Tecnologia e Manejo

26/07

5 ameaças ignoradas que estão colocando em risco a silvicultura brasileira

5 ameaças ignoradas que estão colocando em risco a silvicultura brasileira

 

Não é de hoje que os profissionais do setor florestal se reúnem para discutir os principais problemas. Durante quatro anos seguidos, essa foi a tônica de debates calorosos no Encontro Painel Florestal de Executivos.

 

Infelizmente, identificar as fraquezas e discutí-las não foi suficiente para avançar. Os empresários, investidores, produtores e líderes do setor florestal também foram atingidos em cheio, como em outros setores, pelo clima de insegurança, um certo cansaço e pela descrença no país.

 

No entanto, alguns desses pontos fracos parecem estar sendo ignorados e podem colocar em risco a sustentabilidade dos negócios de base florestal no Brasil.

 

São ameaças que devem ser consideradas a despeito do momento político-econômico do país. Quem atua no setor sabe que o ciclo da floresta plantada pode não ser tão compreensível com a sua própria apatia.

 

1ª AMEAÇA: DEPENDER UNICAMENTE DOS GRANDES CONSUMIDORES

 

Por muitos anos (e isso não mudou muito) o setor florestal desenvolveu-se à esteira das grandes indústrias, principalmente as de celulose. Foi assim que o país se tornou referência em produtividade florestal e avançou para algumas regiões do interior brasileiro.

 

Essas empresas, em sua maioria fundadas por famílias tradicionais, tornaram-se gigantes de capital aberto verticalizadas. Em algumas regiões, os programas de fomento não existem mais e a tendência é que esse modelo de parceria dê lugar a contratos com fundos florestais.

 

Os fornecedores também precisam lidar com grandes desafios. É cada vez mais comum leilões por preços baixos dominarem as negociações. As margens, cada vez mais reduzidas, impactam - diretamente - na redução de investimento em pesquisas e desenvolvimento.

 

2ª AMEAÇA: A GRAVÍSSIMA FALTA DE INFORMAÇÃO

 

O setor conta com alguns anuários estatísticos mas, infelizmente, falta informação confiável. Os dados disponíveis são superficiais, insuficientes para tomadas de decisão, planejamento e uma compreensão clara de como o setor está se desenvolvendo.

 

Falta o básico como o preço da madeira, os custos de produção, o ritmo de plantio anual por espécie, mas também falta, por exemplo, uma projeção - mesmo superficial - da demanda.

 

É claro que existem informações legitimamente confidenciais e estratégicas para manter a competividade do setor. A grande ameaça se dá com a inexistência de informações - por mínimas que sejam - que permita o investidor (o pequeno produtor ou mesmo um fornecedor) seguir com sua atividade.

 

3ª AMEAÇA: A MENTALIDADE DO SETOR

 

Um dos temas mais debatidos durante as edições do Encontro Painel Florestal de Executivos foi a dificuldade do setor em comunicar seus benefícios. Era comum ouvir que "o setor fala sempre para o próprio umbigo".

 

Em que pese isso seja uma absoluta verdade, é importante sinalizar alguns avanços. A Indústria Brasileira de Árvores - Ibá, por exemplo, tornou-se finalista do Prêmio Fundacom com o infográfico "As árvores plantadas e seus múltiplos usos".

 

A questão, no entanto, é que o grande entrave - nesse e em outros pontos - encontra-se nos "modelos mentais pré-estabelecidos, crenças e processos antigos".

 

É essa "mentalidade conservadora" predominante no setor que faz com que iniciativas inovadoras sejam exclusividade, na maioria dos casos, das grandes indústrias.

 

São raras as trocas de experiências - um privilégio de poucas empresas. Não há muitos movimentos rápidos e isso, invariavelmente, tem impactado na competividade do setor nos últimos anos.

 

4ª AMEAÇA: A FALTA DE REPRESENTATIVIDADE

 

Existem associações regionais. Existem associações setoriais. Na medida do possível, são essas entidades - por meio de seus representantes - que contribuem para evitar um "caos maior".

 

Um dos desafios é, justamente, colocar todos esses "elos" na mesma mesa, já que, infelizmente, existem registros recentes de "divisões" que enfraqueceram ainda mais o setor.

 

Talvez fosse mais correto afirmar que não falta representatividade, mas sim liderança e protagonismo. De qualquer forma, essa é - provavelmente - uma das mais preocupantes ameaças do setor.

 

É difícil encontrar quem, depois de tantos 'desencantos', está disposto a ser protagonista e não um mero espectador.

 

5ª AMEAÇA: A DESCONFORTÁVEL 'ZONA DE CONFORTO'

 

É estranho falar em "zona de conforto" diante de uma das maiores crises já vividas no Brasil. A verdade, no entanto, é que - mesmo sendo extremamente desconfortável - há uma apatia generalizada e é justamente aí que mora o perigo.

 

Historicamente, grandes crises deixaram - como legado - grandes líderes, marcas, invenções e empresas. Para isso, é essencial ter coragem para sair da 'zona de conforto'.

 

E sair da zona de conforto tem muito mais a ver com enfrentar - de frente - as graves ameaças que estão batendo à porta do setor florestal do que qualquer outra coisa.

 

Sobra inteligência nos profissionais do setor florestal brasileiro. O que talvez esteja faltando, em um momento tão singular e delicado ao mesmo tempo, seja mais atitude.

 

Atitude para criar novas conexões, para estabelecer novas oportunidades, para trocar e compartilhar mais informações, para formar novos líderes e, principalmente, para - juntos - sairmos todos dessa perigosa zona de conforto.

 

Painel Florestal 



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