Tecnologia e Manejo

17/10

APTA identifica materiais de goiaba que podem ser usados no cultivo orgânico

APTA identifica materiais de goiaba que podem ser usados no cultivo orgânico

 

Pesquisa conduzida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, identificou materiais de goiaba resistentes a pragas e doenças que podem ser utilizados em sistema orgânico de produção. A goiaba é uma das fruteiras que mais recebe aplicação de defensivos agrícolas. O trabalho ficou na terceira colocação do Prêmio Josué de Castro de Combate à Fome e a Desnutrição, na categoria “Melhor pesquisa científica”, oferecido pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea/SP), em 16 de outubro de 2017. 

 

O objetivo do trabalho do Polo Regional de Pindorama da APTA em conjunto com o Polo Regional de Bauru e o Instituto Agronômico (IAC-APTA) foi identificar no banco de germoplasma materiais de goiaba com resistência a pragas e doenças, especialmente a mosca-das-frutas, principal praga da cultura. A ideia foi selecionar aqueles materiais menos suscetíveis e com aptidão comercial que podem ser usados no melhoramento genético da cultura e em cultivo orgânico. O banco de germoplasma do Instituto Agronômico (IAC), mantido no Polo Regional de Pindorama da APTA, possui 84 acessos. 

 

Segundo a pesquisadora da APTA, Juliana Altafin Galli, responsável pelo trabalho, o desenvolvimento de um sistema orgânico de produção de goiaba é um grande desafio, pois a goiabeira é uma das espécies de frutíferas que mais recebe aplicação de defensivos. Além disso, não há produtos registrados para a cultura no Brasil. “Com o aumento da procura por produtos orgânicos, a pesquisa científica busca solucionar problemas existentes no processo de produção. É com imensa satisfação que recebemos este prêmio, como reconhecimento e valorização do nosso esforço”, comemora. O projeto, iniciado em 2012, foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e os primeiros resultados foram obtidos em três anos. 

 

Dentre os resultados observados para resistência a pragas, os pesquisadores destacam os acessos de goiaba “L4P14”, “L7P28” e “L8P32B”, que apresentaram alguma resistência ao ataque do psilídeo Triozoida sp. Os acessos “Saito”, “L4P16”, “Monte Alto Comum 1” e “L5P19” são promissores na agricultura orgânica, segundo os pesquisadores, por apresentarem boa produção e sofrerem poucos danos ao ataque do besouro amarelo Costalimaita ferrugínea. 

 

Na infestação por mosca-das-frutas, principal praga da cultura, o acesso “IAC – 4 – Cica” merece destaque na avaliação dos cientistas por não apresentar nenhum fruto infestado, sem diferir do acesso Taquaritinga comum, ambos com polpas vermelhas. Os acessos “Torrão de Ouro”, “Supreme BA”, “L2P4” e “Supreme” também tiveram poucos frutos atacados pela mosca.

 

No quesito resistência a doenças, a antracnose e a pinta preta são as doenças pós-colheita mais frequentes na cultura da goiabeira, e os acessos “Vermelha Redonda (Shimoda)”, “L5P21”, “L3P12”, “EEF – 3”, “IAC – 4 – UNESP” e “Monte Alto – Comum 1” destacaram-se dos demais por apresentarem as menores incidências em pelo menos duas doenças, a antracnose e a pinta preta”, explica Juliana. 

 

As características dos frutos para consumo in natura também foram avaliadas pelos pesquisadores. De acordo com o estudo, os acessos “Kioshi 1” e “Taquaritinga Comum” merecem destaque, pois possuem frutos firmes e com mais de 100g, o que é considerado um bom tamanho, características importantes para o transporte e comercialização. “Além disso, apresentam bom teor de ácido ascórbico e de sólidos solúveis e baixa acidez, cerca de 0,5% de ácido cítrico, conferindo doçura aos frutos, têm formato piriforme, casca rugosa e coloração da casca e polpa desejadas pelos consumidores. Outro acesso que merece destaque é o “EEF-3 UNESP” por seu alto teor de ácido ascórbico (269,69 mg 100g-1) podendo ser utilizado em programas de melhoramento genético”, diz. 

 

Agora, os pesquisadores desenvolvem um novo estudo que busca a caracterização molecular das plantas do banco de germoplasma a fim de acelerar o trabalho de melhoramento genético da fruta. O projeto também é financiado pela Fapesp.

 

“Pesquisas como essa são fundamentais para o produtor rural e também para o consumidor, uma recomendação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

 

Prêmio Josué de Castro de Combate à Fome e a Desnutrição

 

O Prêmio Josué de Castro de Combate à Fome e a Desnutrição tem o objetivo de agraciar iniciativas voltadas à formulação de soluções concretas para o combate à fome e a promoção da segurança alimentar e nutricional.

 

Universidades e instituições públicas e privadas, além de órgãos públicos municipais ou estaduais podem participar em duas categorias: melhor pesquisa científica e melhor programa ou projeto de política pública. 

 

Por Fernanda Domiciano


Assessoria de Imprensa – APTA

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