quanto mais intensa a coloração do suco, maior valor é agregado à fruta e ao suco. “O custo de produção é o mesmo, assim como a receita, mas o consumidor prefere o suco de cor intensa. É possível agregar valor à produção das laranjas e de suco produzido no Brasil com o uso de laranjas de polpa vermelha”, diz o pesquisador, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os produtores podem vender a produção para indústria de sucos, para suco não concentrado e congelado.
 
O produtor que optar pelo cultivo da laranja Sanguínea de Mombuca não terá qualquer investimento adicional nas lavouras. A variedade é precoce e tão produtiva quanto às laranjas chamadas claras, como a pera. As técnicas de manejo usadas são as mesmas. Além disso, o fruto é doce, apresenta boa qualidade para o mercado consumidor e pode ser cultivado em qualquer região paulista. “Se plantadas em regiões mais quentes, como no norte do Estado, os frutos apresentarão coloração mais forte, porém, essas regiões apresentam problemas, como a estiagem mais prolongada e, atualmente, maior ocorrência de doenças que podem prejudicar a produtividade”, explica o pesquisador.
 
O Banco Ativo de Germoplasma de citros do IAC, o BAG, conta com mais duas variedades de laranja de polpa vermelha ricas em licopeno e em betacaroteno: A Valência “Puka” e a Baía “Cara-cara”. Iniciativas como o melhoramento genético dessas variedades promovido pelo IAC podem abrir novas portas para o setor citrícola. Atualmente, o Brasil é o maior exportador de laranjas do mundo, representando mais de 80% das frutas comercializadas. O Estado de São Paulo é o campeão de produção do País, sendo responsável por 80% da produção nacional, seguido da Bahia, com 4%, e de Minas Gerias, com 3%.
 

Estresses nutricionais em plantas cítricas

 

Durante a 37ª Semana da Citricultura, o pesquisador do IAC, Fernando Zambrosi, irá ministrar a palestra “Estresses nutricionais em plantas cítricas”, em que vai abordar os principais estresses nutricionais nos pomares cítricos, como a deficiência de nitrogênio e fósforo, toxidade e deficiência de boro, toxidade e manganês e toxidade de cobre.

           
De acordo com Zambrosi, os estresses nutricionais limitam a produtividade agrícola em solos tropicais e são caracterizados pelo suprimento dos nutrientes em quantidade inadequada à demanda das plantas ou pela presença de elementos tóxicos no solo. “A caracterização e melhor entendimento da maneira pela qual os estresses nutricionais influenciam o crescimento e a produtividade dos citros é fundamental para o manejo mais equilibrado e aumento da sustentabilidade na atividade agrícola”, explica o pesquisador do IAC.
 
Equilíbrio na nutrição dos citros
 
As plantas de citros possuem demanda elevada de magnésio e potássio, elementos de grande importância para a produção e qualidade dos citros. Durante a 34ª Semana da Citricultura, o pesquisador do IAC, Rodrigo Boaretto, irá proferir palestra “Interação entre potássio e magnésio na nutrição de citros” sobre estudo realizado no Instituto que avaliou o equilíbrio dos dois elementos. No trabalho foi analisando a eficácia agronômica de fonte de potássio na produtividade da laranjeira e a importância do balanço no programa nutricional de citros, focando a contribuição do magnésio solúvel no equilibro da nutrição da planta cítrica.
 
A interação entre potássio e magnésio influenciou em parâmetros de qualidade dos frutos. Os pesquisadores observaram relação linear entre as doses de sulfato duplo e o brix, ou doçura, do suco. “Quanto maior o teor de magnésio nas folhas, maior o teor de sódios solúveis no suco”, afirma Boaretto. Os maiores tamanhos de frutos, porém, foram encontradas em doses semelhantes às de máxima produtividade. Também foi verificado que o aumento na disponibilidade de potássio no solo diminuiu o rendimento de suco, o que ocorreu, principalmente, nos tratamentos que receberam as menores doses do sulfato duplo.
 
“O resultado dessa pesquisa demonstra que o sulfato duplo pode ser uma fonte de fertilizante interessante para a citricultura, entretanto, a atenção deve ser dada para a relação entre a qualidade de potássio e magnésio que serão aplicadas”, explica o pesquisador do IAC.
 
Dez anos após a introdução de bactéria associada ao HLB dos citros
 
O potencial evolucionário das bactérias é enorme, devido às inúmeras capacidades metabólicas, estilos de vida, nichos ecológicos e especificidade a hospedeiros. A bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus (Las), causadora do HLB, é a espécie mais prevalente associada ao HLB dos citros. Desde o primeiro relato da presença da espécie no Brasil, em 2004, e consequentemente do HLB, pouco se conhece sobre a diversidade genética dessa bactéria. Durante a 34ª Semana da Citricultura, o pesquisador do IAC, Helvécio Della Coletta-Filho, vai proferir a palestra “Candidatus Liberibacter asiaticus: um retrato após 10 anos de uma única introdução”.
 
Estudos em desenvolvimento no Centro de Citricultura do IAC têm mostrado que populações de Las analisadas em todas as regiões geográficas do Estado de São Paulo têm apresentado moderada diversidade genética e estão espalhadas ao longo das regiões citrícolas. “As populações de estirpes de Las presentes nos cítricos da região Sul não mostraram diferenciação genética entre as existentes na região Norte ou qualquer outra parte do Estado, assim como as de ocorrência em Minas Gerias”, diz Coletta-Filho. Por outro lado, populações de estirpes amostradas no Paraná foram diferentes das amostradas em algumas regiões paulistas. “Isto pode indicar introduções diferentes da bactéria no Paraná ou condições ambientais especificas que podem modelar a diversidade do patógeno”, afirma o pesquisador do IAC.
 
As populações de Las amostradas de diferentes espécies cítricas em co-cultivo em um mesmo local foram significativamente diferentes das amostradas de monocultivos de laranja doce, por exemplo. “Isto implica que a diversidade do patógeno parece estar sendo modulada pelo genótipo do hospedeiro, sendo esta uma característica em que, no processo de interação planta-patógeno, o patógeno tem potencial para rápida adaptação e quebra de resistência imposta pelo hospedeiro”, explica o pesquisador do IAC.
 
Novos resultados de pesquisas aplicáveis à pós-colheita de citros
 
A pesquisadora do IAC, Lenice Magali do Nascimento, irá palestrar sobre os resultados da avaliação das alterações de sabor em frutos de tangerinas Ponkan e Decopon, decorrentes dos tratamentos de pós-colheita, com uso de ceras à base de carnaúba, polietileno, colofônia e goma laca. A pesquisa envolveu Ponkan cultivadas nas regiões de Paranapuã, Guareí e Madre de Deus de Minas, e com Decopon, plantadas em Pilar do Sul e Holambra.
 
No estudo, realizado com auxílio da FAPESP, foram avaliadas diferentes formulações de ceras, aplicadas diretamente nos frutos e suas implicações nos parâmetros físicos e químicos, principalmente aqueles que promovem a mudança do sabor. “Pelos resultados excelentes obtidos com esse trabalho, atualmente a maioria das unidades de processamento de citros de São Paulo está aplicando a tecnologia gerada no Laboratório de Pós-colheita aqui do Centro de Citricultura”, afirma a pesquisadora do IAC.
 
SERVIÇO
 
37ª Semana de Citricultura
46º Dia do Citricultor
41ª Expocitros
Data: 25 a 28 de maio de 2015.
Local: Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC, Rodovia Anhanguera, km 158 – Cordeirópolis, interior paulista.
Informações: 19-3546-1399



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