Tecnologia e Manejo

31/08

Resultados da Prova de Avaliação a Campo (PAC) das raças Hereford e Braford

Resultados da Prova de Avaliação a Campo (PAC) das raças Hereford e Braford

 

Os touros vencedores da Prova de Avaliação a Campo (PAC) 2017 das raças Hereford e Braford foram divulgados em um Dia de Campo realizado, no dia 22/08, na sede da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS). O diferencial desta edição foi a inclusão de novos dados à prova, referentes ao Consumo Alimentar Residual (CAR) dos reprodutores, visando medir a eficiência alimentar de cada um deles. Neste ano participaram da PAC 16 touros da raça Hereford e 18 Braford, oriundos de 13 criatórios do Rio Grande do Sul.

A PAC é desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). Em sua 26ª edição com a raça Braford e 13ª edição com a raça Hereford, a PAC vem contribuindo para oferecer ao mercado sêmen de touros jovens testados por sua genética superior. “Notamos a evolução da qualidade dos animais e o reflexo disso na cadeia produtiva. Esse ano foi incorporada uma avaliação nova, em função das balanças eletrônicas e de precisão instaladas na área para avaliação de consumo que, além de avaliar os animais a campo, avalia também os animais confinados e concentrados por um período curto de 70 dias”, explica o Chefe Geral da Embrapa Pecuária Sul, Alexandre Varella.

De acordo com o coordenador da PAC, Roberto Collares, o ganho médio diário de peso dos animais que participaram desta edição da PAC para a raça Braford foi de 0,835 Kg/dia, enquanto que os da raça Hereford o ganho foi de 0,800 Kg/dia. “Foi um desempenho muito bom, especialmente pelo fato de que os animais permanecem durante todo o período no campo, sujeitos a mudanças de temperatura e também de oferta de pastagem”, ressaltou Collares. Ainda segundo Collares, esse resultado mostra que os animais testados na PAC possuem uma genética superior e com futuro promissor como reprodutores. 

O objetivo da PAC de reprodutores de Hereford e Braford é comparar, dentro de um mesmo ambiente físico, touros de diferentes criatórios do Sul do Brasil, com a finalidade de identificar animais jovens superiores em termos de genética, para produção de carne em sistema a pasto. Os animais permanecem nos campos experimentais por cerca de 150 dias, convivendo em um mesmo ambiente e com mesma oferta de alimentos, tornando possível avaliar quais são superiores a partir de parâmetros pré-estabelecidos. “Não tem nada parecido com essa prova no Brasil, e dificilmente parecido no mundo. Com o passar dos anos viemos ouvindo sugestões e críticas, tentando melhorar a cada edição. A inserção do aspecto de consumo alimentar residual foi graças a um esforço grande da Embrapa. É uma tecnologia que estava faltando. É uma prova em que os animais são realmente testados em todas as condições climáticas, de 0º a 40ºC; uma prova que tem uma pré-seleção genética, através de programas de melhoramento”, elogia Fernando Lopa, CEO da Associação Brasileira de Hereford e Braford.

Resultados
Na raça Hereford, a primeira, segunda e terceira colocações ficaram com os reprodutores da propriedade de Walter José Pötter, Estância Guatambu, de Dom Pedrito (RS). Já entre os animais na raça Braford, a Estância Guatambu também obteve o reprodutor campeão, ficando em segundo, o touro da propriedade de Ney Arthur Azambuja, Fazenda Santa Tereza, de Arambará-RS, e em terceiro, outro reprodutor da Estância Guatambu. 

Já com relação aos ganhadores na categoria Consumo Alimentar Residual (CAR), os ganhadores foram, da raça Hereford, em 1º lugar, reprodutor da Estância Guatambu; 2º lugar, reprodutor da Fazenda São Fernando, de Alegrete (RS), de propriedade de João Souza Cavalcante, e em 3º lugar, o reprodutor da Wolf Parceria Agropecuária, de D. Pedrito (RS). Os melhores reprodutores da raça Braford foram da Sucessão Doralício Lorentz Borges, de São Sepé (RS), que levou o 1º lugar; o touro de Gustavo e Gilberto Camponogara, da Fazenda Rio Negro, de Bagé (2º lugar) e o touro de Alfeu de Medeiros Fleck, de Alegrete (RS) levou o 3º lugar.

Consumo Alimentar Residual 
Durante a prova são avaliados diferentes características, definidas em conjunto entre a ABHB e a Embrapa Pecuária Sul, como ganho de peso diário, o ganho de peso total, morfologia, área de olho de lombo, gordura subcutânea, área escrotal, entre outros. Porém, nesta edição da PAC, a novidade foi a inclusão de uma nova avaliação, o Consumo Residual Alimentar (CAR) que visa medir a eficiência alimentar dos touros.  Para isso, os animais foram deslocados para uma área controlada, com cochos automatizados, que controlam tanto a entrada e saída de cada animal, como o consumo por ele realizado. Por meio de chips nos animais e balanças nos cochos, todos dados são registrados e enviados em tempo real para um computador e também diretamente para os técnicos da PAC da Embrapa Pecuária Sul. 

Porém, antes de os animais irem para a prova que avalia o CAR, eles passaram por um período de 45 dias de adaptação no cocho para adaptação da dieta alimentar. “Inicialmente precisamos de uns 20 dias para adaptar as bactérias do rúmen do animal para comerem o concentrado e feno. Os alimentos no início eram fornecidos duas ou três vezes por dia, à medida que ia faltando alimento na caixa a gente ia repondo, para que nunca faltasse alimento. E íamos avaliando a questão metabólica de cada animal”, explica a pesquisadora Renata Suñé, responsável por acompanhar a parte nutricional da prova.  

“O nosso interesse em confiná-los durante esse período foi medir a Eficiência Alimentar, tanto o Consumo Alimentar Residual quanto o Ganho de Peso Residual. Com essas informações sabemos como o animal aproveita esse alimento, de forma eficiente ou não, como ele ganha peso e a correlação entre essa eficiência de aproveitar o alimento, ganhar peso e o crescimento. Ou seja, como a genética afeta o desempenho do animal”, explica o pesquisador em melhoramento genético Marcos Yokoo, responsável por acompanhar o andamento da prova.

Como o CAR é calculado
De acordo o Yokoo, o consumo de matéria seca (consumo alimentar) é ajustado ao peso metabólico do animal e pelo ganho de peso deste referido animal. Assim, o Consumo Alimentar Residual é a diferença entre o consumo de alimento observado e o estimado.  Desta forma, quanto mais negativo o CAR de um animal, melhor. O Ganho de peso residual é a diferença entre o GMD observado e o estimado com base no consumo de alimento e do peso metabólico. Assim, valores maiores  de  Ganho de peso residual  são favoráveis.

“Por exemplo, um animal de 500 kg que consumiu determinada quantidade de alimento, consumiu mais ou menos do que ele necessitava” explica o pesquisador. Então para aliar essa medida do CAR (Consumo Alimentar Residual), temos que trabalhar junto com o ganho de peso residual. Quer dizer, queremos aquele animal que realmente consumiu menos e que ganhou mais peso, ou seja, que cresceu mais”, resume Yokoo.

 

Manuela Bergamim (MTb 1951-ES) 
Embrapa Pecuária Sul 
 
Telefone: 53-3240.4670

 

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/



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