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11/04

Preço do trigo despenca 20% e produção deve ser menor em 2017

Preço do trigo despenca 20% e produção deve ser menor em 2017

 

Se por um lado 2016 foi praticamente o “ano do trigo”, com novo recorde mundial de produção, os produtores do Sul do Brasil vem colhendo problemas após a “safra espetacular” do ano passado. O alto cultivo global derrubou os preços.

 

O produto paranaense teve queda de 20% no valor do 1º trimestre comparado mesmo período ano passado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná.

 

Em 2016, o valor de março era de R$ 39,40 por saca. Já em 2017, ficou em R$ 31,73. Em toneladas isso representa uma diferença de R$ 231 - R$ 660 contra R$ 429. “Foi um ponto fora da curva. Nunca houve uma média de produtividade tão alta”, explica Hugo Godinho, analista de trigo do Deral.

 

Apesar disso, o analista Luiz Carlos Pacheco, da consultoria Trigo & Farinhas, lembra outras funções do trigo: movimentar e adubar o solo para o plantio da soja, para evitar a queima de nutrientes do solo.

 

“Se você considerar preço da saca pelo preço de custo, o produtor teve prejuízo. Mas não é essa a conta certa. O cálculo de custo de lavoura usa rendimento de 48 sacas por hectare, e ninguém produziu menos que isso. Alguns colheram entre 70 e 90 sacas. Isso é mais lucro que a soja, por conta da produtividade e não do preço em si”, comenta.

 

Concorrência acirrada

 

Elcio Bento, analista da consultoria Safras e Mercado, observa três motivos para a diminuição do preço: a produção global, a concorrência de países vizinhos e o câmbio. Ele explica que, com o real valorizado e o dólar 15% mais baixo, fica mais barato importar trigo da região do Mercosul do que comprar o próprio trigo brasileiro.

 

“Além do mundo com os maiores estoques da história, a Argentina teve uma das maiores safras. A política de desvalorização [do peso argentino] e a alta qualidade favoreceram a produção e as exportações do país para o Brasil”, afirma.

 

Redução do plantio

 

Uma das consequências é o menor plantio, que começa neste trimestre. No Paraná, o Deral estima redução da área de produção de trigo de 1,1 milhão de hectares para 1,05 milhão – cerca de 5%. A Safras e Mercado projeta queda de 8%.

 

Dessa maneira, outras culturas “entram na terra”. “Normalmente o trigo perde espaço para o milho safrinha, que deve ganhar 150 mil hectares, mas também pode ser plantada aveia”, exemplifica Hugo Godinho.

 

Já no Paraná, a produção do “safrinha” deve crescer 35%, com rendimento até 25% maior, na avaliação do Deral para a safra 2016/17.A plantação dessa segunda safra de milho é uma vantagem em relação ao Rio Grande do Sul, que não tem essa possibilidade, segundo Bento. “É preciso produzir centeio, aveia ou abrir para pastagem”, comenta.

 

Estoque local está sendo aproveitado, garante sindicato de Panificação

 

Ainda que o preço do mercado internacional esteja baixo, o excedente local está sendo aproveitado no próprio estado. Quem garante é presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Paraná (SIPCEP), Vilson Felipe Borgmann.

 

Ele conta que os moinhos utilizavam 50% de trigo local e 50% importado. “Agora há aqueles estão usando apenas trigo paranaense. A maioria está utilizando 80% do trigo nacional”, revela. Luiz Carlos Pacheco, da consultoria Trigo & Farinhas Pacheco calcula que no Paraná a situação tende a melhorar para o produtor do estado:

 

“Fiz um estudo e projetei uma sobra de 400 mil toneladas no Rio Grande do Sul, enquanto que no Paraná não teremos o produto estocado [na entressafra], mas sim uma falta de 200 mil toneladas. Por isso, o preço interno está reagindo”, avalia.

 

O presidente do SIPCEP aproveita para criticar a carga tributária estadual. Em 1º de março, foi alterado o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para trigo, farinha de trigo e derivados. “Como a carga tributária para enviar o trigo a outros estados está muito elevada, os moinhos do estado acabaram absorvendo a produção para garantir a produção do ano que vem. É uma parceria”, conclui Vilson.

 

Gazeta do Povo 



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