Tecnologia e Manejo

09/01

09/01 Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi Gordo, Café, Suínos e Trigo

09/01 Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi Gordo, Café, Suínos e Trigo

 

Algodão 

 

O volume de algodão a ser colhido no Brasil na safra 2019/20 será quatro vezes superior ao estimado para a demanda doméstica – em 2018, a produção estava três vezes acima do consumo e, até 2017, correspondia por pouco mais que o dobro. Isso significa que o Brasil tem condições – e necessidade – de atender à demanda mundial durante todo o ano.

 

Pesquisadores do Cepea apontam que esse cenário é resultado da manutenção da área plantada com a pluma no País. Ainda que os preços internos do algodão em pluma no segundo semestre de 2019 tenham ficado quase 20% menores que os registrados no mesmo período de 2018, de acordo com pesquisas do Cepea, a atratividade da cultura frente a concorrentes, os investimentos em ativos fixos (como máquinas, equipamentos e beneficiadoras) e aos contratos antecipados para 2020 e 2021 incentivam produtores. 

 

Arroz

 

De acordo com levantamento do Cepea, o cenário de oferta e demanda de arroz no Brasil sinaliza para a menor disponibilidade interna observada desde 1984/85, de 12,1 milhão de toneladas, podendo também chegar a um dos mais baixos estoques de passagens, de 437,8 mil toneladas em fev/21. Quanto ao consumo interno, segue em queda no Brasil, fator que, a médio prazo, deve pressionar as cotações.

 

Segundo dados da equipe de Custos Agrícolas do Cepea, em relatório divulgado em set/19, nos últimos dez anos-safras, o patrimônio investido na produção em arroz no RS não foi remunerado. Assim, para a temporada 2019/20, é esperada a menor área de semeio desde o primeiro registro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 1,67 milhão de hectares.

 

Ainda segundo a Companhia, dados de dez/19 indicam produção brasileira de 10,52 milhões de toneladas de arroz em casca na 2019/20, 0,6% maior que a da temporada anterior. A produtividade média foi estimada em 6,27 tonelada/ha de arroz em casca, aumento de 1,8% frente à safra 2018/19. 

 

Boi Gordo

 

As exportações brasileiras de carne bovina in natura e industrializada ficaram acima de 1,8 milhão de toneladas em 2019, um recorde, segundo dados da Secex. Esse resultado esteve atrelado, especialmente, à forte demanda chinesa por proteína animal. O país asiático junto com Hong Kong foram os principais destinos da carne bovina brasileira, correspondendo por quase a metade de todo o volume enviado pelo País ao mercado internacional.

 

Segundo dados da Secex, em 2019, China e Hong Kong, juntos, foram destino de 45,31% do total de carne bovina exportado pelo Brasil, contra 43,69% em 2018. No caso da receita, os demandantes asiáticos corresponderam por 49,86% do montante total recebido por frigoríficos brasileiros, contra pouco mais de 44% em 2018.

 

Em termos absolutos, China e Hong Kong adquiriram 822,56 mil toneladas de carne brasileira, despendendo mais de US$ 3,5 bilhões, ainda conforme a Secex.

 

As exportações brasileiras, especialmente à China, devem seguir aquecidas, ao menos neste primeiro semestre. Além do alto patamar do dólar – que tende a deixar a carne brasileira competitiva no mercado internacional –, as recentes e intensas queimadas na Austrália devem reduzir a oferta de carne desse país, que, vale lembrar, já foi um importante fornecedor de proteína animal à China.

 

Café

 

O mercado nacional de café arábica têm apresentado baixa liquidez nas últimas semanas. Além da habitual retração de agentes consultados pelo Cepea, devido às comemorações e ao recesso em virada de ano, a forte variação dos preços externos e internos reforçou o cenário de poucos negócios.

 

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), na última quinzena de 2019, o contrato Março/20 (de maior liquidez) chegou a variar mais de 1.000 pontos, influenciado especialmente por fatores técnicos e movimentos cambiais.

 

No Brasil, o cenário foi praticamente o mesmo. No dia 16 de dezembro de 2019, o Indicador CEPEA/ESALQ do café tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, atingiu o maior valor desde 13 de fevereiro de 2017 (em termos reais – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de novembro/19), a R$ 571,63/saca de 60 kg.

 

Desde então, os preços recuaram fortemente, indo para R$ 509,50/sc nessa terça-feira, 7. Quanto à liquidez interna, a expectativa de agentes consultados pelo Cepea é de que siga limitada nos próximos dias.

 

Apesar de muitos agentes retornarem efetivamente ao mercado nesta semana, os baixos preços do café e o volume significativo de grãos comercializados até a primeira quinzena de dezembro de 2019 devem desestimular produtores a venderem sua mercadoria.

 

Suínos 

 

Em 2019, as exportações brasileiras de carne suína somaram 739,7 mil toneladas e a receita, US$ 1,5 bilhão, ambos recordes da série histórica da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), iniciada em 1997. O volume de carne suína embarcado no ano passado superou em expressivos 16% o de 2018 e em 8% o de 2017, ainda segundo a Secex. No caso do faturamento em dólar, o incremento foi de 33% sobre o registrado em 2018, mas ficou 2% inferior ao de 2017.

 

Em moeda nacional, no entanto, foram registradas altas expressivas, de 43,4% e de 33%, respectivamente. Além do volume elevado, o recorde na receita esteve atrelado ao preço médio pago pela tonelada em dólar e ao alto patamar do câmbio. De janeiro a dezembro/19, as exportações de produtos de origem suinícola tiveram preço médio de US$ 2.143,67/tonelada, 15% acima da média de 2018. Já o dólar teve média de R$ 3,94 em 2019, alta de 8% frente ao ano anterior.

 

O destaque em 2019 foi a China, que expandiu as compras e adquiriu 248,8 mil toneladas da carne brasileira, 92,5 mil a mais que em 2018, ultrapassando Hong Kong, que, até então, era o principal parceiro comercial do Brasil. Trata-se, ainda, do maior volume comprado pelo país asiático num ano. 

 

Trigo 

 

A sinalização de preços maiores no Brasil e o possível atraso na janela ideal para semeio de milho segunda safra nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul podem atrair produtores consultados pelo Cepea para o cultivo de trigo em 2020.

 

No Rio Grande do Sul, onde há percentual expressivo das áreas que acabam recebendo apenas culturas de coberturas de solo, também poderá haver maior cultivo de trigo.

 

Se isso acontecer, a oferta doméstica do cereal pode ser maior no último quadrimestre do ano, o que tende a impactar sobre as cotações em todo o segundo semestre deste ano.

 

Quanto aos derivados, boa parte de moinhos se mostra abastecida para o primeiro trimestre de 2020. Agentes consultados pelo Cepea apontam que deverá haver elevação nos preços da farinha e do farelo no início do ano, uma vez que os valores do trigo em grão subiram.

 

No caso do farelo, as valorizações do milho também tendem a sustentar as cotações do derivado. 

 

Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br 



Publicidade