Tecnologia e Manejo

01/11

Ourofino Saúde Animal: Coccidiose bovina: a doença silenciosa que atrasa o desenvolvimento do seu bezerro

Ourofino Saúde Animal: Coccidiose bovina: a doença silenciosa que atrasa o desenvolvimento do seu bezerro

 

Com os avanços da tecnologia e da pesquisa a campo, podemos afirmar que a pecuária está em um processo de evolução constante. Cada vez mais a informação chega ao homem do campo, seja ela através do rádio, da televisão e, atualmente, principalmente via internet. Com esse maior acesso à informação, doenças que no passado não eram conhecidas, ou pouco diagnosticadas, hoje são considerados pontos críticos de controle e que, se não forem devidamente controlados, resultam em prejuízos para o produtor.

 

Uma dessas doenças é a coccidiose. A coccidiose é uma doença ocasionada por um parasito, o protozoário Eimeria. Para os bovinos existem várias espécies, porém duas são mais importantes: Eimeria bovis e Eimeria zuernii. Esse parasito está distribuído em todo território nacional e no ambiente fica localizado no solo, capim e principalmente água.

 

A forma infectante da Eimeria é chamada de oocisto esporulado, ele atinge essa fase parasitária quando está no ambiente e inicia o processo de parasitismo após a entrada dele no organismo do animal. Isso ocorre quando o bovino ingere alimento contaminado, quando os utensílios (ex. mamadeiras) são lavados com água contaminada ou quando o animal bebe água de uma fonte contaminada, sendo essa última, a forma mais comum.

 

 

Figura 2. Principais formas de infecção de coccidiose em bezerros

 

Após a entrada da Eimeria no organismo do animal, ela inicia o seu ciclo parasitário que ocorre basicamente quando o parasito chega ao intestino do bovino, ele inicia um processo de reprodução assexuada (mitoses) e posteriormente a reprodução sexuada (formação dos novos oocistos). Esses processos reprodutivos acontecem dentro dos enterócitos (células intestinais).

 

Como há uma multiplicação rápida do parasita dentro das células, as mesmas não aguentam e terminam se rompendo, liberando os parasitos que estavam ali para fazer o mesmo processo em outras células ou, no caso da reprodução sexuada, liberam o oocisto na luz do intestino. O ciclo parasitário está estreitamente ligado com a patogenia da doença. Ao romper as células no processo de multiplicação parasitária, são ocasionadas diversas lesões no intestino do animal.

 

Tais lesões reduzem de forma significativa a capacidade de absorção de nutrientes e água levando à síndrome da má absorção. Pelo fato de não absorver bem os nutrientes, o conteúdo intestinal começa a sofrer um processo fermentativo, alterando as suas propriedades físico-químicas, principalmente a osmolaridade, ou seja, começa a atrair água para dentro do órgão. Como resultado final desse processo patogênico ocorrem: acúmulo de água e conteúdo intestinal, sangramento por causa da ruptura de células e presença de oocistos (oriundos da reprodução sexuada do parasito).

 

O excesso de água dentro do intestino ocasiona a diarreia no animal, o sangue se mistura ao conteúdo intestinal deixando as fezes escurecidas, as rupturas celulares levam a um processo de enterite com produção de muco. Por isso outro nome popular da coccidiose é a diarreia negra.

 

A forma clínica da coccidiose acomete bovinos jovens, principalmente entre 40 e 90 dias de idade. Porém, o nível elevado do desafio ambiental pode fazer com que a doença acometa animais mais jovens ou animais mais velhos também. Os principais sinais clínicos são: diarreia de coloração escura e aspecto “colento” (normalmente as fezes ficam coladas na calda do animal), perda de peso, retardo no crescimento, falta de apetite e desidratação. O exame padrão para diagnosticar eimeriose é a técnica de flutuação de McMaster (OOPG – oocistos por grama de fezes). Em rebanho de corte, além do exame de OOPG, também se pode suspeitar de eimeriose subclínica quando um bezerro de 40 a 60 dias está consideravelmente menor do que os seus demais contemporâneos.

 

O tratamento ou profilaxia da coccidiose bovina é realizado com o Isocox, um antiparasitário à base toltrazuril na concentração 5% em veículo de suspensão coloidal (TSC). A dose para tratamento, quanto para prevenção é 10 mL / 30 kg de peso vivo. Os melhores momentos para tratamento preventivo são:

 

 

Por Marcel Onizuka, especialista técnico na Ouroï¬Âno Saúde Animal



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