Tecnologia e Manejo

01/09

Ourofino Saúde Animal: Uso da Monensina Sódica na Avicultura

Ourofino Saúde Animal: Uso da Monensina Sódica na Avicultura

 

Nos últimos vinte anos, o setor agrícola brasileiro cresceu rapidamente com base na produtividade, bem como na expansão e na consolidação de novas fronteiras agrícolas. Apesar de o mercado interno absorver a maior parte da produção agrícola, esse crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão da produção de produtos destinados à exportação, especialmente aves (OCDE-FAO, 2015).

 

A avicultura encerrou 2015 com recordes na produção e nas exportações. A carne de frango, consolidada como quarto item da pauta exportadora nacional, alcançou em 2015 os três melhores resultados mensais da história das exportações do setor, fechando o ano com uma produção de 13,146 milhões de toneladas e uma exportação de 4,304 milhões de toneladas. Novos mercados abriram as portas para a carne de frango brasileira. Trazendo para o Brasil uma receita totalizada de US$ 7,167 bilhões (ABPA, 2016). No entanto, o setor da avicultura sempre se confrontou com desafios na forma de várias doenças. Nessas condições, as maiores perdas econômicas são por doenças infecciosas, como as causadas por vírus, bactérias, fungos, protozoários, além do custo de medicações terapêuticas (ALKHALF et al, 2010).

 

Sustentando este cenário de alta produtividade e crescente demanda por proteína, a indústria avícola pode contar com aditivos alimentares que propiciam a melhora do desempenho zootécnico e a sanidade das aves, produzindo alimentos mais seguros e saudáveis.

 

 

Um dos principais fatores nutricionais que contribuem para a alta produtividade das aves na atualidade é a utilização de aditivos melhoradores de desempenho.  A cadeia de produção de alimento continua investindo em pesquisas e desenvolvimento, contribuindo para o desenvolvimento do setor (PASQUALI et al., 2014). Os aditivos melhoradores de desempenho tiveram seu uso mais generalizado desde a década de 1950, promovendo melhora nos índices zootécnicos de animais criados em sistemas intensivos (GRAHAM et al., 2007).

 

A coccidiose aviária é uma doença cujo parasita e seu ciclo de vida já são conhecidos há mais de 70 anos. E o método de controle mais utilizado continua a ser o uso de anticoccidianos na ração. Os ionóforos têm sido amplamente usados em dietas de frangos de corte e de lotes de reprodutoras criados em piso há mais de 25 anos, tendo em vista a sua eficácia contra as espécies de Eimeria que infectam as aves (DUTRA, 2002).

 

Ionóforos

 

Os ionóforos são compostos de poliéteres do ácido carboxílico, produzidos pela fermentação de cultura de microorganismo. O termo "ionóforo" significa transportador de íons. Quer dizer, o ionóforo é um composto que facilita a passagem de íons, tais como o Na+, K+ e Ca++ pelas membranas biológicas. A diferença na resposta celular aos ionóforos pode estar relacionada à atividade da bomba de sódio e potássio e sua afinidade relativa com vários íons inorgânicos e orgânicos (DUTRA, 2010).

 

A grande maioria dos ionóforos existentes não possui atividade anticoccidiana. Somente os poliéteres ácidos monocarboxílicos possuem esta propriedade. Sua importância biológica deriva do fato de que sob a influência de um ionóforo, a membrana da coccídia é muito mais permeável aos íons fisiologicamente ativos. Esta interação com a membrana resulta no final em intumescência, vacuolização interna e degradação dos estágios de esporozoíto e merozoíto graças ao dano osmótico severo (JEFFERS, 1989) e (AUGUSTINE, 1992). Dentre os principais ionóforos, a Monensina é um dos mais utilizados na alimentação animal (Figura 1).

 

Figura 1 - A Monensina é um ionóforo da família dos poliéteres, produzido pelo Streptomyces cinnamonensis (imagem PubChem).

 

Momensina (MGold)

 

A monensina foi o primeiro ionóforo usado no controle da coccidiose aviária, provocando uma revolução nos métodos de prevenção da doença nas aves comerciais. É uma substância produzida a partir de processos fermentativos de Streptomyces cinnamonensis (PIZZARO & FERREIRA, 2014).

 

A monensina tem sido empregada na indústria avícola deste 1971, comprovadamente segura e efetiva no controle da coccidiose. Seu processo de fabricação e pureza determinam a qualidade do produto final permitindo estabelecer como “zero” para período de carência, este é o caso do Mgold 20 e do Mgold 40 da Ourofino Saúde Animal.

 

De acordo com Ferreira, Pizarro e Dell´Porto (2006), a monensina é altamente eficaz contra todas as espécies de Eimeria (E. acervulina, E. brunetti, E. máxima, E. mivati, E. mitis, E. necatrix e E. tenella). Segundo López & Camberos (2006), a monensina possui atividade contra toxoplasmas e coccídeos e seu espectro também inclui bactérias Gram positivas como Serpulina hyodysenteriae e Campylobacter sp.

 

Mecanismo de ação da monensina

 

De acordo com Albuquerque (2005), os compostos ionóforos facilitam o transporte de sódio para o citoplasma celular, aumentando as concentrações intracelulares desse íon, alterando, portanto, o equilíbrio osmótico do coccídeo. Como resultado, são inibidas algumas funções vitais das mitocôndrias dos parasitas e a entrada de água, atraída pela alteração da osmolaridade, pode levar à ruptura da membrana do parasita.

 

A atividade anticoccídica da monensina se restringe predominantemente aos dois primeiros dias do ciclo. Os estágios atacados são o trofozoíto (estádio abrigado pela célula hospedeira após a penetração de esporozoítos) e talvez o esquizonte de primeira geração. É fato que parte do fármaco não se absorve e permanece na luz intestinal, o que afeta os merozoítos que ainda não infectaram células da mucosa intestinal, que são localizados no exterior da célula. Com tudo isso, se reduz notavelmente a produção de oocistos, que constitui a fase infectante dos coccídeos (LÓPEZ & CAMBEROS, 2006).

 

Por Mauricio Hisano, gerente de produtos para aves e suínos da Ourofino Saúde Animal



Publicidade