Tecnologia e Manejo

26/04

Os cinco erros mais comuns na aplicação de defensivos

Os cinco erros mais comuns na aplicação de defensivos

 

Usados para combater pragas e doenças no campo, os defensivos agrícolas também contribuem para o aumento de produtividade nas lavouras. No entanto, a aplicação incorreta desses produtos pode trazer prejuízos financeiros ao produtor e ao meio ambiente. De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Emater em 2016, quase 46% das aplicações são desperdiçadas por erros humanos.

Para evitar o uso incorreto a Arysta LifeScience, em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), criou o programa Aplique Bem, que leva treinamentos sobre a correta aplicação desses insumos a agricultores de todo o país. “Muitas vezes, o produtor tem dificuldade de identificar o problema na aplicação, seja pela prática ou costume que ele já tem, ou até pela falta de conhecimento. O programa leva, de forma prática, maneiras de identificar os problemas no manejo e nos equipamentos”, fala Liria Hosoe, gerente de registro da Arysta LifeScience.

Liria alerta que para realizar uma boa aplicação é necessário que os apetrechos estejam bem regulados, que o aplicador conheça esses dispositivos e que as condições climáticas sejam respeitadas. “Velocidade do instrumento, temperatura e vento são exemplos de fatores que afetam a pulverização”, diz. Além disso, a gerente destaca a importância da capacitação dos lavradores. “No mercado existem acessórios que são melhores para cada tipo de cultivo. Nem sempre o produtor sabe disso ou percebe o quanto perde, o quanto desperdiça e o quanto de economia ele poderia fazer com um bom manejo. No treinamento, apontamos problemas simples que podem ser resolvidos no local, por exemplo”.

Confira abaixo a lista dos principais erros, dúvidas e recomendações da Embrapa na aplicação dos defensivos.

1. Escolher um produto inadequado

Ao comprar o defensivo, certifique-se que o mesmo tenha registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e que seja adequado para determinada cultura e praga a ser combatida. Outra dica é ler a bula do produto para checar a formulação, classe toxicológica, modo de ação, doses recomendadas, etc.

2. Não regular o equipamento

Para uma aplicação perfeita, é importante revisar toda a ferramenta que será usada. A Embrapa Uva e Vinho recomenda examinar os bicos individualmente, verificar o volume de calda a ser aplicado, o número e tamanho das gotas, a pressão dos bicos, a dosagem, a diluição, a agitação e a necessidade de adição de adjuvantes. Caso o agricultor ainda tenha dúvidas, a sugestão é consultar um profissional da área, como um engenheiro agrônomo, para indicar as melhores proporções.

3. Errar na limpeza e manutenção dos bicos

Para que o dispositivo distribua uniformemente a quantidade de produto na produção, é importante realizar a higienização e a troca dos bicos. Na limpeza não devem ser utilizadas agulhas, arames, canivetes, gravetos ou a boca, e nem lavar os equipamentos em riachos, córregos ou lagoas. O ideal é usar um instrumento que não danifique o bico, como uma escova com cerdas de nylon (escova de dentes), fio de nylon ou ar comprimido. Sobre a substituição do bico, a recomendação da Embrapa Uva e Vinho é que seja feita quando a média da vazão ultrapassar em 10% a vazão de um bico novo.

4. Não regular corretamente o pulverizador

Devido ao desgaste natural do bico ou a perda da calibração, é importante calibrar o pulverizador periodicamente. Neste processo, é essencial seguir os seguintes passos: utilizar os equipamentos de proteção individual (EPI), abastecer o pulverizador com água limpa, avaliar a existência de vazamentos, determinar a distância em metros entre os bicos e determinar a velocidade de trabalho em um terreno plano que tenha características parecidas com as condições de pulverização.

5. Desrespeitar as condições climáticas

Um erro muito comum entre os agricultores é aplicar os defensivos contra o vento. A recomendação é não realizar a pulverização na presença de ventos com velocidade acima de 10 km/h, pois gotículas do produto podem se alastrar para outras áreas e contaminar plantações vizinhas. Em caso de ameaça de chuvas ou plantas estressadas, não realize a aplicação  Ì¶ mesmo que os ventos estejam com velocidade inferior a 10 km/h  Ì¶  pois a eficiência do tratamento pode ser mínima ou até nula. Segundo a Embrapa Uva e Vinho, as águas das chuvas podem lavar o produto e impedir a absorção das plantas, visto que alguns herbicidas precisam de até seis horas para fazerem efeito. Já em períodos de baixa umidade, como as cutículas das plantas ficam desidratadas, as gotas dos defensivos se cristalizam e a absorção da molécula pela planta é dificultada. Em altas temperaturas, ocorre um processo parecido: as moléculas dos defensivos podem evaporar rapidamente, não havendo nenhum efeito. Por outro lado, em temperaturas baixas, as plantas ficam com o metabolismo reduzido e absorção também é diminuída.

Globo Rural 



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