Tecnologia e Manejo

28/08

Dia de campo mostra vantagens da pecuária de ciclo curto e sistema iLP

Dia de campo mostra vantagens da pecuária de ciclo curto e sistema iLP

 

Os diferenciais da condução de uma pecuária de ciclo intensivo e dietas de alta eficiência alimentar para bovinos de cruzamento industrial foram os principais tópicos tratados durante o 3º Dia de Campo sobre iLP(integração Lavoura-Pecuária) realizado na última quarta-feira, 27, na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG). Um público estimado de 120 pessoas compareceu ao evento, que contou com a apresentação de resultados do uso estratégico de confinamento em sistema iLP.

Em regime de confinamento, os resultados mostram um ganho médio diário de 1,73 kg em bovinos provenientes do cruzamento industrial entre as raças ½ Nelore e ½ Aberdeen Angus com a dieta milho puro grão e concentrado em pellets. No total, 20 animais desse grupo racial e 10 bovinos do cruzamento ½ Charolês x ¼ Nelore x ¼ Angus entraram no sistema pasto da Empresa em junho de 2013 com uma média de 168 quilos. Após um ano (junho de 2014) e média de peso de 395 quilos, foram confinados.  

"A produção de 33,5 arrobas por hectare em um período de 11 meses é muito satisfatória, tendo em vista que encontramos, no país, resultados de quatro a cinco arrobas por hectare por ano", explica a zootecnista Patrícia Monteiro Costa, doutoranda em Produção Animal pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), se referindo à produção a pasto. Depois de 11 meses nesse sistema, os animais foram confinados, sendo que duas dietas estão sendo utilizadas nessa última etapa: exclusivo concentrado (85% de milho puro grão e 15% de pellets) e a de alto concentrado (70% de concentrado e 30% de volumoso).

Os animais serão abatidos nos próximos 20 dias e cada grupo racial vem recebendo uma dieta específica. "A dieta de grão inteiro com pellets apresenta alta eficiência alimentar e oferece um ótimo acabamento de carcaça. É uma dieta que veio para ficar, já que atende ao que o mercado exige, oferece rentabilidade econômica para o pecuarista e é uma estratégia para a estação seca", explica o médico-veterinário Fabiano Alvim Barbosa, da Escola de Veterinária da UFMG. Além do preço diferenciado – paga-se de 5% a 10% a mais por animais jovens desses grupos raciais – o sistema iLP sobressaiu-se no início. "Conseguimos reduzir em três meses o período de abate", explica o médico-veterinário.

As vantagens de se usar concentrado – milho grão inteiro – depende diretamente do valor pago pelo produto. Em regiões produtoras, como o estado de Mato Grosso, a saca está cotada na faixa dos R$ 14. Os cuidados ao administrar a dieta para os animais também foram abordados. "É necessário um período de adaptação no início do confinamento para evitar distúrbios metabólicos", alerta a zootecnista Patrícia Costa. O médico-veterinário Fabiano Barbosa explicou como contornar esse problema, por meio do uso de aditivos que controlam o pH intestinal dos bovinos.

SISTEMA – Na Embrapa Milho e Sorgo, o sistema de integração lavoura-pecuária foi implantado em uma área de 24 hectares dividida em quatro piquetes, sendo milho com braquiária, sorgo com tanzânia, soja e um piquete exclusivo de capim tanzânia, esse último usado durante o verão. "Na última safra, mesmo com as condições adversas de clima, colhemos 6,6 toneladas por hectare de milho em sistema de sequeiro", mostra o pesquisador Ramon Alvarenga, reforçando as vantagens do plantio direto e da integração.

O técnico Sérgio Teixeira Guimarães abordou a produção e o consumo eficiente de pasto, onde a altura das forrageiras na entrada e saída dos animais impacta diretamente no ganho de peso. O pesquisador Rubens Augusto de Miranda mostrou a avaliação econômica do sistema, em que técnicas sustentáveis de controle de pragas no milho foram utilizadas, a exemplo do controle biológico. Nesse contexto, os custos de produção de dois sistemas – convencional e transgênico – foram apresentados. Com o abate dos animais em setembro, a Embrapa Milho e Sorgo iniciará mais um ciclo, sendo que 44 bovinos com sete meses de idade já foram adquiridos e estão no sistema pasto da Empresa.

Abaixo, conheça os números registrados pela zootecnista Patrícia Monteiro Costa, da UFMG, na última pesagem no dia 24 de julho (em regime de confinamento e no pasto).

 

Confinamento (ganho médio diário no mês de julho):

1) Raça ½ Nelore x ½ Angus pós-adaptação: 1,68 kg para tratamento com 70% concentrado e 30% volumoso;

2) Raça ½ Nelore x ½ Angus pós-adaptação: 1,73 kg para o tratamento com 85% milho e 15% concentrado em pellets;

3) Raça ¼ Nelore x ¼ Angus x ½ Charolês pós-adaptação: 1,38 kg para tratamento com 70% concentrado e 30% volumoso;

4) Raça ¼ Nelore x ¼ Angus x ½ Charolês pós-adaptação: 1,4 kg para tratamento com 85% milho e 15% concentrado em pellets.

 

Pasto (ganho médio diário):

1) ½ Nelore x ½ Angus: 0,766 kg;

2) ¼ Nelore x ¼ Angus x ½ Charolês: 0,5112 kg.

Produção a pasto: 33,5 arrobas por hectare em 11 meses.

 

​Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br ou pelo telefone (31) 3027-1905. Acompanhe a Embrapa Milho e Sorgo nas redes sociais: www.facebook.com/EmbrapaMilhoSorgowww.twitter.com/EmbrapaMS .

 

 

Guilherme Viana (MG 06566 JP) 
Embrapa Milho e Sorgo 
 
Telefone: (31) 3027-1905



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