Tecnologia e Manejo

14/12

Embrapa desenvolve fertilizante alternativo

Embrapa desenvolve fertilizante alternativo

 
Resíduos produzidos nas fazendas e capazes de causar impactos ambientais negativos se mal descartados podem ser matéria-prima de fertilizantes eficazes. É o que tem demonstrado estudo realizado pela Embrapa Milho e Sorgo de Minas Gerais com a cultura de milheto. Foram utilizados resíduos orgânicos suplementados com minerais e microrganismos solubilizadores, que tornam o fósforo disponível para a planta. Os pesquisadores registraram maior crescimento das plantas, maior extração de nutrientes e maior disponibilidade de fósforo no solo.
 
Adubos alternativos podem ser produzidos a partir de resíduos como cama de frango, estercos e restos de culturas. São materiais orgânicos que, se não receberem destinação adequada, podem impactar o meio ambiente. O fertilizante também recebe uma mistura de fonte mineral, como pó de rochas, e ainda podem ser adicionados microrganismos solubilizadores, como bactérias que aumentam a disponibilidade de nutrientes para as plantas.
 
O uso combinado de microrganismos, resíduos orgânicos e pó de rochas como fonte de fósforo apresenta um benefício ambiental significativo, conforme explica a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo Christiane Paiva. “Como na agricultura altas doses de fósforo precisam ser adicionadas ao solo por meio de fertilizantes químicos, suprir, mesmo que parcialmente, essa demanda fazendo uso de adubos organominerais, adicionados de microrganismos solubilizadores, é contribuir para a sustentabilidade agrícola”, afirma a especialista. Para ela, a pesquisa demonstra o potencial de utilização desses microrganismos em associação com rochas fosfatadas como alternativa ao uso de fertilizantes convencionais.
 
Economia
 
Além do benefício ambiental, a adubação organomineral é mais barata, uma vantagem importante já que os fertilizantes estão entre os principais insumos utilizados na agricultura, representando cerca de 30% dos custos de produção de uma lavoura. Por isso, o uso de fontes alternativas de adubação pode permitir aos produtores alcançar maiores rendimentos.
 
Um exemplo de resíduo gerado nas propriedades rurais que requer destinação adequada é a cama de frango, mistura do material utilizado como substrato que forra o piso de aviários e de dejetos, penas e sobras de ração. Durante muito tempo, esse resíduo da criação de frangos era utilizado como complemento na alimentação do gado bovino, mas esse uso foi proibido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Instrução Normativa nº 8, de 2004). Uma alternativa de destinação desse material é seu reaproveitamento como adubo.
 
Christiane Paiva explica que a cama de frango pode passar por compostagem para ser usada na adubação, a fim de que ocorra a disponibilização dos nutrientes de forma mais eficiente do que quando usada in natura.
 
Dessa forma, obtém-se um composto orgânico como fonte alternativa de adubação, e esse material ainda pode ser enriquecido. “O produto que resulta da compostagem tradicional não tem alto teor de fósforo ou potássio”, informa a pesquisadora. Daí, a proposta de se trabalhar com fertilizantes organominerais. “A ideia é adicionar rochas aos compostos orgânicos. Além disso, para acelerar o processo de decomposição e liberação de minerais, são adicionados microrganismos solubilizadores. Esses microrganismos tornam mais eficiente o processo de disponibilização dos nutrientes”.
 
Os microrganismos solubilizadores podem ser adicionados durante a compostagem, na produção dos fertilizantes organominerais, ou podem ser usados no momento do plantio. Neste caso, são aplicados no sulco, por cima do adubo organomineral.
 
No experimento, foram feitos cultivos de milheto, adubados ou não com composto organomineral em doses crescentes, com pré-inoculação ou inoculação no sulco de plantio de microrganismos solubilizadores de fósforo.
 
Diário do Comércio 



Publicidade