Tecnologia e Manejo

21/05

Ourofino Sa√ļde Animal: IATF em Bubalinos

Ourofino Sa√ļde Animal: IATF em Bubalinos

 

Por Júlia Gleyci Soares (VRA/FMVZ - USP); Nelcio Antonio Tonizza de Carvalho (UPD/APTA – Registro); Pietro Sampaio Baruselli (VRA/FMVZ - USP)

 

A inseminação artificial é uma das principais biotecnologias empregadas nas espécies domésticas e uma importante ferramenta para difusão de material genético superior de origem paterna. Entretanto, o uso desta técnica de maneira convencional, pela observação de cios, depara-se com duas dificuldades relevantes na espécie bubalina. A primeira está relacionada ao comportamento do cio, que em bubalinos é discreto, dificultando a eficiente detecção do estro. A segunda está relacionada ao anestro sazonal dos animais criados em regiões distantes do equador, que levam à diminuição da atividade reprodutiva desta espécie no período da primavera e do verão (Baruselli et al., 2013).

Protocolos hormonais têm sido desenvolvidos para controlar a dinâmica folicular ovariana e permitir o uso da IA sem detecção de estro em bovinos. Em bubalinos, o uso desses protocolos também viabilizou a utilização dessa biotecnologia e colaborou para a disseminação da IA, o que está acelerando o ganho genético, e, consequentemente, o aumento na produção de leite e de carne nesta espécie. Inicialmente foram desenvolvidas pesquisas para avaliar a eficiência do protocolo Ovsynch em bubalinos (D0: GnRH; D7: PGF2α; D9: GnRH; IATF 16 horas após a 2ª aplicação de GnRH; (Baruselli et al., 1999a; Baruselli et al., 1999b; Berber et al., 2002; Baruselli et al., 2003). Nestes estudos, foi confirmado que búfalas cíclicas (com a presença de corpo lúteo; CL) durante a estação reprodutiva favorável (outono e inverno) respondem satisfatoriamente ao tratamento hormonal, com taxas de prenhez ao redor de 50%. Contudo, a taxa de prenhez é influenciada pelo escore de condição corporal (ECC; boa eficiência é alcançada quando ECC ≥ 3,5 em uma escala de 1 a 5), paridade (primíparas são menos eficientes que multíparas) e período do ano (elevadas taxas de prenhez são obtidas durante a estação reprodutiva favorável em comparação à estação reprodutiva desfavorável (Carvalho and Soares, 2014).

Portanto, o protocolo Ovsynch apresenta baixa eficiência durante a estação reprodutiva desfavorável (primavera e verão), devido à alta incidência de anestro em fêmeas bubalinas neste período (Baruselli et al., 2003; De Rensis et al., 2005; Ali and Fahmy, 2007; Baruselli et al., 2007). Por esse motivo, tratamentos com dispositivos intravaginais de progesterona (P4) associados à administração de eCG, têm sido utilizados para aumentar as taxas de ovulação e de prenhez após a IATF em búfalas em anestro durante a estação reprodutiva desfavorável (Baruselli et al., 2002; Carvalho et al., 2007).

Os protocolos desenvolvidos para búfalas com P4, consistem na inserção de um dispositivo intravaginal de P4 associado à administração intramuscular de benzoato de estradiol (BE) em dia aleatório do ciclo estral (dia 0 = D0). Posteriormente (D9), o dispositivo é removido e são administradas doses intramusculares de PGF2α e de eCG. Após 48 horas, a ovulação é induzida pela administração de GnRH. A IATF é realizada 16 horas após a indução da ovulação (Baruselli et al., 2003; Carvalho et al., 2007; Figura 1).

O tratamento com P4 em vacas em anestro resulta na maior produção de estradiol (E2) pelo folículo dominante com aumento da libertação pulsátil de LH. Além disso, verifica-se aumento do número de receptores para LH nas células da granulosa e da teca de folículos pré-ovulatórios, em comparação a animais não tratados com P4 (Rhodes et al., 2002). Esses efeitos são positivos para que ocorra o crescimento folicular e a ovulação, com aumento da eficiência reprodutiva de fêmeas em anestro. Carvalho et al. (2014) reportaram que é possível reutilizar dispositivos de P4 em bubalinos e que as reduzidas concentrações de P4 presentes nos dispositivos reutilizados (2º e 3º usos) são eficientes para controlar o crescimento folicular e proporcionar satisfatórias taxas de penhez em búfalas submetidas ao protocolo de sincronização da ovulação para IATF durante a estação reprodutiva desfavorável.

Ainda, a eCG (gonadotrofina coriônica equina) tem atividade tanto de FSH quanto de LH, e a administração parenteral desse fármaco estimula o crescimento folicular e ovulação em bovinos (Soumano et al., 1998). E m búfalas, foi verificado que o tratamento com eCG no momento da retirada do dispositivo intravaginal de P4 aumenta o diâmetro do folículo dominante e do CL, a taxa de ovulação, as concentrações séricas de P4 no diestro subsequente e a taxa de prenhez. Esses resultados comprovam a necessidade da utilização da eCG no protocolo de sincronização da ovulação para a IATF durante a estação reprodutiva desfavorável, aumentando a eficiência reprodutiva das búfalas em anestro estacional (Carvalho et al., 2013).


 

Figura 1. Diagrama esquemático do protocolo hormonal utilizando P4+E2 e eCG para sincronização da ovulação em búfalas. P4 = 1g de Progesterona, BE = 2mg de Benzoato de estradiol; PGF2α = 0,53mg de Cloprostenol sódico; GnRH = 10µg de Acetato de buserelina; eCG = 400UI de Gonadotrofina Coriônica equina.

Carvalho et al. (2012) verificaram também a possibilidade de substituir o indutor da ovulação GnRH (administrado no dia 11 do protocolo) por BE (administrado no dia 10 do protocolo; 24 horas após a retirada dos dispositivo de P4) em búfalas submetidas ao protocolo de sincronização da ovulação e IATF durante a estação reprodutiva desfavorável. Os autores verificaram que o tratamento com o BE resultou em semelhantes taxas de ovulação e de prenhez, o que possibilita a utilização de BE como indutor de ovulação ao final do protocolo.

Atualmente existe tecnologia para utilizar a inseminação artificial em búfalas ao longo do ano, mesmo em países/regiões onde os búfalos apresentam evidente sazonalidade reprodutiva. Com o emprego do protocolo Ovsynch para a estação reprodutiva favorável e do protocolo com progesterona/progestágeno+BE+PGF2α+eCG+ GnRH/BE para a estação reprodutiva desfavorável é possível obter aproximadamente 50% de taxa de concepção, tanto no outono e inverno quanto na primavera e verão. Essa tecnologia permite associar o emprego da IATF com a desestacionalização dos partos, tão importante para evitar a concentração natural dos partos e da produção de leite, contribuindo para o abastecimento da demanda contínua de leite para a indústria que trabalha com produtos lácteos de bubalinos.

 

Fonte: Ourofino Saúde Animal 



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