Tecnologia e Manejo

04/07

04/07 Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi, Café, Couro, Reposição e Suínos

04/07 Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi, Café, Couro, Reposição e Suínos

 

Algodão

 

Junho foi marcado pela espera da entrada efetiva de algodão da nova safra 2018/19 no spot. Agentes de indústrias consultados pelo Cepea aguardaram maior oferta nos próximos meses e, consequentemente, preços menores. Nesse cenário, as compras no spot envolveram pequenos volumes, no intuito de atender à necessidade imediata.

 

Vendedores, por sua vez, estiveram flexíveis nos preços pedidos, mas compradores ofertam valores ainda menores. Cotonicultores consultados pelo Cepea também estiveram atentos às atividades no campo e ao desenvolvimento das lavouras.

 

Apesar do ritmo lento de colheita ao longo do mês, assim como beneficiamento, produtores alegam estar com boa parte da produção comprometida em contratos.

 

Assim, entre 31 de maio e 28 de junho, o Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, caiu 5,45% e, no acumulado ano (de 28 de dezembro a 1º de julho), a baixa é de 11,11%. 

 

Arroz

 

Em junho, beneficiadoras consultadas pelo Cepea estiveram recuadas, preferindo trabalhar com estoque já adquirido ou apenas fazer liquidações do arroz em casca armazenado nos próprios depósitos.

 

A insatisfação quanto ao volume de venda de arroz beneficiado e a “queda de braço” quanto aos valores do fardo junto aos setores atacadista e varejista enfraqueceram ainda mais a procura compradora. 

 

Assim, de 31 de maio a 28 de junho, o Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros, cedeu 2%, fechando a R$ 43,45/sc de 50 kg no dia 28. Especificamente nos últimos sete dias (25 de junho a 2 de julho), o casca se desvalorizou 0,7%, indo a R$ 43,25/sc de 50 kg no dia 2.

 

Apesar do recuo nos valores da saca, produtores consultados pelo Cepea disponibilizaram seus lotes conforme as necessidades de “fazer caixa” e de efetuar pagamentos dos compromissos de safra.

 

Entretanto, corretores ressaltaram o baixo ritmo de comercialização ao longo de junho, com ausência de ofertas de compra e venda, principalmente para o arroz “livre” (armazenado nas propriedades rurais).

 

Boi

 

As exportações nacionais de carne bovina in natura seguem em bom ritmo. No balanço do primeiro semestre, o volume embarcado ficou próximo do recorde atingido em 2007. Esse cenário, somado ao dólar em elevado patamar ao longo deste ano, garantiu receita recorde de quase R$ 10 bilhões no primeiro semestre.

 

De janeiro a junho, os embarques de carne bovina totalizaram 678,69 mil toneladas, 27% acima do volume exportado no primeiro semestre do ano passado e apenas 2,85% abaixo do recorde observado de janeiro a junho de 2007 (de quase 700 mil toneladas), de acordo com dados da Secex.

 

A receita totalizou US$ 2,57 bilhões no primeiro semestre, 15% a mais que a registrada de janeiro a junho de 2018 e abaixo apenas da obtida em 2014, de US$ 2,728 bilhões.

 

Em Reais, a receita do primeiro semestre atingiu R$ 9,89 bilhões, um recorde e 30% a mais que a do mesmo período do ano passado, conforme dados da Secex. Quanto ao mercado da semana, entre 26 de junho e 3 de julho, o Indicador do boi gordo ESALQ/B3 caiu ligeiro 0,06%, indo a R$ 153,85 nessa quarta-feira, 3. 

 

Café

 

Pesquisas do Cepea apontam que a temporada brasileira de café 2018/19 foi finalizada com preços inferiores aos observados na 2017/18. Na safra (de julho/18 a junho/19), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 teve média de R$ 422,62/saca de 60 kg, queda de 14,9% frente à da temporada anterior, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de maio/19).

