Tecnologia e Manejo

25/01

Melhoramento genético na pecuária leiteira

Melhoramento genético na pecuária leiteira

 

A genômica será, em breve, uma realidade viável para o melhoramento genético de bovinos leiteiros. Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Gado de Leite indicam que é possível dobrar a velocidade da seleção dos rebanhos leiteiros, com custos menores, utilizando as informações geradas a partir do DNA dos animais.

 

Esse avanço deriva do sequenciamento genético bovino, que foi anunciado pela revista Science em 2009, com diversos desdobramentos para as pesquisas realizadas no Brasil.

 

O sequenciamento, do qual participaram pesquisadores brasileiros, foi divulgado pela Science e teve o objetivo foi identificar diferenças entre os genomas das raças de origem europeia (Bos taurus taurus) e as raças zebuínas, de origem indiana (Bos taurus indicus). Em 2012, foram divulgados os primeiros resultados das pesquisas do DNA das raças zebuínas, de maior interesse econômico para o Brasil, uma vez que estão adaptadas às condições tropicais.


"Identificamos mais de cinco milhões de SNPs específicos para as raças zebuínas", informa o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcos Vinicius da Silva. De acordo com ele, SNP é um tipo de marcador molecular, cuja sigla traduzida para o português significa "polimorfismo de um único nucleotídeo".

 

Silva explica que o DNA é uma sequência de nucleotídeos e são esses polimorfismos que diferenciam um indivíduo do outro, determinando se um animal será mais ou menos suscetível a alguma doença, por exemplo. Estima-se que o bovino tenha cerca de seis milhões de marcadores moleculares do tipo SNP.



Características de interesse - As pesquisas coordenadas por Silva identificaram características de interesse econômico para a pecuária de leite, como: tolerância a parasitas e ao estresse térmico; produção de sólidos (proteína, gordura e lactose); persistência da lactação etc. O passo seguinte foi desenvolver equações de predição que permitissem identificar os efeitos dos SNPs dos indivíduos e selecioná-los de acordo com os interesses econômicos.


Genômica na prática - A Embrapa Gado de Leite e as associações de criadores de gado estão acertando os últimos detalhes para que essa tecnologia esteja, em breve, ao alcance dos produtores.

 

A expectativa é que os testes de progênie dos programas de melhoramento em gado leiteiro passem a usar o valor genômico de touros e vacas.

 

Quando a tecnologia estiver disponível, o procedimento para a seleção genômica do bovino ocorrerá da seguinte forma: o produtor retira amostra de tecido biológico do animal (amostra de sangue ou pelo) e a envia aos laboratórios comerciais credenciados que irão extrair o DNA e realizar a genotipagem para os marcadores de SNP. Com os genótipos em mãos, a equipe da Embrapa Gado de Leite irá proceder às avaliações genômicas. Na sequência, o produtor recebe um relatório com o perfil genético do animal. Com base nesse perfil, ele tomará decisões sobre as estratégias de cruzamento e decidirá se utiliza ou não um touro jovem em programas de teste de progênie, por exemplo.


"A seleção genômica irá racionalizar o processo de melhoramento genético, tornando-o menos arriscado ao produtor", diz o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marco Antônio Machado. Supondo que o criador tenha vários tourinhos com o mesmo grau de parentesco e só possua recursos para inscrever um deles para o teste de progênie, a comparação do genótipo de cada um deles definirá o mais adequado para o programa.

 

Marco Antônio Machado conclui que a seleção genômica irá democratizar as oportunidades do melhoramento genético, na medida em que reduz os custos do processo. O mesmo trabalho que levaria sete anos pode ser feito em apenas dois com maior grau de certeza (veja o quadro abaixo).

 

MELHORAMENTO TRADICIONAL

SELEÇÃO GENÔMICA

No melhoramento tradicional, por meio do teste de progênie, os indivíduos são comparados com base na produção de leite das filhas:

No melhoramento por meio da seleção genômica, os animais são avaliados pela bagagem genética contida no DNA:

  • O criador seleciona o touro que ele acredita ser o melhor;
  • O touro é submetido a um pré-teste durante cinco meses, quando alguns critérios como a produção e a qualidade do sêmen são avaliados;
  • Aprovado no pré-teste, o touro é inserido no teste de progênie propriamente dito;
  • Vacas de várias fazendas, que participam do programa, são inseminadas com o sêmen desse touro;
  • As filhas do touro nascem, crescem, reproduzem e começam a produzir leite;
  • Ao final da lactação, tem-se a produção da vaca;
  • As informações de interesse econômico coletadas durante este processo serão publicadas em um sumário, onde o touro será ranqueado.
  • O criador seleciona o touro que ele acredita ser o melhor;
  • Uma mostra do material genético do touro (sangue) é coletada e enviada ao laboratório credenciado;
  • O criador recebe o valor genômico do touro (uma espécie de perfil genético do animal). De posse dessa informação, ele pode ou não inserir o touro em um programa de melhoramento.

 

Obs.: A seleção genômica também pode ser feita com fêmeas e embriões.

 

 

Fonte: Embrapa Gado de Leite



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