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06/09

Minas Gerais: preços do leite caem 28,45% no Estado em um ano

Minas Gerais: preços do leite caem 28,45% no Estado em um ano

 
Agosto foi marcado pela queda significativa de 7,21% nos preços pagos pelo litro de leite em Minas Gerais quando comparados com julho. Esta foi a terceira retração consecutiva verificada nos valores recebidos pelos pecuaristas. De acordo com os dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o litro de leite foi negociado em agosto, referente à produção entregue em julho, a R$ 1,15, valor que na comparação com igual mês de 2016 está 28,45% inferior, que era R$ 1,61.
 
De acordo com o Cepea, a queda representativa está ligada ao menor consumo dos produtos lácteos, o que foi provocado pelas altas taxas de desemprego e estreitamento da renda das famílias. Os pesquisadores do Cepea explicam que o consumo de lácteos está diretamente relacionado ao aumento da renda e, por isso, o menor poder de compra do consumidor brasileiro segue desaquecendo o mercado.
 
A queda consecutiva dos preços está comprometendo a renda dos produtores. Uma das regiões afetadas pela retração dos valores é a Zona da Mata, que responde por cerca de 8% da produção mineira de leite. De acordo com o Cepea, em agosto, os pecuaristas da região receberam 5,43% a menos pelo litro de leite, que foi negociado na média líquida a R$ 1,04, o menor valor registrado na média do Estado.
 
O preço praticado está abaixo dos custos de produção, o que compromete a manutenção da atividade. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Muriaé, na Zona da Mata, Henrique Schueller de Aquino, os produtores estão acumulando prejuízos.
 
“Os preços caíram e a situação é bem crítica. Em agosto, referente à produção entregue em julho, o valor pago pelo litro chegou ao mínimo de R$ 0,98, é um preço muito baixo e insuficiente para cobrir os custos e garantir uma renda mínima. Na região, que é montanhosa, o custo de produção é alto, principalmente com a mão de obra. Em média, o custo para produzir um litro de leite está em torno de R$ 1,20”.
 
Manifesto - Além da queda no consumo apontada pelo Cepea, Schueller atribuiu a redução significativa dos preços do leite ao aumento das importações. Diante das dificuldades, produtores da região se uniram, na última semana, em Muriaé, e elaboraram um manifesto mostrando a insatisfação com o atual cenário. O objetivo é reunir as reivindicações de todo o segmento e encaminhar um documento aos governos federal e estadual. Uma das reivindicações do setor se refere à necessidade de controlar a importação.
 
“É preciso estabelecer limites de importação de leite para que o mercado doméstico não seja prejudicado”.
 
Escolas e hospitais - Outro pedido do setor produtivo é para o desenvolvimento de políticas públicas efetivas que ampliem a competitividade e que estimulem as exportações. O desenvolvimento de ações que incentive o consumo de leite e derivados, como por exemplo, a utilização do poder de compra do Estado para a inclusão na merenda escolar, na rede pública, hospitalar, na alimentação de forças armadas e presídios, dentre outros, de lácteos de origem nacional também é visto como necessário.
 
Regiões
 
Assim como na Zona da Mata, em agosto, foi verificada queda nos preços pagos ao pecuarista em todas as regiões produtoras de Minas Gerais.
 
No Triângulo e Alto Paranaíba a retração no valor líquido foi de 8,21%, com o litro de leite negociado a R$ 1,15. Recuo de 7,78% foi observado no Sul e Sudoeste de Minas, onde o litro de leite foi cotado a R$ 1,20, na média líquida. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte os preços caíram 6,3% e encerraram agosto em R$ 1,19. 
 
Diário do Comércio 



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