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08/11

Preço do leite recua em Minas Gerais pelo 5º mês consecutivo

Preço do leite recua em Minas Gerais pelo 5º mês consecutivo

 

Pelo quinto mês consecutivo, os preços do leite em Minas Gerais apresentaram retração. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a queda nos valores pagos pelo leite se deve ao aumento da produção e à demanda enfraquecida. Em outubro, referente à produção entregue em setembro, o pecuarista de Minas Gerais recebeu, em média líquida, R$ 1,03 pelo litro de leite, o que significou retração de 5,63% na comparação mensal. Em relação a outubro de 2016, a queda já chega a 27,9%.

 

Em Minas Gerais, o valor médio bruto praticado em outubro foi de R$ 1,13, preço que ficou 5,69% menor que o verificado em setembro.

 

Na média Brasil, composta pelos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, o recuo no valor líquido do leite foi de 7,3% frente ao mês anterior, com o produto negociado a R$ 1,00 por litro.

 

O levantamento feito pelo Cepea mostrou que a captação de leite em Minas Gerais e em outros importantes estados produtores apresentou alta, o que contribuiu para mais um período de retração nos preços pagos aos pecuaristas, uma vez que o mercado consumidor segue retraído em função do menor poder de compra das famílias.

 

Na média Brasil, houve um aumento na captação, de agosto para setembro, de 4,19%. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que nos estados do Sul do País, a captação continuou crescente, porém, em menor intensidade frente aos meses anteriores. Em Minas Gerais, o período de safra ainda não ganhou força devido aos baixos volumes de chuvas, levando ao avanço na produção de apenas 3,1%. De julho para agosto o incremento na captação da média Brasil foi de 5%.

 

A zootecnista e analista de mercados da Scot Consultoria, Juliana Pila, explica que, ainda que o aumento da produção de leite tenha sido menor que o verificado nos meses anteriores, a demanda enfraquecida por parte dos consumidores é o principal fator que vem provocando a queda nos preços pagos pelo leite.

 

A queda verificada nos preços, segundo os cálculos da Scot, também ficou menor no período. Na média nacional da Scot, o litro de leite foi negociado a R$ 1,06 por litro, sem frete. Comparando com mês anterior, o recuo foi de 2,5%.

 

“Apesar de ser considerável, a queda nos preços foi menor que a verificada no pagamento anterior, que foi de 3,6%. O principal motivo para a desvalorização dos preços do leite é o consumo, que está bastante fraco. O aumento da produção e o consumo não acompanhando vem pressionando todos os elos da cadeia leiteira. Em outubro, houve uma recuperação dos preços dos lácteos nos supermercados, mas não em função da melhora do consumo. A alta aconteceu porque a indústria vem trabalhando com margens negativas e está tentando recuperar estas perdas. Para o produtor, uma possível recuperação dos preços ainda dependerá do aumento do consumo”, explicou Juliana.

 

Expectativas

 

Para os próximos meses, as expectativas ainda são incertas e tendem entre uma nova queda e a estabilidade dos valores. Cerca de 48% dos agentes consultados pelo Cepea, que representaram 47,5% do volume de leite amostrado, acreditam que os preços em novembro devem registrar novo recuo. Por outro lado, 43,8% dos colaboradores, que representam 46,2% do volume amostrado, apostam em estabilidade. Somente 8,3% ou 6,3% do total acreditam que o preço pago ao produtor pode subir.

 

A analista de mercados da Scot Consultoria explica que em dezembro e janeiro a tendência é de queda no consumo de leite UHT em função do período de férias e festas de fim de ano. Porém, neste período, a demanda por produtos lácteos de maior valor agregado, como creme de leite, leite condensado e manteiga tende a aumentar.

 

“O consumo de lácteos, principalmente de maior valor agregado, está muito relacionado com poder de compra do consumidor e o momento de crise econômica influencia negativamente no consumo. Por outro lado, alguns indicadores econômicos como a recuperação do Produto Interno Bruto, pagamento do 13º salário e a tendência de aumento das vagas temporárias podem ajudar a elevar o consumo. A expectativa é de melhora dos preços para os produtores no médio e longo prazos”, disse Juliana. 

 

Diário do Comércio 



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