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28/11 Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi Gordo, Café, Suínos e Trigo

28/11 Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi Gordo, Café, Suínos e Trigo

 

Algodão 

 

Após alguns compradores consultados pelo Cepea, inclusive da região Nordeste, se abastecerem no final de outubro e no início de novembro, o mercado de algodão em pluma apresenta baixa liquidez neste encerramento de mês. Os poucos negócios realizados envolvem pequenos volumes para entregas imediatas – algumas indústrias têm interesse em adquirir novos lotes apenas no início de 2020.

 

Apesar desse cenário, pesquisas do Cepea apontam que os preços voltaram a subir, influenciados pela baixa oferta de pluma de qualidade. Entre 19 e 26 de novembro, o Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, subiu 2,2%, fechando em R$ 2,6179/lp nessa terça-feira, 26.

 

Em novembro (até o dia 26), o Indicador acumula alta de 4,2%. Do lado vendedor, boa parte permanece focada nos embarques referentes aos contratos a termo.

 

Ainda assim, alguns vendedores consultados pelo Cepea ofertam a pluma no spot, mas os compradores interessados alegam dificuldades em encontrar o produto desejado – os lotes disponíveis seguem apresentando ao menos uma característica (cor, resistência, micronaire, comprimento de fibra ou heterogeneidade). 

 

Arroz

 

Os preços do arroz em casca estão firmes no mercado gaúcho, segundo informações do Cepea. O Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros (média ponderada para o estado do Rio Grande do Sul) registrou aumento de 0,47% entre 19 e 26 de novembro, fechando a R$ 46,76/sc de 50 kg na terça-feira.

 

Beneficiadoras têm trabalhado com o produto já adquirido, mas indicam interesse em novas compras no spot – elas sinalizam ter estoques suficientes até o início da próxima temporada, caso as vendas não sejam alavancadas.

 

Diante da forte valorização do dólar frente ao Real, indústrias gaúchas consultadas pelo Cepea apontam que a concorrência com o arroz importado também deve continuar dificultando as comercializações.

 

Orizicultores, por sua vez, estão menos presentes no mercado. Parte dos vendedores está capitalizada e tem expectativa de que o preço da saca possa aumentar nas primeiras semanas de 2020, fundamentados no período de entressafra e colheita mais tardia.

 

Entretanto, alguns comercializaram lotes para entregas programadas nas próximas semanas e recebimento nos primeiros meses do próximo ano. 

 

Boi Gordo 

 

O mês de novembro de 2019 deve ser lembrado por muitos anos pela pecuária nacional. Isso porque o período foi marcado por preços recordes reais do boi gordo (considerando-se a série do Cepea, iniciada em 1994) e da carne no atacado (série iniciada em 2001).

 

No caso da arroba do boi no estado de São Paulo, novembro será marcado por ter registrado as duas mais intensas altas diárias do Indicador do boi gordo ESALQ/B3 – no dia 5, a elevação foi de 5,05%, e no dia 21, de significativos 11,85% – e, consequentemente, pelo expressivo avanço mensal.

 

Nessa quarta-feira, 27, o Indicador fechou a R$ 231,00, acumulando forte elevação de 35,3% na parcial deste mês (entre 31 de outubro e 27 de novembro).

 

Para a carne, desde o dia 8 de novembro que a carcaça casada do boi apresenta consecutivos recordes diários reais. Nessa quarta, a carcaça casada do boi fechou a R$ 16,12/kg, aumento de 37,3% no acumulado do mês. 

 

Café 

 

De acordo com pesquisas do Cepea, os preços domésticos do café arábica estão em forte ritmo de alta. Especificamente no dia 25, o Indicador CEPEA/ESALQ do café tipo 6 bebida dura para melhor e posto na capital voltou a superar os R$ 500,00/saca de 60 kg.

 

Nessa terça-feira, 26, o Indicador fechou a R$ 499,61/saca de 60 kg, expressivo aumento de 8% frente à terça-feira anterior, 19. O impulso vem do avanço dos preços externos do grão, devido, especialmente, a movimentos técnicos.

 

Além disso, preocupações quanto à oferta de café arábica também influenciam as altas. Quanto ao robusta, os preços subiram, também como resultado da elevação dos valores externos, que, por sua vez, acompanharam os ganhos do arábica.

 

Na terça-feira, 26, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 peneira 13 fechou a R$ 311,46/sc de 60 kg, aumento de 2,9% em relação ao dia 19. 

 

Suínos 

 

A oferta reduzida de animais para abate e as aquecidas demandas interna e externa têm impulsionado as cotações em toda a cadeia suinícola (suíno vivo, carne e cortes) neste final de novembro, segundo pesquisas do Cepea.

 

As altas vêm sendo verificadas desde o final de setembro em praticamente todas as regiões acompanhadas pelo Cepea e têm levado os preços a patamares recordes reais.

 

O aumento na procura doméstica se deve ao período de final de ano, quando atacadistas começam a formar estoques. Além disso, o preço recorde da principal carne concorrente, a carcaça casada bovina, tem feito com que consumidores migrem para outras fontes de proteína que apresentem valores mais competitivos.

 

Quanto à maior demanda internacional, está atrelada aos contínuos surtos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia, que tem feito com que agentes dessa região – especialmente da China – aumentem as compras externas da proteína.

 

O Brasil, vale lembrar, é o quarto maior exportador mundial de carne suína. No caso do animal vivo, os valores nominais de todas as regiões acompanhadas pelo Cepea atingiram recorde nessa quarta-feira, 27, considerando-se a série do Cepea, iniciada em março de 2002. 

 

Trigo 

 

Com a colheita no Rio Grande do Sul na reta final, agentes de mercado confirmam a queda na produtividade e a baixa oferta de trigo de qualidade no estado.

 

Esse cenário e a valorização do dólar têm elevado as cotações brasileiras do trigo. No entanto, segundo colaboradores do Cepea, compradores não mostram grande necessidade de adquirir o grão no momento – esses agentes afirmam estar abastecidos e boa parte deve interromper os trabalhos em dezembro.

 

Dados da Emater apontam que, até a última quinta-feira, 21, 91% da área do RS havia sido colhida. As atividades se encerraram na região de Santa Rosa, com PH acima de 78 – no entanto, ressalta-se que o PH diminuiu nas últimas áreas colhidas, variando entre 72 e 76, consequência do alto volume de chuvas.

 

Esse problema também foi verificado em Bagé, Santa Maria e Caxias do Sul; em Ijuí, Passo Fundo e Frederico Westphalen, a colheita está na reta final, com produtividade e qualidade comprometidas; já em Erechim e Soledade, a produtividade é boa, mas a qualidade diminuiu.

 

No Paraná, o Deral/Seab indica que 98% da área havia sido colhida até o último dia 18, com 87% das lavouras em boas condições e 13% em condições médias. Em Santa Catarina, a colheita segue avançando e a qualidade do cereal é considerada muito boa, segundo colaboradores do Cepea. 

 

Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br 



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