Tecnologia e Manejo

07/02

Galinhas geneticamente modificadas botam ovos com proteína anticâncer

Galinhas geneticamente modificadas botam ovos com proteína anticâncer

 

Cientistas do Reino Unido conseguiram inserir um gene humano – que normalmente expressa uma proteína anticâncer – na parte do DNA  das galinhas envolvida na produção dos ovos. Isso resultou em aves que punham ovos com essa proteína. A pesquisa foi divulgada na revista BMC Biotechnology .

 

Algumas doenças, a exemplo do câncer, são causadas porque o organismo humano não produz naturalmente determinadas proteínas em quantidade suficiente. Tais doenças podem ser controladas com medicamentos que suprem a falta dessas substâncias. Até o momento, entretanto, os medicamentos sintéticos que tratam essa deficiência exigem bastante investimento para serem desenvolvidos. Por conta disso, esse custo acaba afetando também o consumidor.

 

Segundo a publicação, com as galinhas geneticamente modificadas (GM), no futuro, será possível produzir remédios que supram a necessidade de uma proteína anticâncer por cerca de um centésimo do custo dos atuais medicamentos.

 

Proteína anticâncer: processo de obtenção por meio de transgenia

 

Para a obtenção da proteína anticâncer, um gene humano que expressa a citocina foi inserido em embriões de ovos recém-colocados. Essa proteína é comumente usada para tratamento de hepatite e vários tipos de câncer. A inserção do gene nos embriões foi realizada por meio de um vírus vetor injetado nos embriões dos ovos para gerar as aves transgênicas.

 

A análise inicial das proteínas produzidas pelos ovos mostrou altos níveis de pureza e atividade tão boa ou melhor do que as equivalentes obtidas por outros métodos. “Nosso trabalho lança mão de galinhas transgênicas para uma produção econômica de uma proteína biologicamente ativa, pura e de alta qualidade para terapias e outras aplicações”, comenta uma das autoras do artigo, Lissa Herron, em entrevista à BBC .

 

Proteínas anticâncer e o custo de medicamentos

 

O uso de proteínas em tratamentos de saúde humana está em expansão com o estudo de enzimas, citocinas, fatores de crescimento e etc. Entre 2011 e 2017, 89 novos fármacos proteicos foram aprovados pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Apesar disso, os custos dos atuais métodos de obtenção são altos e, algumas vezes, podem se tornar inacessíveis.

 

A galinha transgênica pode ser a solução. Essas aves são relativamente baratas de se manter e grandes populações podem ser obtidas rapidamente a partir de um pequeno número de animais. “Isso poderia levar a tratamentos mais acessíveis e a mercados mais amplos, inclusive em países em desenvolvimento”, prevê Lissa.

 

Proteínas produzidas por animais geneticamente modificados

 

Desde o desenvolvimento da insulina humana a partir de microrganismos GM, na década de 1980, os tratamentos baseados em proteínas têm sido um dos segmentos que mais crescem na indústria farmacêutica. Hoje, melhorias nas técnicas de modificação genética estão permitindo que elas sejam produzidas por animais transgênicos. Após ensaios clínicos bem-sucedidos e aprovação das autoridades competentes, vários medicamentos obtidos por esses métodos chegaram ao mercado.

 

Os cientistas já haviam demonstrado que cabras, coelhos e galinhas geneticamente modificadas podem ser usados para produzir proteínas terapêuticas em seu leite ou ovos. As galinhas ficaram atrás dos mamíferos nas pesquisas, apesar de um número de vantagens potenciais, devido à dificuldade histórica de modificar geneticamente as aves.

 

No entanto, existem limitações para o uso de grandes mamíferos porque eles têm poucos filhos, longos períodos de gestação e requerem uma grande quantidade de espaço e alimento, o que pode tornar tudo mais difícil e caro. Também pode ser difícil purificar uma proteína do leite. Já a produção em galinhas transgênicas reduziria substancialmente os custos em comparação com o uso de outros animais.

 

Como os animais são tratados durante o processo de obtenção da proteína anticâncer?

 

Segundo o artigo, a modificação genética não trouxe qualquer efeito negativo sobre a saúde ou o bem-estar das galinhas. “Além de não sofrerem, as galinhas são ‘mimadas’ em comparação com outros animais de criação”, disse a Dra. Lissa Herron. “Elas vivem uma vida bastante confortável: movimentam-se em grandes áreas, bebem água e são alimentadas diariamente por técnicos altamente treinados. Do ponto de vista da galinha, ela está colocando um ovo normal.”

 

Fonte: BMC Biotechnology , Redação CIB, janeiro de 2019



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