Tecnologia e Manejo

27/09

Ourofino Saúde Animal: Tudo sobre o Controle Estratégico de Verminoses

Ourofino Saúde Animal: Tudo sobre o Controle Estratégico de Verminoses

 

Frequentemente o antigo tema sobre Controle Estratégico de verminoses volta à tona. Algumas regras surgem de maneira muito simplista como práticas de manejo sanitário para controle de verminoses recomendando ou engessando o calendário de vermifugações. Entre diversas combinações possíveis, determinar os meses na forma numérica para vermifugação estratégica (exemplo: maio – julho – setembro ou maio – agosto – novembro, associando aos números dos meses 5 – 7 – 9 ou 5 – 8 – 11, respectivamente), não é a maneira mais coerente do ponto de vista técnico.

 

No Brasil as estações climáticas não são muito bem definidas e, de maneira geral, o clima é favorável aos parasitas durante o ano todo. O conceito de controle estratégico é fundamentado exatamente na grande oportunidade sanitária de vermifugar (desverminar) os animais com vermífugos e endectocidas no momento biológico de menor potencial biótico do parasita, quando as cargas parasitárias das pastagens estão reduzidas pela seca enquanto a infecção nos animais é afetada pelos tratamentos. Vale e não muda a premissa das vermifugações estratégicas de entrada, meio e fim da seca ou início das águas.

 

 

Para vermifugação dos animais, além da estratégia de controle fundamentada no clima (final das chuvas, período de seca e início das águas), devemos considerar:

 

1. O sistema de criação: os confinamentos representam menos risco para as verminoses, pois não há fontes de infecção disponíveis (capim, gramíneas e outras forrageiras), já nos semi-confinamentos, como no caso da produção de rebanhos leiteiros (recria, novihas e vacas) apresentam mais risco pela elevada contaminação dos pastos por ovos e larvas de helmintos oriundos de animais infectados por verminoses. A cobertura de solo com forrageiras infestadas é a principal fonte de infecção para os animais. Sistemas extensivos de baixa lotação apresentam risco moderado para infecção dos animais por helmintos, como no caso da criação de bovinos de corte.

 

2. Tipo de criação: corte ou leite. Rebanhos de corte geralmente apresentam menor desafio quando comparado aos rebanhos leiteiros devido aos fatores anteriormente explicados. Isso não significa que os cuidados com a vermifugação estratégica nos rebanhos de corte sejam menos importantes. O fato é que no rebanho de corte os animais realmente são mais rústicos e os responsáveis pela sanidade não mantêm contato rotineiro com os animais assim, consequentemente, as perdas produtivas são subnotificadas, muitos animais apresentam baixa produtividade e quando morrem não há diagnóstico. Rebanhos leiteiros são de fato mais sensíveis às parasitoses. Em geral, observamos animais severamente parasitados, provavelmente pela falta de um programa sanitário eficiente, além da forte preocupação com a presença de resíduos de antiparasitário e outros medicamentos veterinários no leite que acabam inibindo a vermifugação pelos tratadores. Sistemas mais intensificados como Free Stall e Compost Barn não permitem que o ciclo dos endo e ectoparasitas se completem enquanto os animais (vacas em lactação e novilhas) permanecem estabulados.

 

3. Categoria: Os animais mais jovens, durante a fase de cria, são muitas vezes expostos a pastos com elevada taxa de contaminação/infestação por parasitas, “herança” parasitária das vacas de cria. Nas primeiras semanas de vida ainda não se alimentam de pastagem e apresentam baixa carga de helmintos, mas aos poucos este cenário muda e se torna a categoria de maior risco durante a cria e recria. A Ivermectina OF atua tratando e prevenindo as bicheiras de umbigo, além de vermifugar os animais auxiliando no controle de carrapatos. As vacas no pré-parto, afastadas da ordenha (secas), seguem para piquetes de parição frequentemente infestados de parasitas e com grande carga de contaminação por diversos patógenos. Estes ambientes oferecem elevado grau de desafio no momento mais crítico para a vaca o pré-parto e pós-parto.

 

 

4. Os animais adultos já possuem certa competência imunológica, mas a carga de verminoses muitas vezes atrasa o desenvolvimento e o ponderal dos animais representando quadros subclínicos com grande impacto na produtividade. As novilhas e vacas, durante o final da gestação, atravessam o momento mais crítico para o desafio das verminoses, os 90 dias vitais do pré e pós-parto (imunossupressão e balanço energético negativo), justamente quando observamos o aumento na contagem de OPGs, contaminação das pastagens, atraso na recuperação do pós-parto e, consequentemente, menor produção de leite e retomada tardia do cio. Em determinadas condições, alguns animais adoecem, desenvolvem diarreia, desidratação, anemia, pneumonia, tornam-se “fundo de lote” e às vezes morrem.

 

Diante do maior desafio deste período, todas as vacas devem ser vermifugadas no pré-parto. Vacas vermifugadas com Evol ou Voss Performa no pré-parto permanecem protegidas por mais tempo durante esta fase crítica e reduz a taxa de contaminação das pastagens.

 

 

5. Resistência parasitária: diante do desafio das verminoses, diferentes princípios ativos podem ser utilizados para o controle estratégico de helmintos, mas para que isso seja possível muitas vezes o produtor precisa adquirir diferentes endectecidas. Para beneficiar e viabilizar os manejos, o Evol com a associação de dois endectocidas consagrados (Ivermectina e Sulfóxido de Albendazole), representa a evolução tecnológica contra os diferentes tipos de helmintos, sendo potente vermífugo e endectocida. Por meio da vermifugação estratégica é possível obter o máximo desempenho dos animais.

 

Em 2017, durante 60 dias, realizamos comparativos de desempenho em mais de 1.000 animais terminados a pasto (pesagem inicial, randomização, divisão em lotes homogêneos e vermifugação). Após 60 dias, pesamos novamente os animais e em relação ao ganho de peso entre o grupo vermifugado com Voss Performa o resultado obtido foi de 5,78 kg a mais frente à Moxidectina 1% e 6,38 kg a mais frente à Doramectina 1%. Em outro lote, quando comparamos o ganho de peso entre o grupo com Evol o resultado obtido foi de 5,47 kg a mais frente à Moxidectina 1% e 5,82 kg a mais frente à Doramectina 1%, considerando 54% de rendimento de carcaça. Estes resultados revelam que a vermifugação estratégica traz benefícios diretos sobre o desempenho produtivo dos animais, sendo positiva para o retorno do investimento com os tratamentos estratégicos e manejos dos animais.

 

 

Para definir um calendário sanitário eficiente e racional, converse sempre um consultor técnico da Ourofino.

 

Por Por Ingo Mello, gerente técnico na Ourofino Saúde Animal



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