Tecnologia e Manejo

19/10

IZ avalia a produtividade e viabilidade de sistemas ILP e de monocultivos

IZ avalia a produtividade e viabilidade de sistemas ILP e de monocultivos

 

Para transpor os desafios atuais dos sistemas de produção de proteína vegetal e animal e gerar dados promissores para a sociedade, o Instituto de Zootecnia (IZ) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está desenvolvendo um amplo projeto de pesquisa, para analisar a produtividade, impactos e viabilidade dos sistemas integrados de lavoura pecuária (ILP) em relação aos sistemas de monocultivos.

 

O maior benefício para os produtores rurais está na diversificação de produtos – grãos, fibra, carne, leite, energia – na maximização do uso do solo e na qualidade química, física e biológica do solo, no aumento da produtividade de alimento de origem animal e vegetal, na diminuição do impacto ambiental e em ter um sistema mais viável, economicamente.

 

O projeto, denominado “Impacto ambiental, produtividade e viabilidade econômica de sistemas convencional ou integrado de lavoura pecuária”, está sendo desenvolvido no Centro Avançado de Pesquisa em Bovinos de Corte do IZ, unidade Sertãozinho (SP), sob a coordenação da pesquisadora Dra. Flávia Fernanda Simili. O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

 

Segundo a pesquisadora, o estudo analisa simultaneamente, os sistemas ILP e monocultivo de produção de milho grão e recria de bovinos de corte da raça Caracu em pastagem de capim-marandu, avaliando o desempenho animal e os efeitos na qualidade do solo, seu impacto ambiental e a viabilidade econômica dos sistemas.

 

A ILP é uma importante estratégia, para aumentar a produção agropecuária, otimizando o uso de áreas agricultáveis, além de permitir o aproveitamento de tecnologias e promover melhorias das características do solo. “O conceito primordial de produção integrada é a utilização de resíduos de uma das culturas para que haja o incremento e benefício da outra cultura e, consequentemente, favorecendo ambas”.

 

No experimento estão sendo avaliados seis tratamentos: monocultivo de milho; monocultivo de capim-marandu; milho integrado com capim-marandu, semeados simultaneamente; milho integrado com capim-marandu, semeados simultaneamente com aplicação de nicosulfuron; milho integrado com capim-marandu, semeado na adubação de cobertura do milho; milho integrado com capim-marandu, semeado na linha e na entrelinha do milho, simultaneamente, com aplicação de nicosulfuron, tendo como produto final o grão para monocultivo de milho, o boi gordo para monocultivo de capim-marandu e para todos os tratamentos integrados com milho e capim-marandu, o grão e o boi gordo.

 

A área experimental utilizada é de 18 hectares, sendo três hectares por tratamento, com avaliação por dois anos. Resultados parciais da pesquisa demonstraram que os tratamentos integrados não influenciaram a produção de milho grão, com média em torno de 12 toneladas/ha. E até o momento a pastagem de capim-marandu proveniente dos sistemas integrados foi muito bem estabelecida, com média de 8 UA/ha no verão e 2 UA/ha no inverno.

 

Para o Secretário da Agricultura, Arnaldo Jardim, o projeto vem fortalecer e incentivar o conceito da integração lavoura pecuária e seus benefícios ambientais, produtivos e econômicos. “Essa realidade aproxima a ciência da realidade dos produtores rurais do estado de São Paulo, conforme enfatiza o governador Geraldo Alckmin sobre sustentabilidade ambiental”, destacou.

 

Para a condução da pesquisa, o projeto conta com a participação de quatro alunos de mestrado e um bolsista Fapesp: Gabriela Mendonça, mestranda da FMVZ/USP; Jeferson Garcia e Pedro Bonacim, mestrandos da PG-IZ; Leonardo Menegatto, bolsista Fapesp (TT3); e Nayane Maia, mestranda da FCAV/UNESP.

 

Diferencial

 

A pesquisadora destacou que a grande importância e diferencial do projeto estão em relação a outros projetos de Integração Lavoura Pecuária, “pois está sendo simulado o que realmente acontece em uma propriedade rural, em caso do produtor optar por aderir à tecnologia de ILP”.

 

Além disso, Flavia disse que grande parte dos resultados, encontrados nas literaturas, é conduzida em pequenas parcelas experimentais, demostrando resultados apenas da produção vegetal, sem a presença de bovinos.

 

Existe ainda uma deficiência em relação à demonstração de resultados comparada ao desempenho animal e ao desempenho vegetal. “Muitas vezes, a falta de disponibilidade de ruminantes de grande porte, especialmente bovinos de corte e leite, é um entrave para o avanço das pesquisas em sistemas integrados”, enfatizou a pesquisadora.

 

Desafios

 

De acordo com a pesquisadora, para migrar de sistemas de monocultura e especializados para sistemas integrados, exige mão de obra capacitada, domínio de novas tecnologias e investimentos em infraestrutura, bem como capacidade gerencial e conhecimento de novos tipos de mercado, “Portanto, para convencer o produtor rural é preciso de resultados econômicos confiáveis, que mostre ao produtor que ele terá retorno e que o risco do investimento inicial será compensado em um futuro próximo”.

 

"O projeto será finalizado em março de 2018 e assim teremos a oportunidade de divulgar qual será o melhor sistema de produção que irá proporcionar maiores benefícios aos produtores, de acordo com o que vem sendo estudado neste projeto", completou Simili.

 

Flávia conclui que os sistemas integrados permite uma vasta combinação de tipos de produtos que serão gerados, como por exemplo: soja, milho, sorgo, aveia, silagem, feno, carne, leite, e a combinação do tipo de Integração que será escolhido pelo produtor depende de diversos fatores, não só climáticos, mas econômicos, sociais e ambientais. Ela ressalta que “cada caso é um caso” e para se ter sucesso é preciso saber gerenciar todas essas variáveis. 

 

Lisley Silvério (MTb 26.194)

Assessora de Imprensa
Instituto de Zootecnia
Secretaria de Agricultura e Abastecimento SP

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