Tecnologia e Manejo

19/04

Como plantar erva-doce

Como plantar erva-doce

 

Uma das plantas mais utilizadas para o preparo de chás é o funcho (Foeniculum vulgare), nome pelo qual pesquisadores científicos tratam a popularmente conhecida erva-doce. Por ser uma das opções de bebida quente preferidas pelos brasileiros, é facilmente encontrada na versão de folhas secas e de sementes no varejo alimentício de todo o país. 


A erva-doce também é usada como ingrediente para diferentes receitas culinárias. É aromatizante apreciado em bolos, pães, molhos e peixes, conferindo ainda aos pratos e alimentos um sabor especial. Ao natural, seus talos dão frescor e crocância às saladas, complementam caldos e são ótimos para mergulhar em patês quando cortados em tiras.

 

Indicada para aliviar problemas digestivos e flatulência e ajudar na diurese, já era, no século XII, na Alemanha, recomendada pela estudiosa de plantas medicinais, a abadessa beneditina Hildegarda de Bingen, para melhorar a digestão, o humor e a visão. A erva-doce tem propriedades antiespasmódicas, estimulantes e relaxantes, além de ser vermífugo e antirreumático. O chá feito das folhas ou sementes é dica de remédio usado há gerações para eliminar cólicas intestinais em bebês e crianças.

 

Embora não haja evidências científicas, existem relatos de que a erva-doce é composta de nutrientes que auxiliam na produção de leite materno. Rica em vitamina C, além de conter vitaminas A e do complexo B, a planta contém fibras, cálcio, ferro, fósforo, potássio, cobre, sódio e zinco.

 

A erva-doce ainda é empregada na indústria de cosméticos para a fabricação de uma vasta gama de produtos. Empresta sua suave fragrância a sabonetes, cremes para o corpo, xampus e condicionadores, entre outros itens de perfumaria comercializados no mercado nacional.


"Pode ser plantada em pequenos espaços, junto a hortas e em qualquer região de norte a sul do país, dada sua boa adaptação ao clima variado do Brasil"Dotada de vários benefícios, diversas finalidades de uso e de cultivo fácil, a cultura pode contribuir para reforçar o rendimento financeiro mensal do agricultor. Pode ser plantada em pequenos espaços, junto a hortas e em qualquer região de norte a sul do país, dada sua boa adaptação ao clima variado do Brasil. Somente na primeira vez é preciso comprar as sementes, que, abundantes, não faltam para os cultivos subsequentes.

 

Originária do Mediterrâneo, a erva-doce é uma planta que pode atingir até 2,5 metros de altura, dependendo da cultivar. Por isso, é bom apoiar o caule flexível com uma estaca, para evitar quebras com a incidência de ventos fortes. O comprimento das folhas pode se estender por 40 centímetros. Pequenas, as flores perfumadas atraem borboletas e abelhas.

 

Apesar de ser perene, a erva-doce é muitas vezes cultivada como planta anual ou bianual. Em regiões de clima quente, o plantio inicia-se durante o outono e, em áreas mais frias, nos meses da primavera, visto que as folhas e as sementes chegam ao ponto de colheita em momentos diferentes.

 
Mãos à obra
 

>>> INÍCIO As variedades de erva-doce se caracterizam pela finalidade de uso. A funcho-de-florença, ou erva-doce-de-cabeça, é ideal para o consumo do bulbo, tanto na versão crua ou grelhada quanto assada. Os caules mais grossos também são aproveitados na alimentação, como os talos do aipo (ou salsão). A funcho-bravo tem nas suas folhas delicadas seu principal produto, mas ainda oferece sementes de sabor licoroso, utilizadas como condimento.

 

>>> AMBIENTE Regiões de clima ameno ou moderadamente quente são as mais indicadas para o cultivo de erva-doce. A planta, no entanto, resiste a geadas leves. O local de plantio deve ser iluminado, recebendo luz direta por algumas horas do dia, o que ajuda na redução de ocorrência de pulgões, seu maior problema fitossanitário. Reserve espaço exclusivo para a cultura, pois a erva impede o crescimento de outras plantações. 

 

>>> CUIDADOS Com regas frequentes, mantenha o solo úmido, sobretudo no período de germinação das sementes. Evite, no entanto, que fique encharcado. O florescimento precoce da erva-doce pode ocorrer com a falta de água. Principalmente nos primeiros meses de plantio, livre o local de plantas invasoras e concorrentes de nutrientes e de recursos do ambiente. Aplique um inseticida à base de piretrina para combater pulgões e moscas-brancas.>>> PLANTIO Semeado em local definitivo, apresenta menos risco de não pegamento em comparação ao transplante de mudas. Contudo, se optar pelo uso de sementeira, faça o transplante quando a planta ainda estiver bem jovem, com no máximo quatro folhas. Como a erva-doce não tem bom desenvolvimento em solos muito ácidos, o pH indicado é na faixa de 6 a 7. A preferência é por solos bem drenados, férteis e ricos em matéria orgânica. Cultivos em vasos ou jardineiras, somente se possuírem profundidade acima de 30 centímetros, para assegurar espaço para o sistema radicular da erva-doce. Use solo leve e cascalho para drenagem.

 

>>> ESPAÇAMENTO De 25 a 30 centímetros de distância entre plantas é o mais adequado para o cultivo de erva-doce. Elas devem ser cobertas com uma camada fina de solo, com cerca de 0,3 centímetro.

 

Raio X>>> PRODUÇÃO De funcho-de-florença ocorre após 80 a 100 dias depois do plantio. Faça a colheita antes de surgirem as inflorescências, para evitar que o sabor torne-se amargo. Corte a erva-doce a 2,5 centímetros do solo, altura que permitirá à planta rebrotar. Para colher as sementes, quando as flores estiverem marrom, chacoalhe firme o caule. Embaixo da planta, coloque uma tigela ou um tecido. Em seguida, deixe as sementes secarem e armazene-as em local fresco e escuro. Quando a planta atingir 15 centímetros de altura, devem ser colhidas as folhas que estiverem na parte superior.

 

Criação mínima: um milheiro

 

Custo: o preço do milheiro oscila entre R$ 150 e R$ 350

 

Retorno: a partir de um ano

 

Reprodução: entre 2 e 5 anos de idade é o melhor período


 

*Eloisa Cavassani Pimentel é médica homeopata, acupunturista com formação em fitoterapia e ministra cursos de plantas medicinais, Clínica CHAI, Campinas (SP), tel. (19) 3234-0357, dra.eloisapimentel@gmail.com; e Pedro Melillo de Magalhães é pesquisador da divisão de agrotecnologia do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas Biológicas e Agrícolas da Unicamp; Caixa Postal 6171, CEP 13081-970, Campinas (SP), tel. (19) 2139-2891, pedro@cpqba.unicamp.br

 

Onde comprar: em lojas de produtos agropecuários e em setores de hortaliças de instituições de pesquisa

 

Mais informações: Embrapa Hortaliças, BR0-060, Km 09, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília (DF), tel. (61) 3385-9000, www.embrapa.br/fale-conosco; e setor de plantas medicinais do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Av. Barão de Itapura, 1481, Jardim Guanabara, Campinas (SP), CEP 13020-902, tel.(19) 2137-0600

 

Globo Rural 



Publicidade