Tecnologia e Manejo

23/06

Características de qualidade do mel de abelha Tiúba

Características de qualidade do mel de abelha Tiúba

 

A aluna Rachel Torquato Fernandes defendeu hoje, 23 de junho, sua tese de doutorado intitulada “Características de qualidade do mel de abelha Tiúba (Melipona fasciculata Smith,1854, Hymenoptera, Apidae), como contribuição para sua regulamentação”. A pesquisa foi desenvolvida por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos do Ibilce, câmpus da Unesp em São José do Rio Preto.

 

Resumo

 

O mel é um produto alimentício de composição complexa e variável em função do tipo de abelha que o produz, das fontes de néctar e condições de clima e edáficas da região. Neste sentido, ampliar o conhecimento sobre a produção e sobre o mel de Melipona fasciculata (Tiúba) é essencial para contribuir para a definição de parâmetros de identidade e qualidade deste mel. Portanto, o objetivo geral deste estudo foi determinar as características de qualidade de méis de tiúba (Melipona fasciculata Smith, 1854, Hymenoptera, Apidae) produzidos em duas Bacias Hidrográficas do Estado do Maranhão (Munim e Pericumã), tomando como linha de base as características do mel de Apis mellifera.

 

A criação das abelhas M. fasciculata (Tiúba) ocorreu em sistema semiartesanal, desprovido de manejo técnico e medidas higiênico sanitárias de processamento e conservação do produto. No entanto, mesmo nessas condições, a qualidade microbiológica da maioria das amostras de mel (95%) esteve em condições adequadas para consumo humano. O mel de M. fasciculata (Tiúba) da Bacia Hidrográfica do Munim foi caracterizado pela quantidade de sólidos solúveis e cinzas, enquanto a umidade caracterizou as amostras da Bacia Hidrográfica de Pericumã e os açúcares redutores as de mel de Apis mellifera.

 

Ainda, os parâmetros físico-químicos dos méis de M. fasciculata (Tiúba), em sua maioria, não se enquadraram na legislação brasileira para Apis mellifera. Os tipos polínicos dos méis foram principalmente das famílias botânicas solanaceae e pontederiaceae, mas os méis apresentaram-se heterogêneos, de diferentes origens florais, sendo caracterizados como méis silvestres ou heteroflorais, com exceção do mel do da região do Cerrado da Bacia do Munim, que pôde ser caracterizado como mel de eucalipto. Os méis apresentaram-se distintos em relação à viscosidade e cor instrumentais, além de terem os perfis sensoriais descritos de formas diferentes.

 

No entanto, houve aceitação sensorial semelhante entre os méis de M. fasciculata (Tiúba) da região do Cerrado e de Apis mellifera, indicando que a aceitação sensorial pode ser semelhante mesmo para méis com perfis sensoriais diferentes. Concluindo, observa-se a diferenciação dos méis de M. fasciculata (Tiúba) em relação ao mel de Apis mellifera em relação às características físico-químicas, origens florais, viscosidade, cor e termos descritores, o que reforça a necessidade de definição de parâmetros de identidade e qualidade para aquele produto, garantindo ao consumidor um mel de qualidade, e oferecendo suporte às futuras ações de desenvolvimento da cadeia produtiva do mel.

 

Comissão Examinadora

 

Prof.(a). Ana Carolina Conti e Silva – Orientadora - Unesp/São José do Rio Preto - SP
Prof.(a). Ellen Silva Lago Vanzela - Unesp/São José do Rio Preto - SP
Prof.(a). Vanildo Luiz Del Bianchi - Unesp/São José do Rio Preto - SP 
Prof.(a). José de Ribamar Silva Barros - Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)

Prof.(a). Rejeana Márcia Lima Silva - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFMA)

 
Assessoria de Comunicação e Imprensa
 
Unesp 



Publicidade