Tecnologia e Manejo

04/05

Programa Leite Mais agrega qualidade, sustentabilidade e bem-estar animal e humano

Programa Leite Mais agrega qualidade, sustentabilidade e bem-estar animal e humano

 

“Programa Leite Mais” do IZ fundamentado em três pilares – resiliência, qualidade e ambiência busca gerar e transferir conhecimento tecnológico e científico para fomentar a cadeia de produção de leite do estado de São Paulo é um dos temas apresentados pelo Instituto de Zootecnia (IZ/Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, na Agrishow 2018 - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação,  até 4 de maio, em Ribeirão Preto (SP),  no espaço Caminho do Leite.

 

O pilar resiliência em sistema de produção de leite está fundamentado na capacidade de utilização de mecanismos de adaptação próprio frente às mudanças climáticas e adventos extremos, através do uso eficiente dos recursos naturais, diversidade genética e manejo.

 

O pilar qualidade está relacionado à identificação de alterações desejáveis, provenientes de mudanças genéticas e ou nutricionais na composição do leite, de maneira que o produto se torne cada vez mais adequado às condições econômicas, sociais e ambientais, vigentes e futuras. Outro fator importante neste pilar é a segurança alimentar para os consumidores e animais, estudada pela presença de bactérias patogênicas na glândula mamária dos animais e suas resistências a antibióticos, presença de resíduos de antibióticos no leite e, por fim, a presença de toxinas na alimentação dos animais e presentes no leite.

 

O pilar ambiência e bem-estar, que engloba a ética na produção animal, levando em consideração o animal, o homem e a relação entre eles, busca subsídios para compreensão da espécie e da sua relação com o ambiente.

 

A base física de sustentação do Programa é os sistemas integrados, seja lavoura pecuária, lavoura pecuária floresta e silvipastoril, estabelecidos na Unidade do IZ em Nova Odessa, onde são inseridas todas as ações de pesquisa relacionadas ao rebanho leiteiro, nas áreas de Nutrição e Pastagens, Comportamento e Ambiência, Melhoramento Genético, Sanidade e Qualidade do leite.

 

A principal linha de pesquisa em nutrição e pastagens é a avaliação da produção de leite em sistemas integrados. Já na área de comportamento animal e ambiência o foco é a criação de bezerras leiteira.

 

“No melhoramento genético animal o objetivo é a seleção e formação do rebanho com todas as fêmeas para os alelos da beta caseína, buscando formar um rebanho com todas as matrizes homozigotas para o alelo A2 da beta caseína. Alcançando um produto final que não causa problemas de saúde, com melhor digestão”, destaca o pesquisador do IZ, Anibal Eugênio Vercesi Filho.

 

As raças zebuínas, além de agregar características já conhecidas – como rusticidade, adaptabilidade e resistência parasitária –, apresentam mais essa grande vantagem, pois os zebuínos produzem, predominantemente, leite A2.

 

De acordo com o pesquisador, o cruzamento de raças leiteiras européias com a raça Gir Leiteiro pode ser utilizado como recurso genético mais apropriado para produção de leite apenas com a proteína beta caseína A2, “que, segundo dados científicos, agrega valor ao leite bovino e ao consumidor, por não estar associado a uma série de problemas de saúde humana”.

 

IZ destaca o projeto de seleção das raças Holandesa, Jersey e Girolanda para produção de leite A2

 

O IZ intensifica a pesquisa para formar rebanho com genes da beta caseína A2, que produzirá leite com melhor qualidade e propriedades nutracêuticas (A2), proporcionada pelo melhoramento genético, agregando valor ao produto, contribuindo para a melhor remuneração do produtor.

