Tecnologia e Manejo

10/01

Ourofino Saúde Animal: Papilomatose: imunidade é a chave

Ourofino Saúde Animal: Papilomatose: imunidade é a chave

 

Figueira, verruga, verrucose, fibropapilomatose ou epitelioma contagioso Esses são alguns dos nomes mais comuns para definir a Papilomatose que com certeza é uma das enfermidades mais comuns em várias espécies, sendo especialmente importante em bovinos. Muitas são as perguntas e poucas são as ações efetivas para evitar ou combater o problema, já que os desafios encontrados são diversos e a prevenção sempre é a melhor alternativa. A grande dificuldade no controle está nos agentes causadores, pois são vírus de diversos tipos - no mínimo seis diferentes já são conhecidos do produtor - que podem estar presentes ao mesmo tempo no animal, de maneira isolada ou conjunta.

 

A pergunta que nos deparamos quase diariamente é: qual o tratamento efetivo para resolver o problema? A resposta é complexa, pois se tratando de doenças virais não existem no mercado veterinário o produtos com qualidade satisfatória para combater os agentes de maneira efetiva, pois ativos que combatam vírus são muito específicos e de alto valor. Sendo assim, existem medidas paliativas que podem ser empregadas, sempre visando à manutenção da imunidade em níveis adequados para que ela possa ser capaz de responder de forma rápida e eficiente quando solicitada Para tanto a manutenção das exigências nutricionais inerentes a cada fase são imprescindíveis, pois um animal bem alimentado e com seus níveis de nutrientes dentro da normalidade estará apto a enfrentar a agressão que ele será submetido.

 

Outra pergunta comum: o uso de cobre, seja na orelha ou subcutâneo, é efetivo  para tratamento? A resposta para essa pergunta, do ponto de vista técnico, é que se trata-se de uma superstição, pois não existem dados ou trabalhos que possam comprovar tal procedimento. A explicação para o eventual sucesso de tal “tratamento” se dá pela estimulação ao sistema imune de maneira extremamente agressiva quando aplicado no subcutâneo, pois a resposta gerada será muito grande  e sem qualquer especificidade, sendo assim não podemos afirmar nada sobre tal procedimento. Outro fato que pode estar relacionado com o sucesso da medida é referente ao fato de que alguns tipos de vírus são autolimitados, isto significa que independe da conduta a ser tomada, o papiloma cairia espontaneamente.

 

Muitos ainda utilizam de terapias alternativas como a hemotarepia que consiste em coletar sangue do animal e aplicá-lo via intramuscular. A resposta deste tipo de “tratamento” é muito inespecífica e não podemos afirmar que os resultados sejam positivos, pois podemos desencadear uma resposta descontrolada que poderia prejudicar o animal a ponto de causar uma resposta imune contra o sangue causando até mesmo a morte do animal, sem contar os problemas sanitários envolvidos com a possibilidade de inoculação de agentes infecciosos no músculo do bovino.

 

Como maneira efetiva de tratamento, quando possível, é proceder à extirpação dos papilomas manualmente. Tal procedimento tem resultado imediato, porém só é possível quando os papilomas são pedunculares, apresentando uma base mais delgada que o corpo do papiloma propriamente dito. No entanto, quando isto for realizado devemos lembrar da necessidade de realizar a cura dos ferimentos que decorrerão de tal medida, pois são potenciais focos de contaminação e possibilidade do desenvolvimento de miíases que iram atrasar muito a cicatrização do local.

 

Outra maneira efetiva de tratamento é a confecção de autovacinas que são obtidas por meio do processamento de 10 gramas da polpa dos papilomas do animal afetado. Neste caso, a vacina deve ser individualizada e processada por pessoal competente e conhecedor da técnica, evitando contaminação da amostra. Tal procedimento é muito eficiente, porém demanda tempo de processamento e deve ser respeitado o protocolo estabelecido que varia para cada caso. Levando em conta o exposto acima, quando pensamos em papilomatose devemos nos preocupar com a imunidade do animal, portanto os períodos mais críticos que podem comprometer este sistema orgânico são os de estresse, ou seja, a desmama tanto de bovinos de leite como de corte, aglomerações (sejam feiras ou manejos), troca de lotes, transporte prolongado ou qualquer outra alteração na rotina do animal que possa comprometer a resistência dele. Como auxiliar no tratamento, podemos usar soluções que indiretamenteestimulem o sistema imune, como o Pirofort, pois este produto tem a capacidade de aumentar a resposta imune, sempre lembrando que cada animal responde de uma maneira. 

 

Por Marcelo Arne Feckinghaus, Pietro Massari e Marcel Onizuka, do Departamento Técnico da Ourofino Saúde Animal

 



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