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03/10

El Niño altera dinâmica de pragas e exige atenção de produtores

El Niño altera dinâmica de pragas e exige atenção de produtores

 

As últimas informações meteorológicas confirmam a previsão de que deveremos ter El Niño no fim do ano, afetando diretamente a safra de verão 2018/2019. “Cada localidade sofre de uma maneira distinta com a ação do fenômeno, mas em todas elas é preciso estar preparado e atento às previsões de mudanças nos padrões de distribuição das chuvas para evitar atrasos no plantio e perdas na produtividade devido à exposição a eventos de estiagem prolongados”, explica o agrometeorologista da Climatempo João Castro.

 

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico, o El Niño promove alteração na distribuição de chuvas em todo o mundo, afetando consideravelmente a agricultura. No Brasil, os efeitos do fenômeno são excesso de chuvas no Sul, seca no Nordeste e precipitações irregulares no Centro-Oeste. O cenário é propício para o aumento de pragas e doenças em quase todas as culturas, o que coloca os produtores em alerta e reforça a importância do monitoramento. “As regiões em que o clima fica mais quente e seco que o normal tendem a encontrar uma incidência maior de pragas, porque a chuva é um controle natural e a temperatura mais alta acelera o ciclo da praga”, afirma Luis Fernando Andrade, gerente de Produtos Inseticidas da Ihara.

 

De acordo com o engenheiro agrônomo, a próxima safra, principalmente na região do Matopiba, deve vir acompanhada de um aumento na incidência de mosca-branca e percevejos nas culturas de soja, milho e algodão. “Os agricultores precisam intensificar o monitoramento e estar preparados com as medidas de controle que já utilizam. O importante é observar algumas adequações, como o cuidado de não aplicar defensivos nos horários mais quentes”, diz. A adaptação é necessária, já que a baixa umidade e as altas temperaturas dificultam o translocamento (movimentação) do produto na planta, podendo diminuir sua eficiência.

 

Para o especialista, uma boa saída é utilizar os defensivos em conjunto com adjuvantes, que ajudam a diminuir a evaporação do produto. Outra opção é utilizar formulações mais modernas.

 

Ferrugem asiática pode aumentar no Sul

 

Se na parte Norte do país o problema é causado pela seca, na região Sul o excesso de chuvas é o grande vilão das lavouras, principalmente na soja. Nessas localidades, o produtor encontra dificuldades principalmente na fase da semeadura, e, posteriormente, com o controle fitossanitário, pois a umidade propicia a proliferação de doenças, entre elas a ferrugem asiática.

 

No Paraná, segundo maior produtor de soja do país, os agricultores que já iniciaram o plantio do grão para a safra 2018/2019 estão atentos ao aparecimento de focos da doença. “As condições ambientais de alta umidade e temperatura, associadas à nebulosidade em condições de chuva constante, propiciam o cenário ideal para a infecção e proliferação de diversas doenças, como a ferrugem da soja. O maior tempo de molhamento foliar que ocorre nestas situações é um fator chave no estabelecimento da ferrugem”, explica Luis Demant, gerente de Produtos Fungicidas da Ihara.

 

De acordo com o especialista, o monitoramento é essencial para evitar perdas. “Outra dica é fazer as aplicações sempre de maneira preventiva, a fim de proteger as plantas da infecção inicial pela ferrugem. O uso de tecnologias efetivas aliado a boas práticas culturais também é importante para evitar perdas de produtividade pelo efeito climático”, diz.

 

A escolha de defensivos mais resistentes à lavagem pela chuva também é indicada para preservar a eficácia do controle, sobretudo em períodos mais chuvosos. “A solução de manejo da Ihara para a ferrugem asiática leva isso em conta”, explica Demant. O gerente da Ihara ainda alerta para a maior possibilidade de aparecimento da antracnose e do mofo branco na região Sul, exigindo o uso de ferramentas de controle de alta eficiência contra essas doenças.

 

Projeções de produção

 

As mudanças que o El Niño deve trazer para a área agrícola em todo o país poderão ter um impacto direto na produtividade. Os especialistas acreditam que a região Norte do Brasil deve ter quebras em algumas culturas em decorrência do tempo mais seco, mesmo que o fenômeno não chegue com tanta intensidade. Perdas pontuais também são esperadas na região Centro-Oeste, mas não devem impactar de maneira muito significativa a produção total da região. Já no Sul, a situação deve ser contrária, com bons resultados para a safra de verão, embora as questões fitossanitárias possam incorrer em prejuízos pontuais aos agricultores que não fizerem um rigoroso controle químico sobre os agentes biológicos, principalmente fungos, causadores das principais doenças das culturas da soja.

 

Fonte: Ihara.



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