 

O IZ tem realizado a seleção por meio da genotipagem dos animais para os alelos da beta caseína A (A1 e A2), visando selecionar matrizes que produzam leite contendo a beta caseína A2, proteína altamente relacionada a benefícios decorrentes do consumo de leite à saúde humana, associada à manutenção dos níveis adequados de colesterol, manutenção de níveis glicêmicos e diminuição da incidência de alergia. “Vale ressaltar que há várias proteínas no leite, potencialmente alergênicas, mas dentre os diversos problemas para saúde humana, provocados pela proteína A1, a alergia não é o principal deles. E essa proteína também não está relacionada com intolerância à lactose”, enfatiza segundo o médico veterinário, pesquisador Anibal Eugênio Vercesi Filho.

 

Um dos principais objetivos, segundo Anibal, é compor um rebanho que produza apenas leite com a beta caseína A2. As matrizes do rebanho tiveram o material genético coletado e este material vem sendo analisado pelo Laboratório de Genética Molecular do Instituto de Zootecnia. “Assim, em médio prazo, o IZ poderá fornecer leite contendo apenas a beta caseína A2, além de matrizes e reprodutores que passaram para seus descendentes essa mesma característica”, destaca.

 

Conforme explica o pesquisador, o teste genético para Caseína A2 é semelhante ao teste de paternidade, coleta material biológico da vaca, extrai o DNA e através da genética molecular identifica a composição genética. No rebanho do IZ, estão utilizando vacas A2/A2 para produção de embriões e para aumentar rapidamente a frequência do A2.

 

O Centro de Pesquisa iniciou o projeto de melhoramento genético do rebanho da raça Holandesa, com 150 vacas, com objetivo de ter somente animais que produzam leite com a beta caseína A2, e que passarão para seus descendentes essa mesma e importante característica. Desse projeto, já nasceram cerca de 30 bezerros. “Em cinco anos, o IZ poderá ofertar tourinhos e leite A2, através da composição do rebanho para atender à demanda”, esclareceu Anibal.

 

Os pesquisadores, do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite do IZ, estão empenhados no andamento do projeto do Leite A2, pois ao ter um leite que esteja relacionado à saúde humana, irá agregar valor ao produto e aumentar a rentabilidade da atividade. Anibal ainda enfatizou que não há uma legislação para o leite A2 – diferencial que deverá ser melhor aproveitado –, pois hoje o leite com proteína A2 é misturado aos demais, anulando sua vantagem. “Ao ponto que houver maior interesse pelo produto, com certeza a cadeia produtiva se organizará e os próprios agentes econômicos – produtores, cooperativas de laticínios e indústrias – exigirão legislações e mecanismos que agreguem valor a um leite diferenciado.”

 

A meta do projeto é melhorar esse rebanho para três características econômicas – a produção de proteína, a contagem de células somáticas, que indica a sanidade de úbere e, consequentemente, saúde para as vacas com leite saudável e a vida útil da vaca, para que fique mais tempo em produção no rebanho.

 

Os trabalhos do IZ iniciaram-se com a genotipagem da raça Gir Leiteiro. No projeto foram genotipadas 385 matrizes da raça Gir Leiteiro, raça zebuína mais utilizada para produção de leite no Brasil, principalmente, para a produção de animais mestiços.

 

A raça Gir Leiteiro, além de agregar características já conhecidas – como rusticidade, adaptabilidade e resistência aos endo e ecto parasitas –, apresentam mais essa grande vantagem. Na raça também predomina o leite A2 e há uma elevada frequência do gene que codifica a beta caseína A2, não sendo afetada pela mutação genética do Alelo A1.

 

Em países como Austrália e Nova Zelândia, a comercialização de leite A2 não é uma novidade. No Brasil, a oferta desse produto ao mercado deve ser realidade em breve, estima o pesquisador do IZ. 

 

Francisco Jardim, Secretário da Agricultura, destaca que “o nível tecnológico das pesquisas do IZ são de grande relevância para que a cadeia do leite produza com competitividade, visando à qualidade e segurança alimentar, conforme é enfatizado nos programas de produção de alimentos de origem animal do governo de São Paulo”.

 

Lisley Silvério (MTb. 26.194)


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