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08/03

Brasil tem a mais longa recessão da história

Brasil tem a mais longa recessão da história

 
A economia brasileira aprofundou a crise e encolheu mais do que o esperado no último trimestre de 2016, com forte retração dos investimentos, marcando a recessão mais longa do Brasil ao fechar o ano com queda de 3,6%. Este é o pior resultado desde 1947.
 
Na série de crescimento econômico do IBGE, iniciada em 1947, foi a primeira vez que houve dois anos seguidos com queda anual do PIB, segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
 
Segundo Rebeca, com a queda de 7,2%, é possível dizer que a recessão atual é a pior desde 1948. A pesquisadora relutou em afirmar que se trata da pior recessão da história, por causa da falta de dados sobre antes de 1948.
 
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 0,9% no quarto trimestre sobre os três meses anteriores, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), oitavo trimestre seguido de perdas. No terceiro trimestre, com a mesma base de comparação, a queda havia sido de 0,7%.
 
Sobre o quarto trimestre de 2015, o PIB despencou 2,5%. Em 2015, a economia havia caído 3,8%, o que dá uma retração de 7,2% nos dois anos.
 
Segundo o IBGE, de longe a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, foi a que mais sofreu. Em 2016, marcou contração de 10,2% e, no último trimestre, queda de 1,6% sobre o período anterior. O consumo das famílias também foi bastante afetado, em meio ao desemprego cada vez maior, com contrações de 4,2% e 0,6%, respectivamente.
 
A indústria também encolheu no ano passado (-3,8%) e no quarto trimestre (-0,7%), o mesmo comportamento do setor de serviços (-2,7% e -0,8%, respectivamente).
 
O setor agropecuário teve expansão de 1% na comparação trimestral, segundo o IBGE, mas fechou o ano passado com forte retração de 6,6%. O acumulado de 2016 é o pior resultado registrado pelo agronegócio.
 
Apesar dos dados ruins, alguns indicadores econômicos têm mostrado que a atividade já começou a dar sinais de recuperação, ainda que de maneira tímida. Entre eles, estão a melhora da confiança dos agentes econômicos.
 
A perda de força da inflação também vai ajudar neste cenário, uma vez que o Banco Central já iniciou processo de redução dos juros básicos, em outubro passado, o que tende a baratear o crédito e estimular o consumo.
 
De lá para cá, o BC cortou a Selic a 12,25%, ante 14,25%, e as expectativas gerais são de que vai continuar nessa toada e levá-la ao patamar de 9% ainda neste ano, o menor desde 2013.
 
“O resultado do PIB coloca um peso grande na agenda econômica, sobretudo a reforma da Previdência”, afirmou o economista-chefe do banco J.Safra, Carlos Kawall.
 
“O caminho está correto e temos um cenário de juros mais baixos”, acrescentou ele, para quem o PIB deve ter crescimento zero neste ano, “ou um pouquinho acima disso”, lembrando que o carregamento negativo de 2016 para 2017 é de 1,1%.
 
Contas
 
A economia sentiu sobretudo o baque do desarranjo das contas públicas, o que levou a atual equipe econômica a adotar medidas ortodoxas, como limitar o crescimento do gasto público pelos próximos 20 anos.
 
A pesquisa Focus mais recente mostra que, pela mediana das projeções, a expectativa é de que o PIB cresça 0,49% neste ano e 2,39% em 2018.
 
Apesar de negativas, as taxas registradas no quarto trimestre foram menos intensas do que as da média do ano. Isso não indica, porém, que a recuperação é certa. “Temos que olhar um pouco melhor para o começo deste ano”, afirmou Rebeca Palis.
 
Segundo a economista, a recuperação dependerá de melhoras em um conjunto de fatores. Ela destacou que os juros, a inflação e a expectativa dos consumidores são determinantes, mas que “o mercado de trabalho é fundamental nessa equação”.
 
Expectativa é de desempenho positivo 
 
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), por meio de nota, disse que a expectativa do mercado é que o desempenho no primeiro trimestre já esteja em patamares positivos. “A queda da inflação e a redução da taxa de juros pelo Banco Central são as principais razões para o ânimo do mercado. A projeção, inclusive do PIB, é de crescimento de 0,5%. O esperado é que, com isso, famílias e empresários voltem a consumir e investir e que o ano de 2017 seja o pontapé definitivo para a retomada da estabilidade econômica”, consta no documento.
 
Por fim, a coordenadora da Assessoria Técnica da FAEMG, Aline Veloso, destacou que o resultado negativo apresentado pela agropecuária, ocorreu em virtude, principalmente, das condições climáticas adversas observadas no decorrer de 2016.
 
Já em termos de demanda, ela lembra que a inflação de 2016 foi melhor controlada que a de 2015, mas que ainda assim as famílias tiveram seus orçamentos comprometidos, o que levou consequências também aos produtores agropecuários. “As pessoas não deixam de se alimentar, mas optam por produtos que caibam em seus bolsos”, justifica.
 
Para o atual exercício, a coordenadora cita as expectativas mais favoráveis para o cenário econômico como um todo e lembra que no caso da agropecuária o trabalho de gestão de propriedades e manuseio dos produtos irá continuar de maneira a alavancar o setor e driblar as adversidades. “A expectativa é de uma safra melhor neste ano, o clima também indica estar melhor. Com isso, esperamos atender as demandas tanto do mercado interno quanto externo e reverter a situação do ano passado”, conclui.
 
 
Diário do Comérico 



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