Tecnologia e Manejo

31/01

Algodão: Fibra colorida rende o dobro para produtor

Algodão: Fibra colorida rende o dobro para produtor

 

Pelo menos 30 produtores de algodão do Mato Grosso do Sul vão receber mais que o dobro pelo quilo da pluma que está sendo plantada neste mês. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o grupo investiu no algodão colorido.

A cultura garantiu para os agricultores contrato de comercialização com uma indústria têxtil do Rio Grande do Sul. A fabricante vai pagar R$ 9,50 por quilo da pluma colorida, enquanto a variedade branca vale R$ 4,60.

A espécie de algodão com cor começou a ser desenvolvida pela Embrapa em meados da década de 1990 e, atualmente, tem seis variedades. Os agricultores familiares do Mato Grosso do Sul - - estado que figura entre os quatro maiores produtores do País - estão plantando a BRS Rubi e BRS Verde. A previsão é que sejam cultivados aproximadamente 30 hectares, numa média de um hectare por família. A colheita deve ocorrer em maio.

O produtor Vitor Carlos Neves, de Ponta Porã (MS) que planta o algodão colorido há seis anos, comenta que, além do valor diferenciado que recebem pela fibra, a tecnologia social aplicada no cultivo também merece destaque.

"Fomos selecionados pela FAO [sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura] como tecnologia social bem sucedida, o que nos incentiva a querer ampliar cada vez mais esse trabalho", comenta o agricultor.

Consórcio

A produção de algodão colorido no Mato Grosso do Sul é realizada em sistema agroecológico em consórcio com outras culturas como fruteiras, gergelim e milho. Além de Ponta Porã, outros seis municípios estão investindo na produção da fibra naturalmente colorida: Corumbá, Sidrolândia, Jaraguari, São Gabriel do Oeste, Terenos e Aral Moreira.

De acordo com Neves, o interesse dos compradores no algodão colorido é um estimulo. "Recebemos demandas de outras empresas, mas por enquanto não temos como atender", afirma. Mas já existe um projeto junto ao Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), com apoio da Associação Sul-Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) e do Sebrae, que visa quadruplicar os produtores, de 30 para 120.

Além disso, técnicos são treinados para orientar os pequenos produtores, diz o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão, Felipe Macedo Guimarães.

Segundo Vitor Neves, esse conhecimento já atravessou a fronteira. "Apoiamos a formação de um grupo de produtores do Paraguai, que também fornecem para a têxtil gaúcha, e hoje já são 46 agricultores paraguaios de pluma colorida".

DCI 



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