 

Quanto ao Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6, a média dos preços em 2018/19 foi de R$ 317,28/saca, 20,1% inferior à de 2017/18. A acentuada queda das cotações do arábica e do robusta esteve atrelada, principalmente, aos recuos nos valores externos de ambas as variedades ao longo de 2018/19.

 

O movimento de baixa nos preços internacionais, por sua vez, foi influenciado pela elevação da oferta global do grão, tendo em vista a safra recorde no Brasil e a boa produção no Vietnã e na Colômbia, segundo e terceiro maiores produtores mundiais, respectivamente.

 

Para o robusta, a queda acentuada das cotações vêm ocorrendo desde 2017/18, devido à recuperação da produção nacional, após o período de seca e safras volumosas no Vietnã, maior produtor da variedade.  

 

Couro 

 

Apesar da estabilidade no mercado do couro verde (a última variação de preço registrada foi no dia 5/6), a pressão de baixa vem ganhando força.

 

Negócios sendo realizados abaixo da referência atual (R$0,50/kg, para o produto de primeira linha) têm se tornado cada vez mais frequentes no Brasil Central.

 

Além da menor precificação, tanto do couro verde como também do produto final, o volume de couro exportado caiu. Considerando a média diária exportada nas três primeiras semanas de junho de 2019 houve retração de 9,5% em relação a média diária embarcada em junho do ano anterior.

 

No Rio Grande do Sul, o cenário é semelhante. No estado, o couro verde comum está cotado em R$1,00/kg, queda de 35,5% nos últimos doze meses.

 

Para o curto prazo, a expectativa é de que a baixa demanda pelo produto final mantenha o mercado do couro verde pressionado.

 

Reposição 

 

Nas últimas semanas, o mercado de reposição trabalhou mais fraco no Pará. Mas em uma análise mais longa, a demanda superior à oferta refletiu em valorizações para todas as categorias. 

 

Para um exemplo, considerando as médias mensais, em junho a cotação do bezerro anelorado de desmama (6@) ficou 3,2% superior em relação a maio último. 

 

Contudo, em relação ao mesmo período do ano passado, o bezerro desmamado está 30,6% mais caro. 

 

As cotações das categorias restantes também subiram no período. O preço do bezerro anelorado de ano de 7@ aumentou 22,1%, do garrote de 9,5@ subiu 15,1%, e a menor valorização foi de 9,6% para o boi magro de 12@. 

 

Neste mesmo intervalo de doze meses, o boi gordo ficou 12,4% “mais caro”. Portanto, em um ano, a única relação que a troca que ficou positiva para quem compra reposição no Pará foi a do boi magro. 

 

O poder de compra do invernista na troca com esta categoria mais erada melhorou 2,5% na comparação anual. Já com o bezerro desmamado, a troca saiu de 2,26 animais em junho de 2018 para 1,95 em junho de 2019. 

 

Suínos 

 

As cotações médias do suíno vivo subiram mais de 10% de maio para junho em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Esse cenário esteve atrelado à maior demanda de frigoríficos por novos lotes de animais. As exportações em ritmo intenso nas últimas semanas fizeram com que frigoríficos que atendem ao mercado externo aumentassem o volume de abate, o que resultou em elevação nos preços pagos pelo suíno vivo.

 

Em Santa Catarina, principal região produtora e exportadora da carne, a valorização do animal vivo, colocado na indústria, foi de 16%, de maio para junho.

 

No Paraná, o aumento foi de 15,5% e, no Rio Grande do Sul, de 11,7%. Em junho, o suíno vivo foi negociado, em média, a R$ 4,67/kg no mercado catarinense, a R$ 4,88/kg no paranaense e a R$ 4,69/kg no gaúcho.

 

Nos estados de São Paulo e de Minas Gerais, importantes centros consumidores da carne, as cotações do suíno vivo posto no frigorifico também avançaram de maio para junho.

 

Nas praças paulistas, o suíno vivo foi negociado, em média, a R$ 5,12/kg, em junho, e no mercado mineiro, a R$ 5,34/kg, altas respectivas 14,9% e 18,3% frente a maio. 

 

Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br e Scot Consultoria 



Publicidade